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Flávio recebeu Rolex de diretor de empresa punida por fraude

Senador ganhou relógio de luxo de executivo da Precisa Medicamentos, multada em R$ 3,8 milhões pela CGU por fraudes na negociação da vacina Covaxin

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Túlio Amâncio
Flávio Bolsonaro em Aracaju; senador recebeu Rolex de empresa punida por fraude durante covid-19 | Charles Vieira/Divulgação/Campanha Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro em Aracaju; senador recebeu Rolex de empresa punida por fraude durante covid-19 | Charles Vieira/Divulgação/Campanha Flávio Bolsonaro

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu um relógio Rolex de um executivo da Precisa Medicamentos, empresa que foi multada em R$ 3,8 milhões pela Controladoria-Geral da União (CGU) por fraudes na negociação de vacinas contra a Covid-19 com o governo federal. A informação sobre o presente foi revelada nesta quarta-feira (21) pela revista piauí e confirmada pelo SBT News.

Flávio participou, em 17 de julho de 2020, de um churrasco em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, organizado por Danilo Berndt Trento, então diretor de relações institucionais da Precisa, e Francisco Emerson Maximiano, proprietário da empresa.

A intenção dos empresários, segundo a reportagem, era se aproximar do governo do então presidente Jair Bolsonaro e abrir caminho para a negociação da vacina indiana Covaxin, que seria oferecida ao Ministério da Saúde.

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Ao fim do encontro, Trento teria retirado um relógio Rolex do próprio pulso e entregado o objeto de luxo ao senador.

Relação com o dono da Precisa

A aproximação entre Flávio Bolsonaro e Francisco Maximiano não teria ficado restrita ao encontro na lancha.

Segundo informações apuradas pela piauí e confirmadas pelo SBT News, cerca de três meses depois do churrasco, o senador atuou para facilitar uma reunião entre Maximiano e Gustavo Montezano, então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O encontro tinha como objetivo discutir possibilidades de financiamento para um empreendimento do empresário no setor de telecomunicações.

Quando essa intermediação veio a público anteriormente, Flávio afirmou que não mantinha relação comercial ou financeira com o empresário.

Durante a CPI da Pandemia, em 2021, o senador também saiu em defesa da Precisa Medicamentos e elogiou publicamente Emanuela Medrades, então diretora da companhia, que prestou depoimento à comissão.

Empresa foi punida por fraudes na negociação de vacinas

A Precisa Medicamentos, que tinha Francisco Maximiano entre seus sócios, foi responsabilizada administrativamente pela CGU por irregularidades na tentativa de fornecer 20 milhões de doses da vacina Covaxin ao Ministério da Saúde.

O contrato, firmado em fevereiro de 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, tinha valor de aproximadamente R$ 1,6 bilhão. A empresa atuava como representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech, fabricante do imunizante.

Em decisão publicada no Diário Oficial da União em 15 de janeiro de 2024, a CGU concluiu que a Precisa apresentou documentos adulterados durante a negociação, incluindo montagens, traduções indevidas, procuração falsificada e carta de fiança falsa.

A Controladoria também apontou irregularidades nas faturas apresentadas pela companhia, que continham informações de cobrança diferentes das condições estabelecidas no contrato.

A punição incluiu uma multa de R$ 3.879.251,35 e a declaração de inidoneidade da empresa, impedindo-a de participar de licitações e contratar com a administração pública até cumprir os requisitos legais de reabilitação.

O contrato da Covaxin acabou cancelado em 2021, após denúncias de irregularidades. O Ministério da Saúde não chegou a efetuar o pagamento pela compra das vacinas.

O que diz a defesa

Durante a investigação sobre a Covaxin, a defesa da Precisa e de Francisco Maximiano atribuiu a responsabilidade pelas irregularidades documentais à Envixia Pharmaceuticals, outra intermediária envolvida na operação.

Procurados pelo SBT News, Danilo Trento e Francisco Maximiano não se manifestaram sobre as revelações. Flávio Bolsonaro não se manifestou.

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