Câmara vota PL do governo federal que acaba com escala 6x1
Proposta estabelece jornada de 40 horas semanais, com dois dias de descanso, sem redução salarial


Plenário da Câmara dos Deputados | Flickr
A Câmara dos Deputados vota, nesta terça-feira (16), o projeto de lei que acaba com a escala 6x1, composta por seis dias de trabalho e um de descanso, de autoria do governo federal. A proposta reduz o limite de jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
O Executivo encaminhou o projeto de lei ao Congresso em abril, com urgência constitucional – mecanismo que determina a apreciação do texto pelo Plenário em até 45 dias após o envio. Como o prazo expirou no fim de maio, a pauta de deliberações da Câmara foi trancada. Isso significa que nenhuma outra proposta pode ser analisada até que o projeto em urgência seja votado.
Na última semana, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), designou o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator do projeto que acaba com a escala 6x1. O parlamentar foi o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de mesmo tema, aprovada pela Casa em maio. A ideia é que o texto do governo sirva como instrumento de regulamentação da PEC.
Veja os principais pontos do projeto do governo:
- Reduz a carga horária semanal de trabalho de 44 para 40 horas, inclusive para escalas especiais, mantendo as 8 horas diárias;
- Amplia o descanso semanal remunerado para dois dias (preferencialmente aos sábados e domingos)
- Veda qualquer redução salarial ou mudanças em pisos salariais;
- Consolida o modelo de jornada de trabalho 5x2 — composto por cinco dias de trabalho e dois de descanso.
A proposta inclui todas as categorias abrangidas pela CLT e leis específicas, como domésticos, comerciários, aeronautas e radialistas. Apesar de consolidar um novo modelo de jornada, o texto permite ajustes por meio de acordos coletivos, além de manter a possibilidade de escalas diferenciadas, como o modelo 12x36, desde que respeitado o limite de 40 horas semanais.
“O objetivo central da proposta é garantir mais tempo para a vida além do trabalho, tempo com a família, para o lazer, para a cultura e para o descanso. A garantia do descanso ainda tem potencial impacto positivo sobre a economia, estando alinhada com uma visão moderna de desenvolvimento, que combina produtividade, bem-estar e inclusão social”, justificou o Planalto.
A administração reforçou que a mudança aproxima o Brasil de um movimento já em curso em diversos países, como Chile, que aprovou a redução da jornada de 45 para 40 horas semanais, e da Colômbia, que está em transição de 48 para 42 horas semanais até 2026. Na Europa, a jornada de 40 horas ou menos já é predominante em países como França, Alemanha e Holanda.
Saúde mental
Ao todo, o governo calcula que 37,2 milhões de trabalhadores têm jornadas acima de 40 horas semanais — o equivalente a aproximadamente 74% dos celetistas. Destes, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham na escala 6x1, com apenas um dia de descanso.
Ao ampliar o tempo livre, o projeto busca melhorar a qualidade de vida, fortalecer a convivência familiar e reduzir impactos na saúde. Em 2025, o país registrou cerca de 540 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho, como ansiedade, estresse e burnout. Cinco anos atrás, em 2020, o número de beneficiários pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) era de 200 mil.
Oposição
Paralelamente, ganha força no Senado uma outra proposta que propõe uma jornada flexível, com o pagamento por horas trabalhadas. Há mais de 40 assinaturas em apoio ao texto apresentado pelo líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN). Essa proposta, inclusive, já foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, enquanto o projeto governista segue estacionado.















