Brasil

Domingos Brazão nega ao STF ser mandante de execução de Marielle Franco e acusa Ronnie Lessa de proteger aliado

Conselheiro do TCE-RJ está preso desde março acusado pela PGR de encomendar morte da vereadora junto com irmão Chiquinho; os dois negaram contato com assassino

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Ricardo Brandt
22/10/2024, 23:43 • Atualizado em 22/10/2024, 23:43
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Caso Marielle: Domingos Brazão (à esq.) é interrogado em processo no STF. (Reprodução)

Caso Marielle: Domingos Brazão (à esq.) é interrogado em processo no STF. (Reprodução)

Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro, negou em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (22), ter encomendado a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), em 2018, e disse não ter contato com o miliciano Ronnie Lessa, que confessou ter executado o crime em delação premiada.

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O chefe da família Brazão é o segundo réu a ser ouvido no processo do STF contra os acusados de serem mandantes do crime que vitimou Marielle e o motorista Anderson Gomes.

Brazão disse ao desembargador Airton Vieira, do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, nunca ter visto Ronnie Lessa, o miliciano que confessou ser o executor do crime e apontou os irmãos como mandantes.

"Nunca vi esse senhor. A primeira vez que vi a imagem do Ronnie Lessa, me parece que foi no IML, no dia que ele foi preso."

Ouvido por videoconferência direto do presídio federal em Porto Velho (RO), Brazão também se emocionou ao falar da morte de Marielle e negar envolvimento e motivação, assim como seu irmão, o deputado federal afastado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ).

O deputado negou também ser o mandante e disse não ter tido contato com Ronnie Lessa. Primeiro interrogado, Chiquinho começou a ser ouvido na segunda-feira (21), mas o depoimento foi concluído nesta terça-feira (22).

São réus no processo os irmãos Brazão, o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, o policial militar Ronald Paulo Pereira e Roberto Calixto Fonseca, o Peixe, ex-assessor de Domingos. Os réus foram denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR). Todos negam os crimes apontados.

A denúncia da PGR aponta que os Brazão se "associaram a grileiros de terra e milicianos do Rio de Janeiro com objetivo de apropriar-se de áreas públicas e de proteção ambiental a fim de comercializá-las", na zona oeste, em especial, em Jacarepaguá.

Domingos Brazão e Chiquinho Brazão acusaram Lessa de tentar proteger o ex-vereador Cristiano Girão, preso acusado de envolvimento com milícias.

"Ele só decide falar após a delação de Élcio de Queiroz. Ele se sentiu acuado, encurralado. E decidiu falar. Foi a oportunidade que o Lessa teve de defender, proteger o seu comparsa, Cristiano Girão", afirmou Domingos. A reportagem não localizou a defesa de Girão. O espaço está aberto para manifestações.

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