STF vê tentativa da PF de tirar casos de Lulinha de Mendonça
PF tem demonstrado insatisfação com decisões do ministro; após sorteio, no entanto, Mendonça assumiu relatoria também de novo inquérito

Ministro André Mendonça, do Supremo | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF
Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) viram no pedido da Polícia Federal de instauração de um novo inquérito sobre Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, com distribuição por sorteio, uma tentativa de retirar o caso da relatoria do ministro André Mendonça.
Mendonça é o relator da Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
Fábio é formalmente investigado no caso. No inquérito da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal identificou relações do empresário com o mercado de cannabis medicinal e passou a apurar suspeitas de tráfico de influência junto ao Ministério da Saúde.
Segundo apurou a coluna, há insatisfação na Polícia Federal com decisões recentes de Mendonça relacionadas à investigação do INSS. O ministro determinou que todos os atos da apuração fossem juntados ao processo que tramita em seu gabinete, que eventuais afastamentos de policiais da investigação fossem comunicados ao gabinete e que a PF apresentasse relatórios periódicos sobre o andamento das investigações.
Nesse contexto, o pedido da PF para instaurar um inquérito separado da Operação Sem Desconto e para que o relator fosse definido por sorteio levou integrantes do Supremo a interpretar a iniciativa como uma tentativa de afastar a nova investigação da relatoria de Mendonça.
Alexandre de Moraes, que exerce a Presidência do STF, concordou com o sorteio. O resultado, porém, foi que o próprio Mendonça acabou sendo sorteado para relatar o caso, frustrando a possível tentativa de manobra atribuída por integrantes da Corte à Polícia Federal.

























