Falas atabalhoadas de Daniella irritam campanha de Flávio
Aliados criticam declarações sem alinhamento prévio e avaliam que coordenadora econômica tem provocado desgastes desnecessários na reta final da eleição

Daniella Marques (Republicanos) presidiu a Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) | Reprodução/Instagram
As declarações da coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, têm provocado incômodo entre integrantes do núcleo político da candidatura. Aliados avaliam que ela tem feito anúncios de maneira atabalhoada, sem o consentimento prévio da equipe, e criado desgastes desnecessários em um momento considerado crucial para a disputa presidencial.
Segundo apuração da coluna, o desconforto aumentou após Daniella apresentar, nesta segunda-feira (19), uma proposta relacionada ao Bolsa Família que acabou explorada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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A avaliação de integrantes da campanha de Flávio é que Daniella não conseguiu explicar a medida com clareza e abriu uma nova frente de desgaste às vésperas do segundo turno.
Há também críticas à exposição da coordenadora econômica, que tem concedido entrevistas sobre medidas de um eventual governo Flávio sem que todas as declarações sejam previamente discutidas com o núcleo político da candidatura.
Nos bastidores, aliados consideram que a falta de alinhamento tem obrigado a campanha a gastar tempo e energia para esclarecer propostas e conter repercussões negativas, em vez de concentrar esforços na conquista de votos.
Não é a primeira vez que Daniella antecipa publicamente medidas de um eventual governo Flávio. No início de outubro, a coordenadora afirmou, em entrevista ao jornalista Claudio Dantas, que a candidatura pretendia acabar com o chamado split payment, mecanismo de recolhimento automático de impostos previsto na reforma tributária.
Na ocasião, também anunciou que uma equipe de especialistas trabalhava em uma revisão da reforma tributária. As declarações são citadas nos bastidores como exemplo da exposição de propostas econômicas antes de um alinhamento político mais amplo.
O episódio mais recente ocorreu durante entrevista à rádio CBN Salvador. Daniella afirmou que um eventual governo Flávio adotaria uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguissem emprego com carteira assinada ou abrissem um negócio.
Segundo a coordenadora, essas famílias poderiam retornar ao programa caso a nova fonte de renda não se sustentasse.
A declaração foi explorada por aliados de Lula nas redes sociais, que passaram a associar a proposta ao encerramento do benefício após esse período.
A repercussão levou o próprio Flávio a publicar um vídeo para negar que pretenda estabelecer um prazo máximo de permanência no Bolsa Família.
O episódio ampliou a insatisfação de integrantes da campanha com a atuação de Daniella. A avaliação é que, na reta final da eleição, declarações sobre programas sociais precisam ser cuidadosamente alinhadas para evitar interpretações que possam prejudicar a candidatura.
Apesar das críticas, o incômodo relatado por aliados não significa, até o momento, uma decisão de afastar Daniella da coordenação econômica. O desconforto está concentrado na maneira como ela tem apresentado propostas e na falta de articulação prévia com a equipe política.

























