Chuva de dinheiro, ameaça de facção e compra de votos, como foram as ações contra crimes eleitorais
A três dias do primeiro turno, Polícia Federal colocou 11 ações nas ruas no RJ, RS, BA, AM, MT, PA, RR e SE; objetivo é coibir influência criminosa nas eleições
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Ricardo Brandt
Operação da PF em Parintins (AM) contra esquema de compra de votos. (Crédito: Divulgação/PF)
A Polícia Federal deflagrou 11 operações contra crimes eleitorais, nesta quinta-feira (3), em oito estados de diferentes cantos do Brasil. A ofensiva é parte das "ações estratégicas voltadas à proteção do processo eleitoral e ao combate a crimes eleitorais" anunciadas pela PF.
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As operações têm como alvo crimes de: compra de votos com dinheiro vivo, com equipamentos e combustível, pagamento a candidatos pela desistência da disputa, coação aos eleitores e candidatos, violência política de gênero, ação de facção, entre outros.
A PF foi às ruas em cidades do Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima e Sergipe.
PF em crimes eleitorais em 2024:
40 operações policiais de combate a crimes eleitorais
R$ 16,7 milhõesapreendidos em bens
R$ 11 milhõesapreendidos em espécie
2,2 mil inquéritos em andamento de crimes eleitorais e contra o Estado Democrático de Direito
6 mil policiais federais envolvidos
Os pontos de atenção da PF, nas Eleições de 2024, são "o aumento da difusão de fake news e desinformação sobre o processo eleitoral, o uso indevido de inteligência artificial e deepfakes em propagandas", entre outros.
Crime organizado
No Rio Grande do Sul, a PF e polícias Civil e Militar do estado deflagraram a Operação Integridade Eleitoral, contra a infiltração e interferência de facção criminosa na disputa eleitoral em São Borja (RS).
As investigações descobriram que uma facção local estaria patrocinando um candidato local. Segundo a PF, os criminosos davam "apoio pessoal, material e financeiro" ao candidato.
Os alvos são acusados de cooptação de voto, falsidade ideológica eleitoral, compra de votos e não declaração de gastos eleitorais.
No Amazonas, a Operação Tupinambarana Liberta teve como alvos membros de uma facção e agentes públicos "que cometiam crimes eleitorais para eleger um candidato de Parintins (AM)".
"O objetivo da operação é desarticular associação entre membros de facção criminosa e agentes públicos, os quais entraram em conluio visando a prática de crimes eleitorais em prol de uma candidatura na cidade de Parintins/AM. A investigação demonstrou que foram utilizadas estruturas de estado, inclusive, de forças policiais para benefício de uma chapa concorrente à Prefeitura de Parintins", informou a PF sobre a Operação Tubinambarana Liberta.
Nesse caso, os investigados são suspeitos de "crimes de associação criminosa, corrupção eleitoral, abolição do Estado Democrático de Direito, utilização de violência para obter votos e impedir o exercício de propaganda eleitoral", segundo a PF.
Coação
No Rio de Janeiro, a PF deflagrou duas operações nesta quinta-feira (3), envolvendo "coação de eleitores e compra de votos". Em Campos dos Goytacazes (RJ), os alvos foram os responsáveis por guardar e distribuir dinheiro para compra de votos e por coagir eleitores para que votassem no candidato a vereador Bruno Pezão.
As investigações começaram com a prisão do candidato Bruno Pezão, pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, em 18 de setembro, por suspeita de envolvimento com a morte de um cabo eleitoral.
Também no Rio, a PF deflagrou a Operação Nômade Eleitoral, que teve como alvo "uma organização criminosa voltada para cooptar pessoas para alistamento eleitoral e/ou mudança de domicílio eleitoral", em Santa Cruz para Itaguaí (RJ).
O Ministério Público Eleitoral acionou a PF e apontou que o candidato a vereador e seus cabos eleitorais davam "comprovantes de residência falsos para os possíveis eleitores", em troca de dinheiro e da promessa de voto.
