Três motivos pelos quais alta da IA não deve repetir a bolha pontocom
Especialistas destacam big techs, rápida adoção da inteligência artificial e apoio regulatório como fatores que diferenciam boom atual da bolha pontocom


Persistem como principais dúvidas as avaliações de algumas empresas de IA, que podem estar inflacionadas, como ocorreu na bolha pontocom, e os retornos econômicos que a nova tecnologia gerará | Imagem gerada por IA/Freepik
O crescimento astronômico da inteligência artificial tem gerado comparações frequentes com a bolha das empresas pontocom do final dos anos 1990 e início dos anos 2000, a qual estourou em março daquele ano e destruiu mais de US$ 5 trilhões em valor de mercado. Assim como a internet, a IA está atraindo grandes investimentos e especulação, mas especialistas apontam diferenças fundamentais que podem evitar um colapso semelhante – ou até maior – ao ocorrido na virada do milênio.
A principal diferença está na solidez das empresas por trás do movimento atual. Ao contrário das startups da era pontocom, muitas das quais eram pouco mais que ideias e alguns engenheiros, as big techs de hoje, como Microsoft, Google, Amazon e Meta, já são empresas trilionárias com modelos de negócios sólidos.
Nesse cenário, Amazon e Google, por exemplo, estão investindo bilhões em data centers para IA, mas sem sacrificar operações centrais como vendas de produtos, computação em nuvem ou publicidade. As startups que faliram após o estouro da bolha pontocom, por outro lado, não tinham uma base sólida e frequentemente enfrentavam prejuízos enormes.
Outro fator relevante é a maturidade e a velocidade de adoção das tecnologias envolvidas. Nos anos 1990, a internet foi uma plataforma completamente nova, o que demandou tempo para os consumidores aceitarem a ideia de estarem online e, mais ainda, para que as infraestruturas, como a banda larga, se consolidassem.
Em contraste, a IA está sendo adotada rapidamente, com empresas de diversos setores ansiosas para melhorar a eficiência, aumentar a produtividade e gerar receita mais rapidamente. Ao contrário das décadas que outras tecnologias levaram para se massificar, a IA já é uma realidade entre empresas e bilhões de consumidores finais.
Além disso, a IA não enfrenta as mesmas barreiras regulatórias que a internet enfrentou na década de 1990. As políticas governamentais atualmente favorecem o crescimento da tecnologia, com o governo Trump, por exemplo, incentivando uma futura era da inteligência artificial desde seu retorno à Casa Branca.
Isso também contrasta com os tempos da bolha pontocom, quando o governo Clinton processou a Microsoft por questões antitruste. Ao contrário, empresas como Meta e Google recentemente se saíram vitoriosas de processos semelhantes.
Avaliação das empresas ainda é uma dúvida
Persistem como principais dúvidas as avaliações de algumas empresas de IA, que podem estar inflacionadas, como ocorreu na bolha pontocom, e os retornos econômicos que a nova tecnologia gerará. Serão eles suficientes para cobrir os contratos ligados à infraestrutura, que no caso da OpenAI chegam a US$ 1,4 trilhão nos próximos oito anos?
De todo modo, embora o boom da IA tenha semelhanças com a bolha pontocom, especialmente no que se refere ao foco de investimento e à busca por inovações tecnológicas revolucionárias, as bases mais sólidas e o papel das grandes corporações de tecnologia sugerem que, desta vez, as chances de uma queda abrupta são menores.
Ainda assim, como um pequeno grupo de empresas — gigantes como Amazon, Google, Meta, Microsoft e Nvidia — tem capitalização superior ao valor total do mercado de ações de 2000, há receio sobre a magnitude de uma possível correção abrupta, especialmente se os retornos da IA não corresponderem às expectativas.















