Lula tenta encurralar Alcolumbre com a ajuda de Motta
Palácio do Planalto aposta em votaçao do PL que trata da 6x1 em regime de urgência e que se passar na Câmara tranca a pauta do senado no início de agosto


Motta, Lula e Alcolumbre | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A flexibilidade de fazer uma sessão semipresencial da Câmara dos Deputados nesta terca (16) é a aposta do Palácio do Planalto para garantir que o texto do projeto enviado pelo governo e que trata do fim da escala 6x1 seja votado e aprovado pelo plenário.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou ao SBT News que a possibilidade do voto virtual deve facilitar a aprovacao do PL. O governo aposta nessa estratégia para evitar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deixe na gaveta o texto da PEC, aprovada no fim de maio, pelos deputados por ampla maioria.
O deputado Léo Prates (Republicanos-BA) e que foi o relator da PEC e está responsável também pelo texto do PL diz que o projeto vai ser usado para fazer as alterações na lei trabalhista, conhecida como Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e também na Lei do Repouso.
No entanto, para a base mais fiel de Lula o mais importante é votar o texto e deixar Davi Alcolumbre na obrigação de apreciar a PEC da 6x1 em no máximo 45 dias.
Uma emenda constitucional, aprovada em 2001, que alterou o regimento interno da Câmara e do Senado, estabelece que, quando houver votação em plenário de um Projeto de Lei (PL) em regime de urgência na Câmara, as PECs que estiverem à espera de análise no Senado deverão ser apreciadas, obrigatoriamente, em até 45 dias. Caso contrário, a pauta fica trancada.
Assim, Alcolumbre terá que pautar o tema da 6x1 até no máximo 15 de agosto, quando começa a campanha eleitoral, e, com isso, o governo tem discurso para bater nos adversários e também no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Parlamentares ouvidos pela coluna, sob condição de anonimato e próximos do presidente da Câmara, Hugo Motta, classificaram a estratégia do governo como um "golaço". Isso ajuda a explicar por que o Planalto não atendeu ao pedido de Motta, no início das discussões, para retirar o PL e também explica o motivo pelo qual o presidente da Câmara não insistiu com o Planalto para o fim da tramitação do PL.
A PEC da escala 6x1 virou novo foco de embate entre o Planalto e Alcolumbre. O governo defende celeridade na tramitação da proposta, enquanto o presidente do Senado afirma que não atuará como "carimbador". Além disso, Alcolumbre manteve parada a PEC apoiada pelo governo e liberou, para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), um texto alternativo do senador Rogério Marinho (PL-RN), que flexibiliza a jornada de trabalho.
O ritmo de tramitação da PEC no Senado intensificou o desgaste na relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre. Os dois se distanciaram após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).






















