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"A polarização transformou o jornalista em alvo prioritário de quem não quer ser fiscalizado", diz ministro

Governo federal assinou nesta terça (7) o Protocolo Nacional de Investigações de Crimes Contra Jornalistas e Comunicadores

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Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública, discursa em lançamento de protocolo nacional para investigar crimes contra jornalistas | Reprodução/YouTube

O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, disse nesta terça-feira (7) que a polarização política no Brasil intensificou os casos de violência contra jornalistas. A declaração foi dada durante a assinatura do Protocolo Nacional de Investigações de Crimes Contra Jornalistas e Comunicadores.

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"Esse papel nunca foi tão necessário nem tão ameaçado. Vivemos um tempo em que a desinformação circula em massa nas redes sociais e que narrativas falsas fabricadas competem de igual para igual com fatos verificados. [...] A polarização ideológica transformou o jornalista em alvo prioritário de quem não quer ser fiscalizado", afirmou o ministro.

Wellington citou relatório do Ministério Público que contabiliza 64 homicídios de jornalistas e comunicadores no exercício da profissão de 1985 a 2018, no período pós-ditadura militar. Segundo o ministro, esse cenário de violência sofreu forte escalada entre 2019 e 2022, com cerca de 1.400 casos registrados.

Ele explicou que a portaria assinada hoje institui no âmbito no Sistema Única de Segurança Pública (SUSP) o protocolo seguindo padrões internacionais de proteção à liberdade de imprensa.

"Estamos aqui para fazer o que o estado brasileiro deveria ter feito há muito tempo: tratar a violência contra jornalistas e comunicadores não como estáticas, mas como uma agressão direta ao coração da democracia. Quando um jornalista é atacado ou um comunicador é silenciado, não é só uma pessoa que sangra, é a democracia que recua e a sociedade que perde o direito de saber", afirmou.

A iniciativa, elaborada no âmbito do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, estabelece diretrizes para a atuação dos órgãos de segurança pública na apuração de crimes contra profissionais da imprensa, com foco na proteção das vítimas, na padronização dos procedimentos investigativos e no fortalecimento da cooperação entre instituições.

O protocolo se baseia em quatro eixos:

  • Proteção imediata a da vítima e dos familiares;
  • Qualificação da investigação para coibir impunidades;
  • Produção e preservação das provas;
  • Respeito ao sigilo da fonte.

Além dessa medida, o governo também vai publicar um decreto para a proteção das mulheres jornalistas. O texto propõe a remoção imediata de conteúdos ilícitos pelas plataformas independentemente de notificação prévia, processos acelerados para vítimas de conteúdos íntimos não consentidos e a responsabilização das empresas em casos de ataques coordenados a mulheres em cargos públicos, candidatas e jornalistas.

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