Economia

Fertilizantes ficam mais caros com guerra no Irã e risco de falta preocupa o Brasil

China e Rússia suspendem exportações, e bloqueio no Estreito de Ormuz ameaça abastecimento global

A guerra envolvendo o Irã já impacta o agronegócio global. Grandes produtores como China e Rússia anunciaram a suspensão das exportações de fertilizantes para priorizar o abastecimento interno, o que aumenta o risco de falta do insumo no Brasil.

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O principal problema não é apenas o aumento de preços, mas a disponibilidade. O conflito ameaça o transporte de insumos pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para fertilizantes à base de nitrogênio produzidos por países como Irã e Catar.

Com a instabilidade na região, há risco de interrupção no fluxo de navios, o que compromete o abastecimento global.

Atualmente, cerca de 85% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior, o que deixa o agronegócio brasileiro vulnerável a crises internacionais.

Em março, o Brasil importou cerca de 7 milhões de toneladas de fertilizantes — uma queda de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o governo federal.

Preços já estão subindo

Com menor oferta no mercado, o preço dos fertilizantes importados já subiu cerca de 20%. Especialistas afirmam que a situação segue a lógica básica da economia: quando há menos produto disponível, os preços aumentam.

O cenário é mais preocupante pela falta de produto do que pelo custo. Frederico Bernardez, presidente da ABREFE, afirma que o fechamento do Estreito de Ormuz pode agravar ainda mais a escassez e gerar impacto prolongado no abastecimento.

"Mais do que uma crise de aumento do preço dos fertilizantes, a gente tem uma crise de disponibilidade. A gente tem o Estreito de Ormus fechado, sem previsão de abertura, e isso atrapalha cada vez mais a demanda que a gente vai acumulando ao longo desse tempo," afirma Frederico.

Diante da crise, o país busca alternativas para reduzir a dependência externa. O Brasil já possui matéria-prima e tecnologia para avançar na produção de fertilizantes, incluindo bioinsumos e técnicas de remineralização do solo, com apoio de instituições como a Embrapa.

A falta de fertilizantes pode impactar diretamente a produção agrícola, reduzindo a produtividade e pressionando os preços dos alimentos.

Além disso, a insegurança no abastecimento já faz agricultores desacelerarem as compras, aguardando maior previsibilidade no mercado.

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