Centro-direita crava inédita ausência na corrida ao Planalto
Neutralidade de União Brasil, PP, MDB, Republicanos, Podemos e PSDB representa movimento inédito na história das eleições presidenciais desde 1989

Fernando Henrique Cardoso durante sua cerimônia de posse | Divulgação/Fundação FHC
A eleição de 2026 assiste a um fenômeno sem paralelo no atual período democrático: a neutralidade na disputa presidencial de 6 dos 8 principais partidos que formam o centro, a centro-direita e a direita brasileira nas últimas décadas.
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União Brasil, PP, Republicanos, MDB, Podemos e PSDB não terão candidato próprio nem integrarão uma coligação nacional, feito de uma envergadura jamais vista nas nove disputas anteriores.
Do total de grandes e médios partidos brasileiros que orbitam do centro à direita, apenas o PL de Flávio Bolsonaro e o PSD de Ronaldo Caiado lançaram candidatos, sendo que nenhum deles conseguiu atrair os demais para uma aliança formal.
Publicamente a explicação dada é que esses partidos preferem priorizar a eleição de deputados federais e senadores, sendo que uma coligação nacional poderia dificultar esse objetivo em estados menos propensos a votar no candidato nacional aliado.
Em linhas gerais, argumenta-se que uma aliança formal com Flávio seria prejudicial aos postulantes a uma vaga de deputado ou senador pelo Nordeste, já que essa é majoritariamente uma região mais simpática a Lula.
Para o petista, cujos aliados meses atrás flertaram com uma tentativa de aliança com MDB e PSD, a lógica se aplicaria, mas em relação ao Sul e Centro-Oeste, com inclinação mais bolsonarista.
Nos bastidores, o fracasso de Flávio Bolsonaro em atrair a aliança de partidos de centro-direita e direita representa também uma incerteza dessas legendas sobre as perspectivas da vitória do filho de Jair Bolsonaro em outubro.
Como mostrou o SBT News, o isolamento de Flávio, que vai para a disputa com Lula amparado apenas no PL, representa uma marca inédita desde a redemocratização. Em nenhuma das nove disputas até agora um dos líderes nas pesquisas chegou à disputa sem qualquer tipo de aliança.
Lula, que vai tentar seu quarto mandato, terá o apoio de sete partidos de centro-esquerda e de esquerda –PT, PSB, PDT, PSOL, Rede, PV e PC do B.
Outro ponto que pesou na ausência dos medalhões da centro-direita é a perspectiva de poder. Com boa parte dessas legendas tem o fisiologismo como marca indelével, buscando participar de governos de direita ou de esquerda, a neutralidade facilita as negociações com o vencedor, seja ele quem for.
O exemplo de 2022 é didático
PP e Republicanos apoiaram formalmente, na ocasião, a tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Derrotados nas urnas, passaram por uma espécie de quarentena no primeiro semestre de 2023.
Somente após isso conseguiram emplacar 1 ministro cada um na gestão Lula –sendo que MDB, PSD e União Brasil, que ou não tiveram candidatos ou lançaram nomes derrotados ainda no primeiro turno, receberam nove ministérios já no início da gestão petista.
O tamanho das alianças também define o tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio, que começa no dia 28.
O tempo oficial ainda será anunciado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas projeção feita pelo SBT News mostra que Lula deve ficar com cerca de 44% de todo o horário destinado à campanha presidencial.
Flávio ficaria com cerca de 34%; Ronaldo Caiado (PSD), com cerca de 16% e Augusto Cury (Avante), com cerca de 5%.
Os demais candidatos não terão direito a aparecer na propaganda de TV pelo fato de seus partidos não terem atingido um percentual de desempenho mínimo nas urnas, em 2022, ou por não existir à época, que é o caso do recém-criado Missão, de Renan Santos.
Veja o histórico dos seis partidos hoje neutros, de 1989 a 2022
UNIÃO BRASIL
Formado em 2022 pela fusão de DEM (ex-PFL) e PSL
- 1989 - candidatura própria de Aureliano Chaves
- 1994 - integrou a vitoriosa coligação de Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
- 1998 - integrou a vitoriosa coligação de Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
- 2002 - neutro na disputa
- 2006 - PFL integrou coligação de Geraldo Alckmin, do PSDB; PSL lançou Luciano Bivar
- 2010 - integrou a coligação de José Serra (PSDB)
- 2014 - DEM integrou a coligação de Aécio Neves (PSDB); PSL: integrou a candidatura de Marina Silva, do PSB
- 2018 - DEM integrou a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB); PSL lançou Jair Bolsonaro e venceu a eleição
- 2022 - candidatura própria de Soraya Thronicke
PP
Linhagem partidária (PDS, PPR, PPB)
- 1989 - candidatura própria de Paulo Maluf
- 1994 - candidatura própria de Esperidião Amin
- 1998 - integrou a vitoriosa coligação de Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
- 2002 - neutro na disputa
- 2006 - neutro na disputa
- 2010 - neutro na disputa
- 2014 - integrou a coligação vitoriosa de Dilma Rousseff (PT)
- 2018 - integrou a coligação de Geraldo Alckmin (PSDB)
- 2022 - integrou a coligação de Jair Bolsonaro (PL)
REPUBLICANOS
Criado em 2005 como PMR e rebatizado de PRB em 2006. Adotou o nome Republicanos em 2019
- 1989 a 2002 - Ainda não existia
- 2006 - integrou a coligação vitoriosa de Lula (PT)
- 2010 - integrou a coligação vitoriosa de Dilma Rousseff (PT)
- 2014 - integrou a aliança vitoriosa da reeleição de Dilma Rousseff (PT)
- 2018 - integrou a coligação de Geraldo Alckmin (PSDB)
- 2022 - integrou a coligação de Jair Bolsonaro (PL)
MDB
PMDB até 2017
- 1989 - candidatura própria de Ulysses Guimarães
- 1994 - candidatura própria de Orestes Quércia
- 1998 - neutro na disputa
- 2002 - integrou a coligação de José Serra (PSDB)
- 2006 - neutro na disputa
- 2010 - integrou a coligação vitoriosa de Dilma Rousseff (PT)
- 2014 - integrou a coligação vitoriosa da reeleição de Dilma Rousseff (PT)
- 2018 - candidatura própria de Henrique Meirelles
- 2022 - candidatura própria de Simone Tebet
PODEMOS
PTN até 2017
- 1989 e 1994 - Ainda não existia
- 1998 - candidatura própria de Thereza Ruiz
- 2002 - neutro na disputa
- 2006 - neutro na disputa
- 2010 - integrou a coligação vitoriosa de Dilma Rousseff (PT)
- 2014 - integrou a coligação de Aécio Neves (PSDB)
- 2018 - candidatura própria de Álvaro Dias
- 2022 - integrou a coligação de Simone Tebet (MDB)
PSDB
- 1989 - Candidatura própria de Mario Covas
- 1994 - Candidatura própria e vitoriosa de Fernando Henrique Cardoso
- 1998 - Candidatura própria e vitoriosa de Fernando Henrique Cardoso
- 2002 - Candidatura própria de José Serra
- 2006 - Candidatura própria de Geraldo Alckmin
- 2010 - Candidatura própria de José Serra
- 2014 - Candidatura própria de Aécio Neves
- 2018 - Candidatura própria de Geraldo Alckmin
- 2022 - integrou a coligação de Simone Tebet (MDB)

























