Brasil

Consumo de feijão no Brasil vai cair ainda mais, aponta estudo

Mudança do hábito vai além da alta nos preços

S
Simone Queiroz
05/03/2023, 15:03 • Atualizado em 31/10/2023, 16:37
compartilhar
feijão

feijão

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Um estudo prevê que, em dois anos, o consumo de feijão no Brasil vai cair para menos de cinco vezes na semana. A mudança no hábito não tem a ver só com o preço. A concorrência com alimentos ultraprocessados, mais rápidos de preparar, tem feito o feijão se tornar um item cada vez mais raro no prato dos brasileiros.

+ Leia as últimas notícias no portal SBT News

Em relação à alta do preço, tem muita gente reclamando. A dona de um restaurante, em São Paulo, Lídia Zorzi diz que tenta segurar a alta, mas fica complicado. E depois de um ano com o mesmo preço de pratos que vão feijão, vai ter que aumentar de 15% a 20%. No supermercado, o consumidor também fica descontente. A diarista, Maria da Silva, diz: "Tá caro, principalmente, pra gente que tem muitos filhos que janta, almoça, e come feijão".

Na capital paulista, o quilo do carioquinha, o mais consumido no país, varia de R$ 8,90 a R$ 11,90. Já o feijão-preto vai de R$ 6,50 a R$ 9,80. O feijão-branco e o vermelho custam ainda mais caro.

PROBLEMAS COM A SAFRA

A tendência é de alta nos preços do feijão. Segundo os produtores, vários fatores levaram a uma redução de 40% na primeira safra de 2023, comparada com a de cinco anos atrás.

Márcio Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão, explica que os produtores preferem cada vez mais plantar na primeira safra a soja, e só depois o feijão. Ele diz ainda que tivemos o problema de falta de chuvas na região sul, o que também tirou a produtividade. O agricultor reclama da falta de pesquisas sobre feijão, que poderiam chegar a sementes com maior produtividade, assim como acontece com a soja e o milho. Anualmente o Brasil produz em média três milhões de toneladas de feijão. Se não colhermos o ideal, três milhões e meio, o preço poderá chegar a quinze reais o quilo em 2024.

Com menos oferta, o feijão fica mais caro. O preço é mesmo uma das razões para a queda de consumo de feijão no país. Em 15 anos, a queda foi de 52%, e estudos apontam que vai continuar reduzindo, ameaçando uma parceria nacional: o famoso prato feijão com arroz.

MAIS UMA MÁ NOTÍCIA 

Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais prevê que em dois anos, o brasileiro não comerá mais feijão de forma regular, ou seja, de 5 a 7 dias da semana. E sim de 1 a 4 dias. E aí não é só pelo preço. É a concorrência com alimentos ultraprocessados, que aceleram, ou até dispensam o preparo. Eles entram na dieta de quem tem pressa, mas pouca preocupação com a saúde. Uma tendência que vai à contramão do que se espera no restante do mundo, que preocupado em comer menos carne, parte para ervilha, lentilha, grão-de-bico, e o feijão. Marcelo Lüders alerta que a única forma de substituir a proteína animal é pelo produto altamente proteico e que tenha demanda de recursos naturais, como é o caso de feijão.

Leia também:

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Brito, zagueiro campeão do mundo em 70, morre aos 86 anos

Brito, zagueiro campeão do mundo em 70, morre aos 86 anos

Imagem da notícia: Amor na estrada: 70% dos casais LGBTQIA+ vivem à distância

Amor na estrada: 70% dos casais LGBTQIA+ vivem à distância

Imagem da notícia: Tribunal dos EUA autoriza tarifa global de 10% de Trump

Tribunal dos EUA autoriza tarifa global de 10% de Trump

Imagem da notícia: PF rejeita segunda proposta de delação de Vorcaro

PF rejeita segunda proposta de delação de Vorcaro

Imagem da notícia: Brito, zagueiro campeão do mundo em 70, morre aos 86 anos

Brito, zagueiro campeão do mundo em 70, morre aos 86 anos

Imagem da notícia: Amor na estrada: 70% dos casais LGBTQIA+ vivem à distância

Amor na estrada: 70% dos casais LGBTQIA+ vivem à distância

Imagem da notícia: Tribunal dos EUA autoriza tarifa global de 10% de Trump

Tribunal dos EUA autoriza tarifa global de 10% de Trump

Imagem da notícia: PF rejeita segunda proposta de delação de Vorcaro

PF rejeita segunda proposta de delação de Vorcaro

Últimas notícias

Governo calcula custo de R$ 111 bi com “pautas-bomba”

Fazenda e Planejamento listam nove propostas com efeito fiscal; valor citado por Ceron mais cedo ao SBT News foi 80,2% maior

Pentágono descarta ameaça após suspeita de vazamento

Alerta sobre possível alteração na qualidade do ar levou à adoção de protocolos de segurança; verificações não apontaram qualquer anormalidade

Lula promete zerar fila do INSS até setembro

Presidente diz que meta foi assumida pela nova gestão de Ana Cristina Viana Silveira; fila soma 2,6 milhões de pedidos e é alvo de pressão pré-eleitoral

Lula anuncia crédito para entregadores comprarem motos

Linha ainda não teve custo divulgado e amplia aceno do governo a trabalhadores de aplicativo às vésperas das eleições

Big techs terão 60 dias para se adequarem, decide STF

Ministros analisarão na quarta-feira (17) nova redação da tese sobre responsabilização das plataformas, a ser apresentada por Toffoli

Fazenda estima impacto de R$ 200 bi de "pautas-bomba"

Ao SBT News, o secretário-executivo Rogério Ceron alerta para risco fiscal e não descarta que o governo recorra ao STF, enquanto busca diálogo com o Congresso