O que você come pode estar inflamando seu corpo e roubando sua energia
Ultraprocessados, excesso de açúcar e gorduras ruins favorecem inflamação crônica, ligada ao ganho de peso, fadiga e maior risco de doenças


Brazil Health
Dores no corpo, cansaço persistente, inchaço abdominal, dificuldade para emagrecer e queda de imunidade são queixas cada vez mais frequentes. Muitas vezes, esses sintomas são tratados de forma isolada, sem que se considere um fator central: a alimentação. A inflamação alimentar ocorre quando certos padrões de alimentação estimulam respostas inflamatórias contínuas no organismo, mesmo na ausência de infecção ou doença aparente.
Esse tipo de inflamação é silencioso, progressivo e pode se manter por anos, contribuindo para alterações metabólicas, hormonais e imunológicas. O problema raramente está em um único alimento, mas no conjunto das escolhas feitas diariamente e na frequência com que produtos inflamatórios entram na rotina.
Alimentos ultraprocessados são produtos industrializados formulados com excesso de aditivos, açúcares, gorduras e conservantes, que passam por múltiplas etapas de processamento e têm baixo valor nutricional.
O papel dos ultraprocessados e do excesso de açúcar
Alimentos ultraprocessados são formulados industrialmente com altos teores de açúcares, gorduras saturadas e trans, sal, aditivos químicos e conservantes. O consumo frequente desses produtos está diretamente associado ao aumento de marcadores inflamatórios no sangue, como a proteína C-reativa, além de favorecer a resistência à insulina e o acúmulo de gordura visceral.
O excesso de açúcar, por sua vez, provoca picos repetidos de glicose e insulina, estimulando processos inflamatórios e aumentando o estresse oxidativo. Com o tempo, esse cenário compromete o metabolismo, dificulta o controle do peso e aumenta o risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e esteatose hepática.
Intestino, imunidade e inflamação sistêmica
O intestino exerce um papel central na regulação da resposta inflamatória do organismo. Uma alimentação pobre em fibras, rica em ultraprocessados e desequilibrada em nutrientes compromete a microbiota intestinal, reduzindo a diversidade de bactérias benéficas. Esse desequilíbrio, conhecido como disbiose, aumenta a permeabilidade intestinal e facilita a passagem de substâncias inflamatórias para a corrente sanguínea.
Quando esse processo se instala, o sistema imunológico permanece em estado de alerta contínuo, gerando uma inflamação sistêmica de baixo grau. Esse quadro não se manifesta apenas com sintomas intestinais, mas também está associado à fadiga persistente, dores musculares, alterações de humor e queda do desempenho físico e cognitivo.
Como reduzir a inflamação pela alimentação
Reduzir a inflamação alimentar não significa seguir dietas extremas ou excluir grupos alimentares sem critério. O caminho mais eficaz é priorizar alimentos naturais e minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, proteínas de boa qualidade e gorduras saudáveis. Esses alimentos fornecem antioxidantes, fibras e compostos bioativos que modulam positivamente a resposta inflamatória.
Além da reposição por meio de suplementação e da individualização do acompanhamento clínico, é fundamental reduzir a inflamação e iniciar um processo real de reparo estrutural do organismo. É nesse momento que muitos percebem o chamado “efeito estético”: o corpo passa a responder de forma mais visível às mudanças no estilo de vida, quando a alimentação, a atividade física e a intervenção médica caminham juntas.
Novas estratégias terapêuticas, como os medicamentos à base de GLP-1, têm papel importante nesse processo, e outras opções surgirão com o avanço da ciência. No entanto, é preciso atenção. O uso de medicações falsificadas, sem procedência ou segurança, pode comprometer todo o tratamento e ainda gerar problemas de saúde que antes não existiam.
Resultados consistentes não vêm de atalhos, mas de estratégia, acompanhamento e escolhas seguras. O corpo responde — desde que seja cuidado da forma correta.
A alimentação tem poder terapêutico. Quando o corpo inflama, ele está reagindo ao ambiente interno que foi criado. Ajustar o estilo de vida geral é uma das estratégias mais eficazes para reduzir a inflamação, sem abrir mão de novos hábitos, sempre com estratégias para recuperar a energia e proteger a saúde a longo prazo.
Dr. Ordânio Almeida - CRM-SP 210.631
Médico com atuação em Nutrologia, focado em nutrição clínica e estudo de qualidade de vida.
Membro da Brazil Health.









