Lira prepara 'troco' a Lula e deve apoiar Flávio
Aliados do senador eleito falam em resposta à entrada de Lula na disputa em Alagoas, onde presidente pediu votos para Renan Calheiros e Dr. Wanderley

Arthur Lira e Lula em evento na Câmara dos Deputados | Foto: Marina Ramos/CD
Eleito senador por Alagoas, Arthur Lira (PP) deve endossar o movimento da cúpula do partido para apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.
Aliados próximos a Lira ouvidos pela coluna afirmam que o posicionamento será também uma espécie de “troco” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que entrou diretamente na disputa pelo Senado em Alagoas e pediu votos para dois adversários do ex-presidente da Câmara.
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No primeiro turno, Lira trabalhou pela neutralidade do PP na eleição presidencial. O partido não aderiu formalmente nem a Lula nem a Flávio.
Na reta final da campanha, porém, Lula desembarcou em Maceió e pediu explicitamente aos eleitores alagoanos que dessem os dois votos para o Senado a Renan Calheiros e Dr. Wanderley, ambos do MDB.
Durante o ato, realizado em 24 de setembro, Lula apresentou Renan e Wanderley como seu “time” e defendeu a eleição de senadores alinhados ao governo. Sem citar Lira nominalmente, o presidente afirmou que o eleitor não poderia escolher “um senador contra”.
A manifestação foi recebida pelo entorno de Lira como uma entrada direta de Lula na disputa estadual contra o ex-presidente da Câmara.
Lira acabou eleito para o Senado com 28,87% dos votos. A segunda vaga ficou com Marina JHC (PSDB), que recebeu 28,2%. Renan terminou em terceiro, com 22,24%, enquanto Dr. Wanderley teve 10,91%.
Passado o primeiro turno, a neutralidade defendida anteriormente por Lira deve dar lugar ao apoio a Flávio.
A cúpula do PP discute o posicionamento da legenda no segundo turno, e dirigentes defendem uma declaração de apoio ao candidato do PL. Lira, segundo aliados, deve acompanhar esse movimento.
O gesto acrescenta um novo capítulo à relação entre Lula e Lira. Durante o terceiro mandato do petista, o então presidente da Câmara foi um dos principais interlocutores do Palácio do Planalto no Congresso, embora a relação entre os dois tenha atravessado períodos de tensão.
Agora, aliados de Lira afirmam que a atuação de Lula em Alagoas pesará na decisão do senador eleito.
Na avaliação desses interlocutores, ao escolher Renan e Wanderley e pedir abertamente os dois votos para a dupla, Lula deixou de lado a neutralidade que Lira havia adotado na disputa presidencial.
Com o segundo turno, Lira prepara o movimento inverso: deve deixar a neutralidade e apoiar Flávio contra Lula.

























