Após mulher do "perdeu, mané", Moraes tira da cadeia outros condenados pelo 8 de janeiro
Ministro do STF liberou para prisão domiciliar homem com câncer de próstata na sexta (28) e mais quatro na segunda (31)

Vinícius Nunes
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes mandou para a prisão domiciliar mais cinco pessoas condenadas ou rés pelo 8 de janeiro. Entre sexta (28) e segunda-feira (31), o ministro liberou Jaime Junkes, Leonardo Gontijo, Isaias Ribeiro, Reginaldo Silveira e Kenedy Martins.
O primeiro da lista, Junkes, teve prisão domiciliar decretada na sexta. O extremista de 68 anos tem um câncer de próstata diagnosticado e "teria sofrido recentemente infarto agudo no miocárdio", segundo a decisão de soltura.
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Gontijo e Ribeiro, liberados na segunda, foram condenados a apenas um ano de cadeia, pelos crimes de associação criminosa e incitação ao crime. Por serem penas leves, Moraes determinou que eles não devem sair de suas cidades, usar tornozeleira eletrônica e fazer um curso no Ministério Público Federal (MPF) sobre democracia.
Reginaldo Silveira descumpriu o monitoramento por tornozeleira 73 vezes desde que foi colocado em liberdade em março de 2023. Voltou à cadeia em julho de 2024 e será posto em prisão domiciliar pelo mesmo motivo de Gontijo e Ribeiro.
Já Kenedy Martins estava preso desde janeiro, quando descumpriu medidas cautelares ao ficar seis dias fora de casa sem explicações. Ele também recebeu uma pena de um ano de reclusão.
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"Perdeu, mané"
As prisões domiciliares foram inauguradas por Moraes pela manifestante radicalizada Débora Rodrigues dos Santos, ré pelos crimes de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.
O ministro liberou a mulher, que pichou a frase "perdeu, mané" na estátua "A Justiça", à prisão domiciliar após pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Na semana passada, Moraes votou pela condenação de Débora em 14 anos de reclusão e foi acompanhado pelo ministro Flávio Dino. O caso foi interrompido após o pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Luiz Fux.