SUS começa a substituir insulina humana para a de ação prolongada; entenda
Mudança começa em quatro estados e deve beneficiar mais de 50 mil crianças, adolescentes e idosos com diabetes

Antonio Souza
O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira (5) que iniciou o processo de transição do uso da insulina humana (NPH) para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida é considerada um avanço histórico no cuidado de pessoas que vivem com diabetes mellitus no Brasil e amplia as opções de tratamento disponíveis na rede pública.
Segundo o ministério, a insulina glargina é um medicamento mais moderno, com efeito prolongado, que simplifica a rotina dos pacientes, já que exige apenas uma aplicação por dia, diferentemente de outros tipos de insulina.
Nesta primeira fase, o projeto será implantado nos estados do Amapá, Paraná, Paraíba e Distrito Federal.
Serão atendidos crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1 e idosos com 80 anos ou mais diagnosticados com diabetes tipo 1 ou tipo 2. A estimativa do governo é que mais de 50 mil pessoas sejam beneficiadas nesta etapa inicial.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a ampliação do tratamento também fortalece a indústria nacional de medicamentos.
“A expansão da oferta de tratamentos para diabetes no SUS é um exemplo concreto da importância do fortalecimento do nosso complexo industrial. Depois de duas décadas, o Brasil voltou a produzir insulina no país, o que traz garantia e segurança para os pacientes”, destacou.
Como funciona a insulina glargina?
A insulina glargina tem efeito de até 24 horas, ajudando a manter os níveis de glicose no sangue mais estáveis ao longo do dia. A mudança do tratamento será feita de forma gradual, sempre com avaliação médica individual, respeitando a condição clínica de cada paciente.
Nos estados participantes, o Ministério da Saúde já iniciou treinamentos para profissionais da Atenção Primária, preparando as equipes para o uso correto do medicamento. Após os primeiros meses, o governo vai avaliar os resultados para decidir sobre a expansão do programa para outros estados.
Na rede privada, o tratamento com insulina glargina pode custar até R$ 250 para dois meses. Segundo o órgão, a oferta gratuita no SUS segue as melhores práticas internacionais no tratamento do diabetes.
Produção nacional
A ampliação do uso da glargina no SUS ocorre por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a empresa brasileira Biomm e a chinesa Gan & Lee.
A parceria prevê transferência de tecnologia para o Brasil. Em 2025, foram entregues mais de 6 milhões de unidades do medicamento, com investimento de R$ 131 milhões. A expectativa é alcançar, até o fim de 2026, a produção de 36 milhões de tubetes para abastecer o SUS.
A transição faz parte do trabalho do Grupo de Trabalho da Insulina, criado em novembro de 2025 após estudos apontarem riscos ao tratamento devido à escassez global de insulina.
O processo terá monitoramento contínuo, capacitação de equipes estaduais e municipais e treinamentos sobre o uso correto das canetas aplicadoras. As formações começaram em 27 de janeiro e devem seguir até meados de fevereiro.
Atualmente, o SUS oferece acompanhamento integral às pessoas com diabetes, desde o diagnóstico até o tratamento contínuo, incluindo insulinas humanas NPH e Regular, insulinas análogas de ação rápida e prolongada e medicamentos orais para diabetes mellitus.









