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Brasil

Justiça investiga tortura contra suspeito de desaparecimentos

Amarildo Pereira, único preso até o momento diz ter sido torturado por policiais para confessar

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buscas por jornalista e indigenista
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A Justiça do Amazonas determinou uma investigação para apurar se houve tortura contra o único preso por suspeita de envolvimento no desaparecimento de Dom Philips e Bruno Pereira. As buscas pelo indigenista da Funai e pelo jornalista britânico na amazônia entraram no sétimo dia.

O movimento da operação das equipes de busca ao indigenista Bruno Pereira e jornalista britânico Dom Phillips chama a atenção da população de Atalaia do Norte. No porto da cidade, olhos curiosos observam a chegada de soldados, o trabalho de policiais federais. 

Na imensidão do Vale do Javari, as buscas também são feitas pelo ar. São mais de 85 mil quilômetros quadrados de mata fechada e rios caudalosos. A equipe do SBT acompanhou uma equipe do exército em um percurso pelos rios Javari e Itaquaí, onde segundo testemunhas, Bruno e Dom foram vistos pela última vez.  

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Na comunidade Santa Cruz, um casal de ribeirinhos nunca ouviu falar em um desparecimento como este na região e está assustado "Nós estamos com quarenta e poucos anos que mora aqui, mas nunca vi ninguém desaparecer, a primeira vez foi agora, nós ouvimos falar né, porque ver ninguém viu, assusta" Diz o agricultor Augusto Vieira de Souza.

Os militares, vasculham quilômetros e mais quilômetros de rio e floresta alagada. Além do leito principal dos rios, as equipes de buscas percorrem trechos chamados de furos, braços d'agua que se formam durante o período chuvoso, interligam igarapés e lagos. Essa é mais uma das dificuldades dessa operação, porque existem milhares de pontos como esse.

Indígenas fazem buscas por conta própria e no sétimo dia sem sucesso, a esperança diminui "A gente tava com a esperança de ter eles vivos, mas hoje a gente viu que encontrar eles com a vida não tem mais esperança não, é muito tempo - a nossa equipe está trabalhando 24 horas - estamos entrando nos igarapés, mas não temos mais esperanças de encontrar eles com vida" afirma Lucas Morubo, integrante da União Povos Vale Javari.

Em meio as investigações do desaparecimento, Amarildo Pereira, único suspeito preso até o momento, teria dito em depoimento, que foi torturado por policiais militares para confessar o envolvimento no caso.

Após o relato, a defensora pública Thatiana David Borges - que acompanhou Amarildo na audiência de custódia - na última 5ª feira (9.jun), pediu apuração da Justiça. 

A juíza Jacinta Silva Santos, do Fórum de Atalaia do Norte, determinou que o Ministério Público investigue se foram cometidos maus tratos ou tortura contra o suspeito preso. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, afirmou que não compactua com desvios de conduta e também vai apurar se houve excessos.

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