MPF apura disputa entre Flávio e Richarlison
Coletivo aponta suspeita de favorecimento na transferência de direito de ocupação de terreno da União a Flávio; imóvel de luxo era usado por família do jogador

Richarlison cobra Flávio sobre terreno no litoral do Rio | Reprodução
O coletivo Derrubando Muros encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) uma representação pedindo a investigação de possíveis irregularidades na transferência dos direitos de ocupação de um imóvel de luxo para o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O terreno, localizado no litoral do Rio de Janeiro, era anteriormente ocupado pela família do jogador Richarlison, do Tottenham.
Segundo a representação, há indícios de advocacia administrativa, crime que envolve o uso da função pública para defender interesses privados perante a administração pública. Entre os signatários do documento está o jurista Miguel Reale Jr.
O terreno pertence à União, e a disputa envolve o direito de ocupação, não a propriedade do imóvel.
"Não é uma mera disputa entre entes privados. Trata-se de patrimônio da União. É de todos os brasileiros", afirmou José Cesar Martins, coordenador do Derrubando Muros.
Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões, junto com sócios, na aquisição dos direitos sobre o imóvel. Segundo o jogador, após a negociação, surgiram interessados na propriedade, entre eles Flávio Bolsonaro.
"Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça", declarou o atleta nas redes sociais no sábado (17).
De acordo com o coletivo, a ocupação do imóvel pela família de Richarlison aguardava regularização pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) quando o jogador teria sido procurado pelo advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, com uma proposta de negociação.
Após a recusa, segundo a denúncia, Flávio e Willer teriam solicitado diretamente à SPU a regularização dos direitos de ocupação em favor do senador. O pedido teria sido atendido de forma excepcionalmente rápida, o que motivou os questionamentos encaminhados ao MPF.
A disputa judicial pelo imóvel começou em 2020 e teve um novo capítulo em 2022, quando uma empresa representada por advogado associado a Willer Tomaz obteve uma ordem de reintegração de posse.
Segundo a Justiça do Rio de Janeiro, o processo foi extinto em outubro de 2025, sem análise do mérito, após a renúncia de uma das partes. O caso foi arquivado em janeiro de 2026.
Flávio Bolsonaro já negou qualquer irregularidade e afirmou manter apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz. O empresário, por sua vez, sustenta que adquiriu legalmente os direitos sobre o terreno e pagou R$ 5 milhões para quitar pendências fiscais.
O coletivo afirma que não pretende defender os interesses particulares de Richarlison ou de Flávio, mas esclarecer se houve favorecimento indevido na destinação de um bem público.























