Vírus Nipah e Carnaval: há risco de surto no Brasil? Especialista explica
Virologista da USP afirma que o vírus não se transmite com facilidade entre pessoas e não apresenta riscos ao Brasil no momento


Naiara Ribeiro
Com a aproximação do Carnaval, é comum que surjam receios sobre doenças em meio a grandes aglomerações. A lembrança da Covid-19 ainda está fresca: em 26 de fevereiro de 2020, uma quarta-feira de Cinzas, o Brasil confirmava o primeiro caso da doença. Agora, com registros recentes do vírus Nipah na Índia e em Bangladesh, a dúvida reaparece: há risco de um novo vírus chegar ao país durante a folia?
Segundo o Ministério da Saúde, não há motivo para pânico. A pasta afirma que o país não tem nenhum caso confirmado até agora e que a chance de uma pandemia causada pelo vírus Nipah é baixa, portanto não existe indicação de risco para a população brasileira. A avaliação segue a mesma linha da Organização Mundial da Saúde (OMS), que diz não haver evidências de disseminação do vírus para outros países.
Para detalhar o cenário, o SBT News ouviu Paulo Brandão, virologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), que explicou por que o Nipah não representa, hoje, uma ameaça real ao Brasil.
Risco de chegada ao Brasil é considerado baixo
O professor ressalta que os surtos registrados até agora foram pontuais e concentrados em regiões muito limitadas.
“É preciso analisar a situação desse vírus no mundo. Houve surtos na Índia e em Bangladesh e, quando falamos em surtos, estamos falando de poucos casos, não de centenas. Esses episódios foram pontuais e restritos a regiões específicas, e o vírus ainda não consegue se transmitir bem entre pessoas. Por isso, é pouco provável que ele seja introduzido em outras áreas do mundo. No Brasil, não há risco real de introdução do vírus nesse momento, inclusive durante o Carnaval.”
Aglomerações exigem atenção, mas não apenas para vírus novos
Grandes encontros de pessoas sempre pedem atenção das autoridades de saúde, mas o alerta não se limita ao Nipah. Vírus conhecidos, como os da gripe e da Covid-19, se espalham com mais facilidade quando há muita gente reunida, especialmente porque a transmissão pode ocorrer mesmo antes do aparecimento de sintomas. Essa combinação explica por que surtos podem se espalhar rapidamente.
Por isso, o professor Brandão relembra que medidas de prevenção já conhecidas continuam sendo importantes. A vacinação contra Covid-19, influenza e sarampo segue sendo recomendada antes do período festivo. O especialista também chama atenção para as infecções sexualmente transmissíveis, como HIV e hepatites, prevenidas com o uso de preservativos, e para a mpox, que pode ser transmitida pelo contato direto com a pele.
Vigilância e preparo do sistema de saúde
O Brasil mantém monitoramento para casos suspeitos em portos e aeroportos e acompanha quadros respiratórios e neurológicos. Embora não exista tratamento específico nem vacina contra o Nipah, o virologista explica que uma eventual resposta dependeria de identificação rápida dos casos e isolamento.
“A experiência da Covid-19 ampliou a capacidade de vigilância no Brasil. O sistema de saúde está mais preparado para identificar e isolar casos suspeitos, se necessário. Ainda assim, a probabilidade de um surto é considerada distante”, reafirma.








