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Áudios revelam suspeita de propina do PCC a policiais

Investigação do Gaeco aponta pagamentos para policiais civis e cita até oficiais da PM em esquema ligado à lavagem de dinheiro da facção criminosa

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Fabio Diamante, Robinson Cerantula

Novos áudios obtidos durante a Operação Janus revelam indícios de um esquema de corrupção envolvendo operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e agentes das forças de segurança de São Paulo. As conversas, anexadas à investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), indicam supostos pagamentos de propina a policiais civis para evitar investigações e facilitar a atuação da facção.

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As gravações fazem parte da apuração sobre uma estrutura responsável por lavar dinheiro do PCC por meio de empresas de fachada. Ao todo, 13 pessoas foram presas durante a operação.

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Conversas citam propina em delegacias e no Deic

As mensagens recuperadas pelos promotores apontam suspeitas de corrupção em pelo menos dois distritos policiais da zona norte da capital, em uma delegacia seccional e também no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), considerado um dos principais órgãos de combate ao crime organizado em São Paulo.

Em um dos diálogos, investigados discutem o pagamento de R$ 100 mil para encerrar um problema com policiais.

"Uns cinquentinha de um lado, cinquentinha do outro, a gente consegue matar isso daí."

Em outra conversa, um operador financeiro afirma ter influência junto a um delegado e sugere que poderia resolver pendências envolvendo investigações e bloqueios judiciais.

Os áudios também revelam movimentações milionárias atribuídas ao grupo criminoso, incluindo pedidos de R$ 1 milhão em espécie e negociações envolvendo recursos enviados ao exterior.

Gaeco investiga uso de relatórios sigilosos para extorsão

Segundo o relatório encaminhado à Justiça, os operadores do PCC afirmam que policiais utilizavam Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) para identificar movimentações bancárias consideradas suspeitas e, em seguida, cobrar propina para impedir a abertura de inquéritos.

Em um dos trechos interceptados, um investigado relata que um escrivão teria pedido R$ 700 mil para resolver uma situação, valor posteriormente reduzido para cerca de R$ 100 mil após negociação.

As investigações também apontam pedidos de ajuda envolvendo contatos dentro do Deic para tentar reverter bloqueios financeiros e evitar indiciamentos.

Relatório também cita coronéis da Polícia Militar

As suspeitas não se restringem à Polícia Civil. O relatório do Gaeco menciona três coronéis da Polícia Militar, entre eles o ex-comandante-geral da PM e da Rota, José Augusto Coutinho.

De acordo com os promotores, os nomes aparecem em planilhas de pagamentos apreendidas durante a investigação e também em grupos de mensagens mantidos pelos operadores financeiros do PCC.

Até o momento, os policiais civis mencionados nos áudios não foram formalmente identificados nem denunciados. As citações fazem parte do material reunido pelo Ministério Público, que segue investigando o possível envolvimento de agentes públicos com a organização criminosa.

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