Saúde

Sintomas na região genital atingem mais de 70% das mulheres na faixa dos 30; saiba o que fazer

Estudo da UFSCar mostra que sintomas incluem secreção vaginal, coceira e ardência; especialistas ressaltam que sinais exigem avaliação clínica

W
Wagner Lauria Jr.
19/05/2025, 17:59 • Atualizado em 19/05/2025, 17:59
compartilhar
Sintomas na região genital não devem ser ignorados | Freepik

Sintomas na região genital não devem ser ignorados | Freepik

Um estudo inédito da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com apoio da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, revelou que 72,5% das mulheres brasileiras com cerca de 30 anos apresentam sintomas vulvovaginais — como coceira, corrimento, dor durante o sexo, entre outros.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Publicada no Brazilian Journal of Physical Therapy, a pesquisa destaca uma realidade preocupante: apesar do impacto direto na saúde sexual e emocional, esses sintomas têm sido normalizados por muitas mulheres, o que dificulta o diagnóstico e o tratamento adequados.

O estudo foi conduzido com 313 voluntárias. As queixas mais comuns foram:

  • Secreção vaginal (63%);
  • Coceira (54%);
  • Ardência (31%);
  • Secura vaginal (30%);
  • Odor vaginal (28%);
  • Irritação (27%);
  • Dor durante o ato sexual (20%).

Diagnóstico: quando procurar ajuda

Segundo Ana Carolina Beleza, coordenadora do Núcleo de Estudos em Fisioterapia na Saúde da Mulher (Nefism/UFSCar), sintomas como dor, coceira ou ardência não devem ser considerados normais e exigem avaliação clínica.

“O primeiro passo é procurar um profissional de saúde, preferencialmente um ginecologista ou fisioterapeuta especializado em saúde da mulher. O diagnóstico correto pode envolver exames laboratoriais, avaliação hormonal, dermatológica e da musculatura do assoalho pélvico”, explica.

Tratamento

O tratamento varia conforme a causa e deve ser prescrito por um médico. As opções podem incluir:

  • Medicamentos antifúngicos ou antibióticos, em caso de infecções;
  • Reposição hormonal, se houver alterações relacionadas a anticoncepcionais ou fases da vida;
  • Tratamento fisioterapeutico com foco em disfunções do assoalho pélvico, especialmente útil em casos de dor no ato sexual;
  • Aconselhamento psicológico, quando fatores emocionais estão envolvidos.
“A dor na relação, por exemplo, pode ser tratada com fisioterapia pélvica, que trabalha o relaxamento e fortalecimento muscular, além de técnicas de dessensibilização”, reforça a pesquisadora.

Prevenção

A prevenção começa com educação em saúde íntima e hábitos saudáveis. As causas dos sintomas são variadas e incluem infecções, alterações hormonais, dermatites, alergias, distúrbios musculares e até mesmo fatores emocionais e comportamentais.

Para reduzir riscos:

  • Evite duchas vaginais, que alteram a flora natural;
  • Use roupas íntimas de algodão e evite calças muito apertadas;
  • Tenha higiene íntima adequada, mas sem excessos;
  • Use preservativos, que também ajudam a proteger contra infecções vaginais;
  • Observe mudanças no ciclo menstrual, secreções e sensações incomuns.

Falar sobre o problema é parte da solução

A pesquisa mostrou ainda que muitas mulheres relataram baixo impacto desses sintomas em suas vidas, mesmo quando enfrentam dores recorrentes ou limitações na vida sexual. Para Carolina, isso revela uma normalização preocupante e reforça a urgência em tratar o tema de forma aberta.

A principal autora do artigo, Clara Maria de Araujo Silva, destaca que o problema é global e multifatorial, envolvendo desde acesso à saúde até aspectos culturais.

“É necessário ampliar o debate sobre saúde íntima feminina, inclusive em ambientes educacionais. Mulheres jovens precisam saber que o desconforto não é algo a ser aceito como parte da rotina”, afirma.

O grupo pretende agora investigar fatores socioeconômicos que possam estar associados à prevalência desses sintomas, como renda, escolaridade, moradia e acesso aos serviços de saúde, visando traçar estratégias públicas e educativas mais eficazes.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Irã lança mísseis contra Israel em nova ofensiva

Irã lança mísseis contra Israel em nova ofensiva

Imagem da notícia: Christian Eriksen sofre novo desmaio em jogo da Dinamarca

Christian Eriksen sofre novo desmaio em jogo da Dinamarca

Imagem da notícia: Incêndio destrói 27 ônibus em garagem de Belo Horizonte

Incêndio destrói 27 ônibus em garagem de Belo Horizonte

Imagem da notícia: Zverev sofre, mas quebra jejum e vence Roland Garros

Zverev sofre, mas quebra jejum e vence Roland Garros

Imagem da notícia: Irã lança mísseis contra Israel em nova ofensiva

Irã lança mísseis contra Israel em nova ofensiva

Imagem da notícia: Christian Eriksen sofre novo desmaio em jogo da Dinamarca

Christian Eriksen sofre novo desmaio em jogo da Dinamarca

Imagem da notícia: Incêndio destrói 27 ônibus em garagem de Belo Horizonte

Incêndio destrói 27 ônibus em garagem de Belo Horizonte

Imagem da notícia: Zverev sofre, mas quebra jejum e vence Roland Garros

Zverev sofre, mas quebra jejum e vence Roland Garros

Últimas notícias

Netanyahu: Israel controlará 70% de Gaza "em breve"

Cessar-fogo, firmado há quase oito meses, estipulava controle israelense de até 53% do enclave palestino

Dino mantém remoção de vídeos ofensivos de vereador do PL

Para ministro do STF, xingamentos nas redes sociais comprometem democracia

Israel diz que atingiu infraestrutura do Hezbollah no Líbano

Com exceção de dois ataques em maio, militares israelenses tinham interrompido bombardeios no sul de Beirute após um cessar-fogo anunciado pelos EUA

Lateral Wesley é cortado da Copa por lesão na coxa

Defensor deixa grupo após problema muscular; Ederson foi convocado para a vaga

Parada LGBT+ reúne multidão em SP na edição de 30 anos

Evento ocupa a Avenida Paulista neste domingo (7) com trios elétricos, shows e atividades ao longo do dia

Trump diz que não descongelará ativos do Irã antes de acordo

Presidente dos EUA afirma que não exige que Líbano faça parte de uma proposta de paz de curto prazo com Teerã