Diretores da PF apoiam Andrei e colocam cargos à disposição
Em nota, 11 diretores defenderam Andrei Rodrigues e Leandro Almada e repudiaram acusações de atuação não republicana na Polícia Federal.

O diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues | Divulgação/Antonio Cruz/Agência Brasil
Diretores da Polícia Federal divulgaram, na tarde desta terça-feira (8), uma nota em defesa do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e colocaram os cargos à disposição após a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastá-lo do cargo.
Em nota, os diretores da PF afirmaram que apoiam Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, diante dos ataques sofridos pela instituição. Segundo os diretores, as acusações contra os dois são “desprovidas de fundamento” e não podem apagar a trajetória profissional de ambos.
"Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto", afirmam em nota.
O documento é assinado por 11 diretores da PF. A manifestação ocorre após a Segunda Turma do STF formar maioria para manter o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
Mais cedo, Mendonça afirmou haver indícios de que Rodrigues e Almada tiveram participação ou conhecimento sobre a elaboração de relatórios de inteligência envolvendo autoridades. Segundo documento enviado à Justiça, seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto.
Os materiais analisaram atos e decisões de autoridades que exercem funções no Judiciário, na Advocacia Pública e na polícia judiciária. O ministro afirmou que ele próprio foi monitorado pela PF por mais de 30 dias e classificou o acompanhamento como ilegal.
Além do afastamento, Mendonça proibiu a produção, a preparação ou o compartilhamento de novos relatórios de inteligência.
Segundo o ministro, a medida busca impedir o uso das prerrogativas, dos acessos, dos sistemas e das relações institucionais vinculadas aos cargos para interferir nas apurações.
Marques e Fux anteciparam seus votos no julgamento. A análise foi interrompida após Gilmar Mendes pedir vista, mais tempo para analisar o caso. O julgamento ocorre no plenário virtual, em que os ministros participam remotamente. O decano da Corte tem até 90 dias para devolver o processo para análise da Segunda Turma.
De acordo com Mendonça, a permanência dos dirigentes nos cargos poderia, em tese, manter o acesso a informações, sistemas, estruturas e canais de comunicação capazes de permitir o conhecimento antecipado de medidas investigativas, influência sobre testemunhas ou pessoas envolvidas nas apurações e dificuldades na preservação de provas.










