Venezuela é atacada pelos EUA e declara estado de emergência
Explosões foram ouvidas durante a madrugada deste sábado (3) em várias regiões do país; governo convocou plano de mobilização

Camila Stucaluc
A Venezuela foi alvo de explosões na madrugada deste sábado (3). Em comunicado, o governo acusou os Estados Unidos de lançar uma agressão militar contra o país, atingindo alvos civis e militares na capital, Caracas, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
“Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos artigos que consagram o respeito pela soberania, a igualdade e a proibição do uso da força. Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na América Latina e no Caribe, e põe em risco a vida de milhões de pessoas”, disse o governo venezuelano.
Segundo relatos, a primeira explosão foi registrada por volta de 1h50 da madrugada (2h50 no horário de Brasília), em Caracas. Ao menos outras sete explosões foram ouvidas na capital, além de aeronaves sobrevoando a região. Pedestres que estavam nas ruas correram ao ouvir os estrondos.
“O objetivo da ação americana é assumir o controle dos recursos estratégicos da Venezuela, em especial as reservas de petróleo e minerais. O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada”, acrescentou o governo.
O ataque ocorreu após uma tensão militar de quatro meses entre os países. Em setembro do ano passado, Washington iniciou uma operação naval contra o narcotráfico no Caribe e no Pacífico, perto das costas da Venezuela e da Colômbia. Trump acusa cartéis latino-americanos de transportarem drogas para o país pelo mar.
A operação despertou alerta no governo de Nicolás Maduro, que iniciou uma mobilização de militares e milicianos para reforçar o patrulhamento da fronteira. Isso porque o líder venezuelano temia que a operação naval norte-americana fosse uma ofensiva disfarçada, com o objetivo de mudar o regime do país à força.
Nesta semana, Trump revelou que os Estados Unidos atacaram uma “grande instalação portuária” na Venezuela na última sexta-feira (26), usada para o “carregamento de drogas”. A operação, comandada pela Agência Central de Inteligência (CIA), marcou o primeiro ataque terrestre no país sul-americano desde o início da campanha de Washington contra cartéis de drogas na América Latina.








