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Três motivos pelos quais alta da IA não deve repetir a bolha pontocom

Especialistas destacam big techs, rápida adoção da inteligência artificial e apoio regulatório como fatores que diferenciam boom atual da bolha pontocom

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Exame.com
22/12/2025, 19:35 • Atualizado em 22/12/2025, 19:36
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Persistem como principais dúvidas as avaliações de algumas empresas de IA, que podem estar inflacionadas, como ocorreu na bolha pontocom, e os retornos econômicos que a nova tecnologia gerará | Imagem gerada por IA/Freepik

Persistem como principais dúvidas as avaliações de algumas empresas de IA, que podem estar inflacionadas, como ocorreu na bolha pontocom, e os retornos econômicos que a nova tecnologia gerará | Imagem gerada por IA/Freepik

O crescimento astronômico da inteligência artificial tem gerado comparações frequentes com a bolha das empresas pontocom do final dos anos 1990 e início dos anos 2000, a qual estourou em março daquele ano e destruiu mais de US$ 5 trilhões em valor de mercado. Assim como a internet, a IA está atraindo grandes investimentos e especulação, mas especialistas apontam diferenças fundamentais que podem evitar um colapso semelhante – ou até maior – ao ocorrido na virada do milênio.

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A principal diferença está na solidez das empresas por trás do movimento atual. Ao contrário das startups da era pontocom, muitas das quais eram pouco mais que ideias e alguns engenheiros, as big techs de hoje, como Microsoft, Google, Amazon e Meta, já são empresas trilionárias com modelos de negócios sólidos.

Nesse cenário, Amazon e Google, por exemplo, estão investindo bilhões em data centers para IA, mas sem sacrificar operações centrais como vendas de produtos, computação em nuvem ou publicidade. As startups que faliram após o estouro da bolha pontocom, por outro lado, não tinham uma base sólida e frequentemente enfrentavam prejuízos enormes.

Outro fator relevante é a maturidade e a velocidade de adoção das tecnologias envolvidas. Nos anos 1990, a internet foi uma plataforma completamente nova, o que demandou tempo para os consumidores aceitarem a ideia de estarem online e, mais ainda, para que as infraestruturas, como a banda larga, se consolidassem.

Em contraste, a IA está sendo adotada rapidamente, com empresas de diversos setores ansiosas para melhorar a eficiência, aumentar a produtividade e gerar receita mais rapidamente. Ao contrário das décadas que outras tecnologias levaram para se massificar, a IA já é uma realidade entre empresas e bilhões de consumidores finais.

Além disso, a IA não enfrenta as mesmas barreiras regulatórias que a internet enfrentou na década de 1990. As políticas governamentais atualmente favorecem o crescimento da tecnologia, com o governo Trump, por exemplo, incentivando uma futura era da inteligência artificial desde seu retorno à Casa Branca.

Isso também contrasta com os tempos da bolha pontocom, quando o governo Clinton processou a Microsoft por questões antitruste. Ao contrário, empresas como Meta e Google recentemente se saíram vitoriosas de processos semelhantes.

Avaliação das empresas ainda é uma dúvida

Persistem como principais dúvidas as avaliações de algumas empresas de IA, que podem estar inflacionadas, como ocorreu na bolha pontocom, e os retornos econômicos que a nova tecnologia gerará. Serão eles suficientes para cobrir os contratos ligados à infraestrutura, que no caso da OpenAI chegam a US$ 1,4 trilhão nos próximos oito anos?

De todo modo, embora o boom da IA tenha semelhanças com a bolha pontocom, especialmente no que se refere ao foco de investimento e à busca por inovações tecnológicas revolucionárias, as bases mais sólidas e o papel das grandes corporações de tecnologia sugerem que, desta vez, as chances de uma queda abrupta são menores.

Ainda assim, como um pequeno grupo de empresas — gigantes como Amazon, Google, Meta, Microsoft e Nvidia — tem capitalização superior ao valor total do mercado de ações de 2000, há receio sobre a magnitude de uma possível correção abrupta, especialmente se os retornos da IA não corresponderem às expectativas.

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