Cão Orelha: protesto em São Paulo cobra punição a responsáveis por morte
Manifestantes pedem justiça e protestam contra a violência contra animais
Lucas Carvalho
Ativistas ligados à causa animal se reuniram no fim da tarde desta quinta-feira (29), em frente ao MASP, na Avenida Paulista, para protestar contra a morte do cão Orelha, brutalmente espancado por adolescentes em Florianópolis, Santa Catarina.
Com cartazes e gritos de ordem, os manifestantes pediam “justiça por Orelha”. O ato contou com protetores independentes e integrantes de organizações de defesa animal, que também cobraram uma legislação mais rígida contra maus-tratos a animais. Durante o protesto, motoristas que passavam pela Paulista buzinavam em apoio à causa.
“Foi uma crueldade imensa contra o Orelha, teve toda a questão da coação envolvendo familiares, é isso o que me motiva a estar aqui”, disse a advogada Carolina Andréa Bustamante.
Para o ativista Gabriel de Medeiros, falta boa vontade em políticas públicas voltadas à proteção animal. “Nós, que somos da proteção animal, sabemos que o Orelha não é um caso isolado. Nos revolta a impunidade e a negligência do poder político no Brasil”, afirmou.
Sobre a morte do cão Orelha
Orelha viveu por cerca de 10 anos nos arredores da Praia Brava, em Florianópolis, e era cuidado de forma coletiva pela comunidade local. Moradores se revezavam na alimentação, na limpeza das casinhas improvisadas, na troca de cobertores e no acompanhamento do dia a dia do animal, que se tornou parte da rotina do bairro.
No início deste mês, após desaparecer por dois dias, Orelha reapareceu gravemente ferido. Ele foi resgatado e levado para atendimento veterinário, mas, devido à gravidade das lesões e ao sofrimento do animal, precisou ser sacrificado. Exames e avaliações descartaram atropelamento e apontaram que os ferimentos foram causados por agressões.
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que Orelha foi vítima de violência cometida por quatro adolescentes. Dois deles estavam em Santa Catarina e os outros dois nos Estados Unidos, em uma “viagem programada”, mas retornaram nesta quinta-feira (29). Na última segunda-feira (26), a polícia realizou buscas nas casas dos adolescentes envolvidos na agressão. Em uma das residências, foi encontrada uma porção de droga, além de celulares e outros objetos.
A investigação segue em sigilo, mas o caso gerou grande comoção na cidade e motivou protestos como o ocorrido em São Paulo.









