Ex-secretário diz que Brasil pode acionar lei contra EUA
Barral avalia escalada de tensões comerciais entre os dois países e acredita que participação de empresários brasileiros nas negociações tem peso significativo


Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Lula, em encontro na Malásia | Foto: Ricardo Stuckert
O ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil Welber Barral avalia que há risco de o governo Lula (PT) aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos se não houver negociação nos próximos 30 dias sobre a intenção do governo Donald Trump de aplicar novo tarifaço sobre produtos brasileiros.
Uma resposta tarifária do Brasil poderia alcançar empresas, propriedade intelectual e exportações americanas.
O novo impasse entre os países veio após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugerir tarifa de 25% por concluir que o Brasil adota práticas “irrazoáveis” que “oneram ou restringem” o comércio americano.
Para Barral, “a proposta do USTR representa uma escalada relevante das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos”. Ele acredita que, além de agentes políticos e diplomáticos, também empresários brasileiros devem entrar em campo, participar de audiência pública entre os dois países sobre as novas medidas, por considerar que a posição dos empresários importadores tenha peso significativo em negociações do tipo.
“O relatório final do USTR merece críticas sob a perspectiva jurídica. O documento dedicou atenção limitada aos argumentos brasileiros. Não se considerou a importância do Brasil como fornecedor de insumos estratégicos para a indústria norte-americana, nem a compatibilidade de diversas políticas brasileiras com obrigações internacionais assumidas no âmbito da OMC, ou os avanços recentes em matéria de proteção à propriedade intelectual e combate à corrupção”, disse.
O especialista avalia que há dados equivocados sobre desmatamento e que os EUA desconsideraram as normas brasileiras quanto ao PIX e à liberdade de expressão, uma vez que o documento contesta atuação do Banco Central e do judiciário brasileiro.
Do ponto de vista econômico, Barral analisa que os Estados Unidos também podem sair prejudicados. Ele questiona o fato de que “tampouco são mencionados os potenciais impactos negativos das medidas propostas sobre consumidores, cadeias produtivas e empresas dos próprios Estados Unidos” no relatório da USTR.

























