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Amaparque: projeto promete revolucionar a preservação amazônica

Apresentado na COP-27, objetivo é colocar o Amapá como destaque no circuito de turismo sustentável

Amaparque: projeto promete revolucionar a preservação amazônica
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Preservar a biodiversidade da Região Amazônica tem sido uma preocupação das principais lideranças mundiais. Pensando nisso, o Governo do Amapá apresentou nesta 3ª feira (15.nov) na Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-27), no Egito, o projeto do Amaparque. O espaço conta com área de 6,5 mil hectares e quando for implantado será o maior parque metropolitano do mundo. Ele ainda está em fase de estudos técnicos e promete ser uma grande área de conservação para lazer, turismo e práticas esportivas, além de um dos mais importantes estudos científicos sobre proteção à região úmida e urbana amazônica. 

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"É importante a cooperação técnica internacional e apoio financeiro porque favorece a implantação de um modelo de desenvolvimento que proporcione qualidade de vida aos moradores da região, sobretudo na Bacia do Igarapé da Fortaleza, na Região Metropolitana dos municípios de Macapá e Santana", pontuou o secretário de Planejamento do Amapá, Eduardo Tavares.

O projeto foi desenvolvido pelo urbanista André Graziano e idealizado pela Phytorestore do Brasil, responsável pelos estudos científicos. A empresa foi contratada pelo Governo por ser referência na tecnologia de fitorremediação dos jardins filtrantes para o tratamento de esgoto e águas de escoamento superficial, uma técnica de solução baseada na natureza mundialmente reconhecida pela ciência de baixo impacto ao meio ambiente.

"O Amaparque prevê a melhoria da mobilidade urbana com a oferta de ciclovias e calçadas acessíveis em parques lineares espalhados por diversos pontos, que aumentarão o acesso da população às áreas de ressaca. Também serão implantados jardins filtrantes no bairro Macapaba, para tratar o esgoto produzido no local. Isso será feito através de um conjunto de filtros plantados, sem a adição de componentes químicos e que possibilita o tratamento do esgoto dentro dos parâmetros da legislação federal e estadual competentes," explica Graziano.

Principais objetivos

Uma das principais metas do Amaparque é transformar as Ressacas da Bacia do Igarapé da Fortaleza no único Sítio Ramsar no mundo em área urbana (Área da Convenção Ramsar). 

O Sítio Ramsar é uma chancela internacional para áreas úmidas que preservam grande valor ambiental, permitindo aumentar a proteção desse ecossistema. O Governo do Estado do Amapá buscará esse reconhecimento para as Ressacas da Lagoa dos Índios. Segundo dados da WRI (World Resources Institute), recuperar cerca de 40% da cobertura global desse tipo de bioma até 2050 poderia reduzir os níveis de CO2 em uma gigatonelada por ano.

Para isso, uma equipe de mais de 200 profissionais foi a campo ao longo de 2022, para coletar dados sobre a vegetação, fauna, clima, solo, águas e diversos outros atributos, que irão embasar cientificamente a proposta de proteção das áreas de ressaca da Bacia Hidrográfica do Igarapé Fortaleza. São inúmeros estudos e pesquisas realizados, alguns deles desenvolvidos pela primeira vez na área, com o objetivo de compreender e registrar a riqueza e importância desse ecossistema local.

A importância das Ressacas para o Amaparque

A relevância das Ressacas está na sua capacidade de funcionar como o rim humano. Elas absorvem e filtram a água, reduzem a poluição e melhoram a qualidade do clima. 

Para entender melhor: "Ressaca" é o termo local usado para denominar as áreas úmidas do Amapá, que são extensas áreas alagáveis, de extrema importância para o ecossistema mundial. Consideradas berçários da diversidade, as Ressacas servem como habitat e local para a reprodução de 40% das espécies de fauna e flora em todo o mundo. 

"Ao longo dos anos, nossas Ressacas sofreram com a destruição da natureza, a poluição das águas e o desmatamento. Chegou a hora de preservá-las através de um projeto exemplar de intervenção urbana ambiental, baseado em conhecimento científico, com prerrogativa de respeito, eficiência energética, acessibilidade e sustentabilidade," afirma Lilian Hengleng, diretora comercial da Phytorestore do Brasil, empresa que desenvolveu o projeto. 

