Presidente do Irã confirma negociações com EUA e diz que conversas devem ser 'justas'
Líder norte-americano vem pressionando país a limitar ou abandonar programa nuclear; encontro entre representantes deve acontecer na sexta-feira (6)


Camila Stucaluc
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse nesta terça-feira (3) que instruiu seu governo a buscar negociações “justas e equitativas” com os Estados Unidos. A declaração ocorre em meio à escalada de tensão entre os países, provocada pelo programa nuclear iraniano.
“Instruí meu Ministro das Relações Exteriores, desde que exista um ambiente adequado — livre de ameaças e expectativas irrazoáveis — a buscar negociações justas e equitativas, guiadas pelos princípios de dignidade, prudência e conveniência. Essas negociações serão conduzidas dentro do âmbito dos nossos interesses nacionais”, disse Pezeshkian.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandado, Trump tenta pressionar o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, Trump disse cogitar uma operação militar caso o Irã não chegue a um novo acordo nuclear. Uma frota liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln foi enviada ao país, sendo maior do que a designada para a operação norte-americana na Venezuela, realizada em 3 de janeiro, a qual resultou na captura do ditador Nicolás Maduro sob acusações de narcoterrorismo.
A expectativa é que autoridades norte-americanas e iranianas se encontrem na sexta-feira (6), na Turquia, para debater o tema. O enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner, devem participar da reunião, bem como diplomatas do Egito, Omã, Paquistão, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que avaliam a situação.









