'Brasil tem instituições fortes, mas precisa avançar na regulação da corrupção', diz ex-secretário da Segurança Pública
Para Mário Sarrubo, é necessário também ampliar a participação da sociedade, com maior cobrança por transparência e resultados no combate ao problema


SBT News
O Brasil construiu uma base institucional sólida, com um Ministério Público e um Judiciário fortes, mas precisa avançar na valorização e no fortalecimento dos órgãos responsáveis pela fiscalização e regulação da corrupção para caminhar rumo a uma sociedade mais ética.
A avaliação é do ex-secretário nacional de Segurança Pública Mário Sarrubbo, um dos principais formuladores da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública (PEC 182/25), aprovada neste mês pela Câmara dos Deputados.
Para Sarrubbo, é necessário também ampliar a participação da sociedade, com maior cobrança por transparência e resultados no combate à corrupção. Segundo ele, além de um arcabouço legal adequado, é indispensável contar com processos mais ágeis, que permitam a aplicação rápida e efetiva das punições.
"Precisamos de uma sociedade mais ativa, que cobre mais, mas também de mecanismos processuais que garantam resultados mais céleres, permitindo a responsabilização e a mudança", afirmou Sarrubbo na segunda-feira (30), durante o 10º Seminário Caminhos contra a Corrupção, realizado na Faculdade de Direito da USP.
Promovido pelo Inac (Instituto Não Aceito Corrupção) e com coordenação científica de Miguel Reale Jr., Rita de Cássia Biazon e Roberto Livianu, o seminário propôs uma reflexão crítica e interdisciplinar sobre os desafios do enfrentamento à corrupção no Brasil e no mundo.
Com duração de dois dias, encerrando-se nesta terça-feira (31), o evento reuniu especialistas de diversas áreas para discutir não apenas as causas do problema, mas também possíveis caminhos para combatê-lo de forma mais eficaz.
Durante o encontro, foram debatidas a crise nas instituições políticas e seus reflexos no aumento da desconfiança pública. Também estiveram em pauta o uso de emendas parlamentares como instrumento de barganha política e os recorrentes escândalos de desvio de recursos públicos.
Os participantes destacaram ainda a importância da educação como ferramenta de transformação social e de resistência a práticas ilícitas. A formação cidadã foi apontada como um dos pilares para reduzir, no longo prazo, a tolerância à corrupção.









