Diamante e Cerantula
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Fábio Diamante e Robinson Cerantula revelam histórias e apurações exclusivas. Com carreira sólida e décadas de experiência, a dupla é especializada em jornalismo investigativo.

Polícia

Camarotes do Morumbis: investigação aponta que ex-esposa de Casares coagiu envolvidos em esquema ilegal

Em áudios, Mara Casares citou projeto de poder pessoal dentro do clube para tentar frear processo judicial

Imagem da noticia Camarotes do Morumbis: investigação aponta que ex-esposa de Casares coagiu envolvidos em esquema ilegal
Camarotes do Morumbis: ex-esposa de Casares coagiu envolvidos em esquema ilegal | Reprodução/Instagram
Robinson CerantulaMarcos Guedes

A investigação da Polícia Civil sobre a venda ilegal de camarotes do Morumbis aponta que Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, e que ocupava o cargo de diretora feminina e de eventos do São Paulo Futebol Clube, coagiu envolvidos no caso em defesa de seu projeto de poder pessoal dentro do clube.

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"Eu estou percorrendo dentro do São Paulo um caminho profissional de futuro para assumir coisas grandes. E eu vou ser prejudicada. Só isso. Eu falei isso para vocês sempre. Não podemos ter problema", disse Mara em áudios obtidos pela Polícia Civil.

A mensagem era para Rita de Cassia Adriana Prado, que atuava como intermediária na comercialização clandestina de camarotes no estádio do tricolor paulista. Ela recebeu o Camarote 3A, conhecido como "sala da presidência", em um movimento conjunto de Mara com Douglas Schwartzmann, então diretor-adjunto das categorias de base do clube. Os diálogos mostram ainda que o superintendente-geral Marcio Carlomagno tinha ciência do esquema.

O negócio paralelo começou a ruir quando Adriana teve um desacerto com uma empresa que adquiriu os ingressos clandestinos para um show da cantora Shakira, em fevereiro de 2025. O caso evoluiu para um processo judicial, o que trouxe os holofotes para o esquema.

"Adriana, posso falar? Vou pedir e já pedi hoje encarecidamente. Retire esse processo, por favor. A única prejudicada serei eu. E mais, serei eu, esse processo dará tanta volta, tanta volta, serão anos e anos, eu estarei f***** e você não vai ter recebido. Para a gente ter futuro, a gente precisa limpar o presente", pede Mara em outra mensagem.

Coação e pressão psicológica

Apreensivo com a possibilidade das autoridades descobrirem o esquema, Douglas passou a realizar coação moral e pressão psicológica contra Adriana. O argumento principal era a proteção política de Mara, Julio Casares e Carlomagno.

"Eu não tenho camarote lá. Veio de quem? O que vai acontecer: a Mara vai ter que se explicar. Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote pra explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube. E do Julio, porque ela é (ex) mulher do Julio", diz Douglas em áudio.

Para a Polícia Civil, a pressão sobre Adriana reforça a tese de estelionato, apropriação indébita, corrupção privada no esporte, associação criminosa e coação no curso do processo.

Nos áudios, Douglas não deixa dúvidas sobre os atos ilícitos cometidos pela turma.

"Você vai f**** com a vida da Mara, e o São Paulo vai ter que declarar que aquela camarote não era comercializado, que foi clandestino e que foi feito tudo de forma errada".
"E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou".

Vendo que a coação não teria sucesso, ele aconselha Mara a mentir em juízo e se passar de vítima no caso.

"Você vai ter que testemunhar contra a Adriana. Você vai falar que não teve participação, que você nunca deu nada, que você foi lesada. Que nem sabia disso. Vai ter que ficar do lado da outra lá".

Operação policial

Nesta quarta-feira (21), a Polícia Civil cumpriu quatro mandados de busca e apreensão na capital paulista contra três pessoas. Entre os alvos estão Douglas e Mara.

O que dizem os investigados

Douglas Schwartzmann

"No final do ano passado, quando tomou ciência da investigação pela mídia, a Defesa se dirigiu a Delegacia e informou que o Sr. Douglas Schwartzmann estava à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar esclarecimentos sobre os fatos.

Ato seguinte, no dia 9 de janeiro, a Defesa comunicou formalmente a Autoridade Policial que o Sr. Douglas faria uma viagem ao exterior na semana do dia 18 de janeiro, em razão de compromissos profissionais.

Inclusive, naquela oportunidade, apresentou-se cópia das passagens aéreas - ida e volta -, bem como a documentação comprobatória das atividades que faria no exterior.

Hoje, policiais civis se dirigiram a residência do Sr. Douglas e constataram o óbvio: ele não estava.

À toda evidência que a busca realizada na presente data - justamente quando as Autoridades tinham prévia ciência que Douglas estaria fora do país - tem a finalidade única de constrangê-lo, uma vez que tal medida foi totalmente inócua".

Mara Casares

"A Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares, por meio de seus advogados Rafael Maluf, Paula Stoco e Chiara de Siqueira, vem a público informar que foi surpreendida na data de hoje com o cumprimento de medida cautelar de busca e apreensão em sua residência.

Cumpre destacar que a Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares sempre se colocou à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar os devidos esclarecimentos acerca dos fatos perquiridos nos autos do aludido Inquérito Policial, jamais tendo sido intimada para qualquer ato que objetivasse a sua respectiva elucidação, mesmo com o constante contato presencial de seus advogados com a Autoridade Policial.

É inegável a postura colaborativa da Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares com o deslinde das investigações, cujo teor é amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Dessa forma, uma medida desta gravidade, cujos fatos são públicos, a torna desnecessária e inócua, restando como objetivo apenas e tão somente a exposição midiática e abusiva da Sra. Mara e de seus familiares.

A Sra. Mara Casares mantém a sua postura irrestrita de colaborar amplamente para a elucidação dos fatos perquiridos, cuja lisura de seus atos será comprovada ao longo desta investigação policial.

Por fim, a Defesa esclarece que ainda não teve acesso à íntegra da decisão proferida pelo Juízo da Vara das Garantias do Foro Central Criminal da Capital do Estado de São Paulo, que determinou a medida de busca e apreensão".

*colaborou Paulo Sabbadin

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