Brasil

PT chega ao 43° aniversário tendo imagem desgastada, mas chance de se fortalecer

Sigla possui 9 senadores, 73 deputados federais, 4 governadores e mais de 2,5 milhões de filiados

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Guilherme Resck
12/02/2023, 12:02 • Atualizado em 31/10/2023, 15:54
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militantes com a bandeira do PT

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O Partido dos Trabalhadores (PT) chegou ao seu 43º aniversário, em 10 de fevereiro, com muito o que comemorar, em especial o fato de estar de volta à Presidência da República com seu principal quadro, Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, a sigla chegou à data tendo também a imagem desgastada na sociedade brasileira, devido a diferentes fatores, e questões para resolver se quiser reverter esse cenário e voltar ao auge da sua força. Segundo cientistas políticos, com o terceiro mandato de Lula, o PT pode se fortalecer, mas há outros pontos aos quais a legenda precisa se atentar caso deseje ser bem-sucedida na missão.

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Na avaliação do doutor em ciência política e professor da área na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) André Coelho, o início do processo de enfraquecimento do PT deu-se por este ter passado muitos anos no Governo Federal - foram 13, de 2003 a 2016. "Qualquer partido que fique muito tempo no governo vira vidraça. É muito mais fácil ser oposição do que governo. Agora, inclusive, o bolsonarismo vai perceber isso. Porque quando você é governo, você recebe críticas de todos os lados, e muitas vezes críticas com fundamento e outras sem fundamento. Então, você tem uma exaustão natural, depois de muitos anos", explica o especialista.

Porém, em sua visão, a situação do PT começou "realmente a ficar muito ruim a partir das eleições de 2014, quando parte da oposição não aceita o resultado eleitoral". "A Dilma sagrou-se vencedora e o Aécio Neves, do PSDB, não aceitou o resultado eleitoral. Nesse momento, que o PSDB ou parte do PSDB tem uma atitude, a meu ver, equivocada, uma parte da oposição, capitaneada naquele momento pelo [presidente da Câmara] Eduardo Cunha inclusive, atua de maneira muito até mesmo antidemocrática, para enfraquecer o partido". E, relembra André, a sigla se enfraqueceu muito naquele período, por causa também da Operação Lava Jato.

A Lava Jato, conforme o cientista político, "foi fundamental nesse momento para enfraquecer a esquerda, para enfraquecer a política, houve uma demonização da política muito forte, e especialmente os partidos que participavam da base do governo Dilma, mas principalmente do PT, tanto que o Lula ficou preso". A prisão do petista ocorreu em 7 de abril de 2018, por ele ter sido condenado, em segunda instância, no caso do tríplex do Guarujá, e a soltura veio em 8 de novembro de 2019, porque o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a considerar a prisão em segunda instância inconstitucional. Em 2021, o STF anulou as condenações de Lula no âmbito da Operação Lava Jato, por considerar a 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba incompetente para julgar os casos, e decidiu que Sergio Moro era suspeito para julgar o então ex-presidente no caso do tríplex.

Segundo André Coelho, o PT passou a ficar "muito fraco" no final do governo Dilma e assim permaneceu até os primeiros meses do governo Bolsonaro (PL). Contribuíram para esse cenário também, avalia, os casos de corrupção que marcaram as gestões petistas no Governo Federal e a dificuldade de figuras históricas do partido em entender mudanças no que diz respeito à comunicação política. "A comunicação política do PT ficou muito engessada. Hoje já se entende que o PT não conseguiu se comunicar de maneira muito bem-sucedida, como, por exemplo, o bolsonarismo conseguiu. Especialmente quando você pensa em mídias sociais. Então eu acho que esse foi um problema muito sério. As coisas aconteciam, e o PT não conseguia responder a tempo e não conseguia chegar aonde deveria chegar e mostrar aí que ele chegou de maneira muito bem-sucedida", fala o cientista político.