Estima-se que essas áreas fornecem água e alimento para mais de 1 bilhão de pessoas em todo o planeta. Entretanto, devido aos avanços urbanos e atividades irregulares sobre as zonas úmidas, essas áreas estão em risco, desaparecendo três vezes mais rapidamente que as florestas. Desde 1.700, 90% dessas áreas desapareceram em todo o mundo.

As Ressacas são a jóia do povo amapaense, compostas por canais, nascentes, lagoas e inúmeros igarapés. Um patrimônio não só ambiental, mas também cultural, econômico e de identidade local para a população, sendo fonte de sustento e moradia de muitas famílias. 

Governo do Amapá defende a criação do espaço durante a COP-27, no Egito | Divulgação Governo AP

Amaparque: as contribuições

Mobilidade: O Amaparque prevê a melhoria da mobilidade urbana com a oferta de ciclovias e calçadas acessíveis em parques lineares espalhados por diversos pontos, que aumentarão o acesso da população às áreas de ressaca. 

Urbanismo: Dentre as intervenções urbanas realizadas pelo projeto, serão implantados Jardins Filtrantes no bairro Macapaba, com o objetivo de tratar um volume diário de 4.800m³ de esgoto produzido pelas atividades do bairro. Ocupando uma área total de 35.000 m² e atendendo a uma população de 30 mil habitantes, os Jardins Filtrantes são uma tecnologia sustentável baseada na natureza de tratamento de esgoto a partir de um conjunto filtros plantados, sem a adição de componentes químicos e que possibilita o tratamento do esgoto dentro dos parâmetros da legislação federal e estadual competentes. 

Saneamento: uma questão de extrema importância não só para a preservação da natureza, mas também para a saúde dos amapaenses. Atualmente, mais de 75% da população não conta com nenhum tipo de coleta e tratamento de esgoto (Atlas Esgotos, 2022). Este será o primeiro modelo de Jardim Filtrante do estado, uma tecnologia baixo impacto ao meio ambiente e que poderá ser replicada em diversas outras localidades.

Um projeto de biodiversidade

Pesquisadores do projeto afirmam que o Amaparque já nasce como o maior projeto de biodiversidade e recuperação de ecossistema de áreas úmidas da região amazônica. Ele tem base em estudos científicos, trabalhados nas principais metodologias nacionais (SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação) e internacionais (IUCN - União Internacional para Conservação da Natureza). Além da criação de unidades de conservação na Bacia Hidrográfica do Igarapé Fortaleza, outros itens fazem parte do programa de preservação.

São eles:

Criação de Centro de Convivência da Ressaca: o Centro de Vivência da Ressaca, carinhosamente apelidado de Pituzão, será um centro de educação ambiental sobre a ressaca, que contará com biblioteca fixa e circulante fluvial, lanchonete e áreas de lazer. Esse centro de arquitetura sustentável, localizado às margens da Lagoa dos Índios na Rodovia Duca Serra, possibilitará um maior contato com a ressaca, a partir de cais e trapiches, além de decks secos e molhados, acomodando práticas esportivas e recreativas aquáticas juntamente com atividades culturais em geral.

Criação do Farol da Comunidade: os Faróis da Comunidade serão torres de observação espalhadas espalhados por diversos pontos da Bacia Hidrográfica do Igarapé Fortaleza, as quais possibilitaram a população ver do alto toda a área das ressacas. Eles serão importantes pontos para o monitoramento e controle do meio ambiente, auxiliando na segurança local e na identificação de focos de queimadas, além de formar um circuito ecoturístico para a observação de pássaros nativos. 

Recepção Turística: o Centro de Recepção Turística, na Rodovia Duca Serra, será um espaço amplo e acolhedor a turistas e de toda a população da região metropolitana, permitindo a interação entre modais turísticos, estacionamento, permanência e o traslado de caminhão-cegonha. Além disso, o espaço contará com um centro de convenções para eventos, comércio, serviços e receptivos turísticos. 

Criação de um Ecomuseu: equipamento voltado para a educação ambiental e propagação da cultura e arte amapaense, onde estudantes, moradores, pesquisadores e turistas.

Lagoa dos índios tem 54,2 km² e abrange ressacas dos municípios de Macapá e Santana | Divulgação Governo AP
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