Conselho da República não é chamado desde intervenção no Rio
Sugerido a Lula para tratar crise no STF, grupo se reuniu pela última vez com Temer, em 2018, para discutir nomeação de interventor na segurança do estado

Temer consulta conselheiros antes de decretar intervenção no Rio, em fevereiro de 2018 | Marcos Corrêa/PR
O Conselho da República, cuja convocação foi sugerida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho para discutir a crise que assola o Supremo Tribunal Federal (STF), não é chamado desde fevereiro de 2018, quando o então presidente Michel Temer (MDB) fez consultas antes de decretar intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.
São raros os encontros do grupo, previsto na Constituição e regulamentado por lei em 1990. Seu papel é assessorar o presidente, além de decisões que envolvam intervenções federais e decretação dos estados de sítio e de defesa, em “questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas". A avaliação é de que o racha sem precedentes no Supremo se encaixa nessa última previsão. A convocação cabe a Lula.
Como mostrou a Coluna do Iander, a dimensão do conflito que envolve os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e instituições como a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal justificaria chamar o conselho no que Marco Aurélio de Carvalho vê como um momento em que a “própria democracia que está em jogo”.
Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sob a alegação de que vinha sendo monitorado ilegalmente e que as informações coletadas serviram para abastecer um relatório contra ele usado por Moraes. Lula ligou para Andrei para mostrar indignação pelo episódio e estuda com ministros e aliados como reagir via Advocacia Geral da União (AGU).
Para o advogado, que chefia a equipe jurídica do PT, o contexto da decisão de Mendonça tem componente eleitoral em benefício do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Eleições, em toda e qualquer democracia, devem ser disputadas no voto. Não podemos permitir que funções públicas sejam novamente capturadas por interesses políticos e eleitorais”, declarou.

O Conselho da República é formado pelo vice-presidente, os presidentes da Câmara e do Senado, os líderes da maioria e da minoria nas duas Casas, o ministro da Justiça e outros seis cidadãos comuns. Esses últimos são escolhidos igualmente pela Presidência, Câmara e Senado, cada qual com uma indicação. O mandato é de três anos. O caráter é consultivo – ou seja, não tem poder para barrar eventuais decisões,
A convocação do colegiado foi aventada durante o escândalo do Mensalão, em 2005; em meio à Operação Caixa de Pandora, que levou à prisão do então governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, em 2010; e durante as manifestações do 7 de Setembro de 2021 por Jair Bolsonaro (PL). Nenhum dos encontros ocorreu.










