Política

Lula faz mea culpa em recado a governos de esquerda: “Nos tornamos o sistema”

Em discurso na 1ª reunião da Mobilização Progressista Global, em Barcelona, presidente diz que progressistas devem cumprir agenda pela qual foram eleitos

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Lula discursa durante o encontro progressista na Espanha | Ricardo Stuckert/PR
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Em pronunciamento na 1ª reunião da Mobilização Progressista Global, em Barcelona, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou um recado à esquerda ao dizer neste sábado (18) que a ascensão da extrema-direita pelo mundo está ligada a uma desconexão entre o discurso e a prática de governos progressistas.

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Para Lula, partidos de esquerda perderam a credibilidade entre o eleitorado por assumir mandatos com uma promessa mas, quando no governo, aplicarem medidas de austeridade fiscal e contração de gastos públicos.

Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende que o outro lado se apresenta agora como antissistema. O primeiro mandamento para os progressistas tem que ser a coerência. Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo, mesmo que boa parte da população não se veja como progressista, ela quer o que nós propomos”, afirmou o petista a uma plateia formada por líderes globais em defesa da democracia e do multilateralismo.

O petista disse que a falta do cumprimento de pautas ligadas à garantia de acesso digno a serviços básicos e uma jornada de trabalho equilibrada com o ganho salarial foi capitalizada pela extrema-direita, que “canalizou a frustração das pessoas inventando mentiras e mais mentiras".

Na fileira em frente a Lula acompanharam o discurso figuras como o ex-premiê da Espanha José Luis Zapatero (2004-2011) e o atual, Pedro Sánchez; a primeira-dama Janja; e o governador de Minnesota, Tim Walz, candidato a vice-presidente pelo Partido Democrata na chapa de Kamala Harris em 2024.

“A gente tem que entender uma coisa muito importante: várias vezes fomos vítimas da nossa inocência política. Quantas vezes, Pedro [Sánchez], a gente ganha a eleição e depois a imprensa, o sistema financeiro, os acadêmicos conservadores escrevem artigos e matérias na imprensa obrigando a gente a tentar destruir aquilo que foi a razão da nossa eleição? A gente vai ficando com medo, tentando agradar o mercado, agradar o empresário. E o que acontece é que nós acabamos ficando desmoralizados", afirmou.

Lula apontou o dedo para bilionários como os verdadeiros culpados pela crise global e atribuiu ao grupo – que, segundo a Forbes, reúne hoje 3.428 pessoas – a responsabilidade pela concentração de renda, a destruição da natureza, a fragmentação social via manipulação de algoritmos e a exploração do trabalho.

Na sequência, o petista soltou uma indireta mirando a família Bolsonaro ao citar as incongruências praticadas pela direita.

“Nosso papel é desmascarar essas forças, aqueles que dizem estar ao lado do povo, mas governam para os mais ricos. Que dizem ser patriotas, mas põem a soberania à venda e pedem sanções contra o seu próprio país; que proclamam defender a família, mas fecham os olhos para a violência contra as mulheres e o abuso sexual de crianças; que se declaram donos da verdade, mas espalham mentiras e desinformação; que se consideram homem de Deus, mas não tem amor ao próximo; que falam em liberdade, mas perseguem quem é diferente”.

Mais cedo, durante o 4ª encontro do Fórum em Defesa da Democracia, Lula voltou a criticar a Organização das Nações Unidas (ONU) pela incapacidade de impedir conflitos globais. Durante a tarde, ele fez uma cobrança direta voltada aos líderes dos EUA, China, França, Reino Unido e Rússia, que compõem o núcleo duro do Conselho de Segurança e tem direito a vetar resoluções.

Yamandu Órsi, Claudia Sheibaum, Gustavo Petro e Lula | Ricardo Stuckert/PR
Yamandu Órsi, Claudia Sheibaum, Gustavo Petro e Lula | Ricardo Stuckert/PR

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