"Dois investigados mesclaram imagens e vídeos regulares de campanha política com vídeos de conteúdo adulto no intuito de constranger e humilhar a candidata, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher com a finalidade de impedir ou de dificultar a sua campanha eleitoral", registra nota da PF sobre a operação da PF.
Compra de votos
A prisão de um candidato a prefeito de Coari (AM), na quarta-feira (2), que fez chover dinheiro para os eleitores durante um comício eleitoral, foi um dos casos de compra de votos alvos da PF. Em Lagarto (SE), a PF deflagrou a Operação Listagem, contra um grupo que distribuía dinheiro à população local, em troca de promessa de voto.
Em Guajará (AM), a Operação Voto Edificado, desta quinta-feira (3), teve como alvo um esquema de compra de votos, com materiais de construção, motores, roçadeiras e outros. Os bens eram "distribuídos a eleitores em troca de promessa de votos em determinado candidato", informou a PF.
Em outra ação, a PF apreendeu R$ 20 mil em espécie, com uma assessora parlamentar que embarcava em Manaus no Aeroporto de Flores para Benjamin Constant (AM). A assessora "não havia comprovação do saque e nem tinha o conhecimento da origem do dinheiro". Na ação, o "parlamentar também passou por inspeção e assumiu que o dinheiro era dele".
Comitê pirata em Sinop (MT). A PF descobriu na cidade um local onde um candidato a prefeito pagava R$ 2,5 mil por voto. No imóvel, havia uma placa "aluga-se" e as cortinas estavam abaixadas. "Funcionava como um comitê não oficial de campanha. Os policiais flagraram o momento em que uma colaboradora realizava o pagamento de R$ 2,5 mil em espécie para um terceiro."
Na Bahia, a PF deflagrou a Operação Los Intocables, em Santana do Livramento (BA), contra um candidato a vereador dedistribuía combustível em troca de votos. Há suspeita ainda de que o candidato "seria financiado por integrantes do crime organizado, sobretudo com recursos provenientes do contrabando", segundo a PF. "Após diligências preliminares, foi possível identificar a atuação ativa e permanente de indivíduos com vasto histórico criminal na campanha do candidato investigado, inclusive por meio de doações em dinheiro."
Chuva de dinheiro, ameaça de facção e compra de votos, como foram as ações contra crimes eleitoraisA três dias do primeiro turno, Polícia Federal colocou 11 ações nas ruas no RJ, RS, BA, AM, MT, PA, RR e SE; objetivo é coibir influência criminosa nas eleiçõesBrasil2024-10-04T00:39:32.749ZA Polícia Federal deflagrou 11 operações contra crimes eleitorais, nesta quinta-feira (3), em oito estados de diferentes cantos do Brasil. A ofensiva é parte das "ações estratégicas voltadas à proteção do processo eleitoral e ao combate a crimes eleitorais" anunciadas pela PF. As operações têm como alvo crimes de: compra de votos com dinheiro vivo, com equipamentos e combustível, pagamento a candidatos pela desistência da disputa, coação aos eleitores e candidatos, violência política de gênero, ação de facção, entre outros. A PF foi às ruas em cidades do Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima e Sergipe. PF em crimes eleitorais em 2024: Os pontos de atenção da PF, nas Eleições de 2024, são "o aumento da difusão de fake news e desinformação sobre o processo eleitoral, o uso indevido de inteligência artificial e deepfakes em propagandas", entre outros. Crime organizado No Rio Grande do Sul, a PF e polícias Civil e Militar do estado deflagraram a Operação Integridade Eleitoral, contra a infiltração e interferência de facção criminosa na disputa eleitoral em São Borja (RS). As investigações descobriram que uma facção local estaria patrocinando um candidato local. Segundo a PF, os criminosos davam "apoio pessoal, material e financeiro" ao candidato. Os alvos são acusados de cooptação de voto, falsidade ideológica eleitoral, compra de votos e não declaração de gastos eleitorais. No Amazonas, a Operação Tupinambarana Liberta teve como alvos membros de uma facção e agentes públicos "que cometiam crimes eleitorais para eleger um candidato de Parintins (AM)". "O objetivo da operação é desarticular associação entre membros de facção criminosa e agentes públicos, os