Pílula da AstraZeneca contra obesidade tem bons resultados
Pacientes perderam, em média, 10,5% do peso corporal após 26 semanas de tratamento com elecogliprona, um medicamento experimental

Sede da AstraZeneca em Cambridge, na Inglaterra | Foto: Wikipédia
A pílula desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca para o tratamento da obesidade apresentou resultados promissores. A empresa anunciou nesta segunda-feira (8), durante conferência da Associação Americana de Diabetes (ADA, na sigla em inglês), em Nova Orleans, que pacientes perderam, em média, 10,5% do peso corporal após 26 semanas de tratamento em um estudo de fase intermediária.
Ao final das 36 semanas de acompanhamento, os participantes que receberam a dose mais alta do medicamento experimental, de 75 mg, registraram perda média de 11,8% do peso corporal. Entre aqueles que receberam a dose de 50 mg, a redução foi de 8% após 26 semanas e chegou a 9% ao término do estudo.
O medicamento em questão é a elecogliprona, um comprimido de uso diário. Se aprovado, ele poderá disputar espaço com outras terapias orais para obesidade, como a semaglutida em comprimidos, da Novo Nordisk, que alcançou perda de peso de cerca de 14% em estudos clínicos, e a orforgliprona, da Lilly, associada a uma redução aproximada de 12% do peso corporal em um estudo de fase final.
Também durante a conferência em Nova Orleans, a Roche apresentou novos dados sobre a enicepatide, sua candidata ao tratamento da obesidade. Em um estudo clínico de fase intermediária, os participantes registraram perda média de 22,7% do peso corporal após 48 semanas de tratamento.
O estudo da AstraZeneca recrutou 310 adultos com obesidade ou sobrepeso e pelo menos uma condição associada ao excesso de peso. Pessoas com obesidade decorrente de distúrbios endócrinos específicos, como a síndrome de Cushing, ou de condições sindrômicas, como a síndrome de Prader-Willi, não puderam participar.
Os efeitos colaterais mais frequentes foram gastrointestinais, incluindo náusea e constipação, reações comumente observadas em medicamentos da classe GLP-1, originalmente desenvolvidos para o controle da glicemia em pacientes com diabetes tipo 2. Entre os participantes que receberam a dose de 75 mg, também foram relatados com maior frequência episódios de diarreia e vômitos.
Em um estudo separado envolvendo pessoas com diabetes tipo 2, a elecogliprona atingiu seu objetivo principal de controle da glicemia e, na dose de 75 mg, proporcionou perda média de peso de 7,7% após 26 semanas. Os resultados reforçam o potencial do medicamento para atuar simultaneamente no tratamento do diabetes e da obesidade, condições que frequentemente estão associadas.















