Brasil

Mounjaro: médicos apontam riscos de usar remédio contra diabetes para perder peso

Fármaco se tornou popular no consumo off label por diminuir apetite e aumentar saciedade

C
Camila Stucaluc
30/09/2023, 21:30 • Atualizado em 31/10/2023, 23:48
compartilhar
Reprodução

Reprodução

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta semana, o medicamento Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly, está se popularizando não apenas pelo tratamento da diabetes tipo 2. Com efeitos como diminuição do apetite e aumento da saciedade, o fármaco começou a ser usado por muitas pessoas de forma off label (isto é, para uma finalidade não indicada na bula) para perda de peso. Tal ação, no entanto, pode resultar em efeitos colaterais, além de prejuízos à saúde dos pacientes.

+ Leia as últimas notícias no portal SBT News

Na bula, o Mounjaro é descrito como um remédio "indicado para o controle glicêmico de adultos com diabetes mellitus tipo 2 em conjunto com dieta e exercícios". Fabio Moura, médico e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que o medicamento é um agonista duplo de dois hormônios gastrointestinais - GLP1 e GIP -, que estimulam a produção de insulina no pâncreas e as vias anorexigenas (diminuindo a fome e aumentando a sensação de saciedade), assim como o gasto energético. 

A combinação faz com que os pacientes emagreçam rapidamente, com casos de perda de até 12 quilos em poucos meses. Apesar do efeito, a farmacêutica Eli Lilly reforça que o Mounjaro não é indicado para pacientes que desejam apenas o emagrecimento precoce. Nestes casos, há probabilidade de efeitos colaterais, como náuseas, dor abdominal, vômitos e diarreia. Efeitos adversos graves são raros, mas, em algumas situações, podem apresentar falência renal, hemorragia gastrintestinal e pancreatite, por exemplo.

Hugo Valente do Couto Pereira, endocrinologista e especialista em clínica médica, conta que a procura pelo Mounjaro é similar a do Ozempic, fabricado pelo laboratório Novo Nordisk. O medicamento, já aprovado no Brasil para o tratamento da diabetes tipo 2, atua sobre o hormônio GLP1, também induzindo a saciedade e, consequentemente, diminuindo o apetite. Contudo, como o efeito do Manjaro é equivalente ao dobro do Ozempic, a busca pelo fármaco do Novo Nordisk começou a ficar para trás. 

"O Ozempic, na dose que existe no Brasil, de até 1 mg, não é aprovado para a perda de peso. Então, ele é usado de forma off label. O mesmo acontece com o Mounjaro", explica Pereira. "Ambos os remédios devem ser muito bem indicados, tendo que ser avaliado os riscos e benefícios, com o acompanhamento do endocrinologista, porque eles não servem para todo mundo. O que é diferente do Wegovy [também recomendado para o tratamento da obesidade tipo 2], que já foi aprovado para a obesidade no Brasil", acrescenta.

Assim como o Wegovy, estudos recentes da Eli Lilly mostraram que o Mounjaro também pode auxiliar pacientes com obesidade. Desde outubro do ano passado a farmacêutica vem acelerando os testes para comprovar a eficácia do medicamento em casos de sobrepeso. Nos Estados Unidos, por exemplo, já há expectativas para a autorização do uso do fármaco para o controle de peso em adultos. A autorização também pode estar próxima no Brasil.

"É preciso distinguir o que é o tratamento da obesidade do ?desejo social de emagrecer?. O uso de curto prazo de medicações para fins estéticos (e muitas vezes sem prescrição médica) deve ser tratado de forma muito distinta do que o tratamento sério da obesidade, que tem como objetivo a melhora de saúde e qualidade de vida. A obesidade é uma doença crônica, complexa, multicausal e de difícil tratamento e seu tratamento, medicamentoso ou não, deve sempre caminhar ao lado de estratégias de mudança de estilo de vida", reforça Moura.

Dados da Federação Internacional de Diabetes apontam que o Brasil é o sexto país com mais casos da doença no mundo. Mais de 16,8 milhões de pessoas sofrem com o descontrole nas taxas de glicemia, número que pode aumentar para 23,2 milhões até 2045. A obesidade, por sua vez, afeta cerca de 20% da população, taxa que, segundo o Ministério da Saúde, aumentou 72% nos últimos 13 anos. Já quando avaliado o número de brasileiros com obesidade e sobrepeso, o percentual chega a 56,8%.

Leia também

+ Afinal, aspartame é vilão da saúde? Entenda uso do adoçante artificial

+ Conheça 8 hábitos que podem prolongar a sua vida em 24 anos, segundo estudo

+ Dieta mediterrânea pode diminuir risco de demência, avalia pesquisa

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: UE confirma diálogo com Brasil para aval à compra de carne

UE confirma diálogo com Brasil para aval à compra de carne

Imagem da notícia: Justiça das Bahamas reconhece liquidação do Banco Master

Justiça das Bahamas reconhece liquidação do Banco Master

Imagem da notícia: Neymar evolui, e Ancelotti mantém mistério sobre o Brasil

Neymar evolui, e Ancelotti mantém mistério sobre o Brasil

Imagem da notícia: 6x1: Governo quer avanço; indústria apoia PEC rival

6x1: Governo quer avanço; indústria apoia PEC rival

Imagem da notícia: UE confirma diálogo com Brasil para aval à compra de carne

UE confirma diálogo com Brasil para aval à compra de carne

Imagem da notícia: Justiça das Bahamas reconhece liquidação do Banco Master

Justiça das Bahamas reconhece liquidação do Banco Master

Imagem da notícia: Neymar evolui, e Ancelotti mantém mistério sobre o Brasil

Neymar evolui, e Ancelotti mantém mistério sobre o Brasil

Imagem da notícia: 6x1: Governo quer avanço; indústria apoia PEC rival

6x1: Governo quer avanço; indústria apoia PEC rival

Últimas notícias

CNJ prevê alvará judicial para influenciadores mirins

Minuta de resolução proíbe crianças e adolescentes de participarem de conteúdos nas redes sociais sem autorização judicial

Justiça cassa prisão domiciliar de ex de Nem da Rocinha

Danúbia Rangel foi condenada por lavagem de dinheiro e deverá cumprir pena em regime semiaberto; defesa diz que cliente se apresentará espontaneamente

Advogado diz que PEC da maioridade penal é ineficaz

Ao SBT News, o advogado Guilherme Favetti afirma que proposta não ataca causas da criminalidade e pode agravar o problema no sistema carcerário do país

Papa Leão XIV se reúne com Bad Bunny em Madri

Encontro aconteceu durante a passagem do pontífice pela capital espanhola, onde Bad Bunny faz uma série de shows

Master: BRB tem rombo de R$ 8,8 bi e 20 envolvidos em fraude

Presidente do Banco de Brasília deu detalhes sobre as finanças da instituição em comissão do Senado

Governo quer mais etanol na gasolina contra alta nos preços

Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que vai propor ao Conselho de Política Energética aumento da mistura de 30% para 32%