quais entraram em conluio visando a prática de crimes eleitorais em prol de uma candidatura na cidade de Parintins/AM. A investigação demonstrou que foram utilizadas estruturas de estado, inclusive, de forças policiais para benefício de uma chapa concorrente à Prefeitura de Parintins", informou a PF sobre a Operação Tubinambarana Liberta. Nesse caso, os investigados são suspeitos de "crimes de associação criminosa, corrupção eleitoral, abolição do Estado Democrático de Direito, utilização de violência para obter votos e impedir o exercício de propaganda eleitoral", segundo a PF. Coação No Rio de Janeiro, a PF deflagrou duas operações nesta quinta-feira (3), envolvendo "coação de eleitores e compra de votos". Em Campos dos Goytacazes (RJ), os alvos foram os responsáveis por guardar e distribuir dinheiro para compra de votos e por coagir eleitores para que votassem no candidato a vereador Bruno Pezão. As investigações começaram com a prisão do candidato Bruno Pezão, pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, em 18 de setembro, por suspeita de envolvimento com a morte de um cabo eleitoral. Também no Rio, a PF deflagrou a Operação Nômade Eleitoral, que teve como alvo "uma organização criminosa voltada para cooptar pessoas para alistamento eleitoral e/ou mudança de domicílio eleitoral", em Santa Cruz para Itaguaí (RJ). O Ministério Público Eleitoral acionou a PF e apontou que o candidato a vereador e seus cabos eleitorais davam "comprovantes de residência falsos para os possíveis eleitores", em troca de dinheiro e da promessa de voto. Violência política de gênero No Pará, as ações da PF tiveram como alvos investigados por , que concorre a cargo de vereadora em Paragominas (PA). Desde 2021 é crime a violência política de gênero, segundo a lei. "Dois investigados mesclaram imagens e vídeos regulares de campanha política com vídeos de conteúdo adulto no intuito de constranger e humilhar a candidata, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher com a finalidade de impedir ou de dificultar a sua campanha eleitoral", registra nota da PF sobre a operação da PF. Compra de votos A prisão de um candidato a prefeito de Coari (AM), na quarta-feira (2), que fez chover dinheiro para os eleitores durante um comício eleitoral, foi um dos casos de compra de votos alvos da PF. Em Lagarto (SE), a PF deflagrou a Operação Listagem, contra um grupo que distribuía dinheiro à população local, em troca de promessa de voto. Em Guajará (AM), a Operação Voto Edificado, desta quinta-feira (3), teve como alvo um esquema de compra de votos, com materiais de construção, motores, roçadeiras e outros. Os bens eram "distribuídos a eleitores em troca de promessa de votos em determinado candidato", informou a PF. Em outra ação, a PF apreendeu R$ 20 mil em espécie, com uma assessora parlamentar que embarcava em Manaus no Aeroporto de Flores para Benjamin Constant (AM). A assessora "não havia comprovação do saque e nem tinha o conhecimento da origem do dinheiro". Na ação, o "parlamentar também passou por inspeção e assumiu que o dinheiro era dele". Comitê pirata em Sinop (MT). A PF descobriu na cidade um local onde um candidato a prefeito pagava R$ 2,5 mil por voto. No imóvel, havia uma placa "aluga-se" e as cortinas estavam abaixadas. "Funcionava como um comitê não oficial de campanha. Os policiais flagraram o momento em que uma colaboradora realizava o pagamento de R$ 2,5 mil em espécie para um terceiro." Na Bahia, a PF deflagrou a Operação Los Intocables, em Santana do Livramento (BA), contra um candidato a vereador de distribuía combustível em troca de votos. Há suspeita ainda de que o candidato "seria financiado por integrantes do crime organizado, sobretudo com recursos provenientes do contrabando", segundo a PF. "Após diligências preliminares, foi possível identificar a atuação ativa e permanente de indivíduos com vasto histórico criminal na campanha do candidato investigado, inclusive por meio de doações em dinheiro." São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/chuva-de-dinheiro-ameaca-de-faccao-e-compra-de-votos-como-foram-as-acoes-contra-crimes-eleitorais
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