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Comércio de SP tem alta rotatividade e falta de mão de obra

Entrada e saída de funcionários no primeiro semestre do ano foi a maior desde 2022. Lojas de vestuário e calçados lideram ranking

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Karyn Souza, Magdalena Bonfiglioli, do SBT Brasil

O setor varejista de São Paulo registrou a maior taxa de rotatividade de mão de obra desde 2022, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado, a FecomercioSP.

No primeiro semestre do ano, o índice que mede a entrada e saída de funcionários de uma empresa, o chamado 'turnover', chegou a 63%. Isso significa que, a cada 100 postos formais de trabalho, 63 sofreram algum tipo de movimentação no período. O último recorde havia sido de 51%, em 2022.

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Na prática, sobram vagas de trabalho e os varejistas têm dificuldade de preenchê-las. Segundo os comerciantes, nos últimos os anos, os jovens têm sido cada vez mais atraídos pela liberdade de fazer serviços avulsos, como os de aplicativo de transporte e entrega, e pela escolha de não trabalhar aos finais de semana.

Para os empregadores, o fim da escala 6 por 1 deve ajudar a atrair mais profissionais para o setor. "Um dos grandes problemas para as pessoas mais jovens é a escala 6x1. Agora, a gente sabe que, com a aprovação da 5x2, aumenta as possibilidades de contratação, principalmente das pessoas mais jovens, que não se conformavam em trabalhar na 6x1. Acredito que isso tende a se reverter", afirma o lojista Lauro Pimenta.

As lojas de vestuário, tecidos e calçados lideram o ranking de rotatividade, com taxa de 79,1% em 2026, ante 65,8% em 2022. Nos supermercados, o índice subiu de 53,9% para 72,1% no mesmo período. Já nas lojas de eletrodomésticos e eletrônicos, o percentual subiu de 51% para 61,5%.

Farmácias e perfumarias ocupam o quarto lugar no ranking, com taxa de 58%, em um cenário marcado pela expansão dos pontos de venda e pela onda de assaltos a drogarias, motivada pela alta procura pelas canetas emagrecedoras.

Na avaliação de Thiago Carvalho, assessor econômico da FecomercioSP, o aumento da rotatividade no comércio é esperado e não simboliza um sinal de alerta ao setor. "Em períodos de mercado de trabalho aquecido, como o atual, é natural que ocorra um aumento na taxa de rotatividade. Isso porque o número de oportunidades do mercado de trabalho aumenta, então é natural que os trabalhadores busquem melhores oportunidades de salário, de benefícios, de progressão na carreira. Isso é ainda mais presente dentro do comércio varejista, porque o varejo normalmente é a porta de entrada para o mercado de trabalho", explica o assessor.

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