Para André, com a volta de Lula à Presidência, o Partido dos Trabalhadores tende a se fortalecer. Porque a sigla "mostrou uma capacidade de reinvenção muito grande, conseguiu uma capacidade também, especialmente no governo Bolsonaro, de vocalizar a oposição e de atrair alguns militantes". Além disso, Lula mostra "uma disposição maior do que a Dilma em construir uma coalizão que seja mais duradoura e vencedora". Mas, ressalta o especialista, o fortalecimento por meio do terceiro mandato do petista só ocorrerá se a gestão tiver um bom desempenho e o PT possuir "a capacidade de transferir esses bons resultados para votos. Isso é muito importante. O eleitor tem que saber que o governo do Lula foi o responsável, junto ao PT, por boas ações, se essas boas ações acontecerem. Isso pode trazer bons votos para ministros do governo Lula, por exemplo".

Desempenho

De acordo com a mestre em ciência política e professora da área na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Ana Tereza Duarte, "o destino do Partido dos Trabalhadores depende totalmente do êxito, do nível de sucesso que vai ter o governo Lula, se ele vai conseguir ter uma boa governabilidade, se ele vai conseguir trazer a estabilidade econômica, social e política para o Brasil". Ela reforça que o PT é o partido mais tradicional do Brasil e tem o maior número de militantes, mas também é a sigla "que está com a imagem mais desgastada no país".

"E ter um presidente da República novamente é algo bom para um partido político, mas a gente também sabe que Lula foi eleito, não o PT. Na verdade, provavelmente qualquer outro candidato que o Partido dos Trabalhadores apresentasse teria perdido. E Lula só ganhou porque Lula é Lula. Então a melhora da imagem do Partido dos Trabalhadores vai depender totalmente de como serão estes próximos quatro anos de governo", afirma Ana.

Segundo a cientista política também, chegará um momento no qual o PT precisará escolher outro nome para concorrer à Presidência que não Lula, se quiser continuar participando do pleito, e, por enquanto, "não existe absolutamente nenhum com o mesmo poder dele. Então o Partido dos Trabalhadores uma hora vai ter que encarar isso". O petista tem 77 anos.

Ana aponta os escândalos de corrupção registrados nos governo Lula e Dilma como "o principal fator que sujou a imagem do PT". "Teve o julgamento do mensalão em 2012, um ano antes das Jornadas de Junho. Então a gente sabe que o PT realmente é uma sigla que está muito associada a escândalos de corrupção, então mesmo que ele tente se reconstruir, é claro que ele sempre vai ser um partido que vai estar aí sendo acusado de ser corrupto. Então, o PT vai ter que realmente ser muito bom para tentar reconstruir sua imagem de partido político".

PT em números

O Partido dos Trabalhadores tem mais de 2,5 milhões de filiados. Na atual legislatura no Congresso, são nove senadores e 73 deputados. Além disso, a sigla tem quatro governadores: Jerônimo Rodrigues, na Bahia, Elmano de Freitas, no Ceará, Rafael Fonteles, no Piauí, e Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, são 18 deputados petistas - a segunda maior bancada, atrás apenas dos 19 do PL. Em Minas Gerais e Rio de Janeiro, o segundo e o terceiro maior colégio, respectivamente, são 12 e sete.

As legislaturas em que o PT teve mais senadores foram as de 2003-2007 e 2011-2015, com 13 em cada. No primeiro período, teve o segundo maior número de deputados federais de sua história (95), e no segundo, o maior (110). Foi também no período de 2011 a 2015 que o PT teve o maior número de governadores de sua história, com cinco, e o maior número de deputados estaduais em São Paulo (27).

Na última legislatura (2019-2023), a legenda teve sete senadores e 63 deputados federais. No período, foram quatro governadores, dez deputados estaduais em São Paulo, dez em Minas Gerais e dois no Rio de Janeiro.

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