Miopia em crianças: risco para a visão vai além dos óculos
Mais do que dificultar a visão de longe, a miopia pode alterar o crescimento do olho e aumentar os riscos para a visão no futuro
Brazil Health
Criança com miopia: entenda os problemas que podem surgir no futuro | Divulgação
A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes. O problema acompanha mudanças no estilo de vida, como mais tempo dentro de casa, maior carga escolar, uso de telas e menos atividades ao ar livre.
Mas não se trata apenas de uma dificuldade para enxergar de longe nem de uma questão de número na receita dos óculos. Em alguns casos, sua progressão pode modificar a anatomia do olho e aumentar os riscos para a visão no futuro.
A miopia ocorre quando o olho é relativamente comprido ou quando seu sistema óptico concentra a luz à frente da retina. Na infância e na adolescência, o olho ainda está em desenvolvimento e pode continuar se alongando. Quanto maior esse alongamento, especialmente nos casos de miopia elevada, maior pode ser o impacto sobre as estruturas do fundo do olho.
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A origem da miopia é complexa e envolve a combinação de genética e ambiente. Crianças com pais míopes apresentam maior risco, mas a genética, sozinha, não explica o aumento observado nas últimas décadas. O ambiente também tem papel importante.
A vida moderna trouxe um aumento das atividades de perto: leitura, estudo e uso de celulares, tablets e computadores. Estudos associam maior exposição a tarefas de perto, sobretudo quando realizadas por períodos prolongados e a distâncias muito curtas, a um maior risco de miopia. Isso não significa que ler ou usar telas leve à miopia de forma isolada. A evidência atual sugere uma relação complexa, e o uso de dispositivos digitais pode representar uma nova forma de atividade de perto.
Em contraste, passar mais tempo ao ar livre é um dos fatores mais consistentemente associados à menor ocorrência de miopia em crianças. Por isso, é importante estimular atividades externas e criar pausas durante períodos prolongados de estudo ou uso de telas. Mais importante do que proibir o uso de telas na infância é construir uma rotina visual mais equilibrada.
Acompanhar uma criança míope não serve apenas para evitar a troca frequente dos óculos. Em alguns pacientes, o olho continua crescendo além do necessário e se torna excessivamente longo. Esse processo, chamado alongamento axial, pode produzir alterações estruturais permanentes.
Na alta miopia, especialmente quando associada a um grande comprimento axial, a retina e outras estruturas do fundo do olho ficam mais esticadas e vulneráveis. Ao longo da vida, isso pode aumentar o risco de alterações degenerativas da retina, descolamento de retina, alterações do nervo óptico e outras complicações capazes de comprometer a visão. Algumas podem ser progressivas e, quando estabelecidas, nem sempre podem ser revertidas.
Assim, “quanto maior o grau, maior a preocupação” não significa apenas uma lente mais grossa. Significa que, em determinados pacientes, existe maior risco de alterações anatômicas do olho. O risco individual, porém, não depende exclusivamente da “quantidade de grau”. O comprimento axial e as características da retina também são importantes.
Prevenção e acompanhamento fazem diferença
A infância e a adolescência são fases importantes para agir. Consultas oftalmológicas regulares permitem acompanhar a evolução do grau e, quando indicado, o crescimento do olho, identificar a progressão e discutir estratégias de controle da miopia. Existem abordagens ópticas e medicamentosas, como colírios específicos e lentes especiais de óculos ou de contato, escolhidas individualmente conforme a idade, o grau, a velocidade de progressão e as características da criança.
A mensagem para pais e responsáveis é simples: a miopia não deve ser encarada apenas como um problema de óculos. Estimular uma infância com mais atividades ao ar livre, equilibrar o tempo dedicado às tarefas de perto e manter acompanhamento oftalmológico frequente são medidas que podem ajudar a proteger a visão e reduzir o risco de consequências futuras associadas à alta miopia.
** Rodrigo Thompson de Moura é oftalmologista
Miopia em crianças: risco para a visão vai além dos óculos Mais do que dificultar a visão de longe, a miopia pode alterar o crescimento do olho e aumentar os riscos para a visão no futuroSaúde2026-10-12T13:37:16.581ZA miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes. O problema acompanha mudanças no estilo de vida, como mais tempo dentro de casa, maior carga escolar, uso de telas e menos atividades ao ar livre. Mas não se trata apenas de uma dificuldade para enxergar de longe nem de uma questão de número na receita dos óculos. Em alguns casos, sua progressão pode modificar a anatomia do olho e aumentar os riscos para a visão no futuro. A miopia ocorre quando o olho é relativamente comprido ou quando seu sistema óptico concentra a luz à frente da retina. Na infância e na adolescência, o olho ainda está em desenvolvimento e pode continuar se alongando. Quanto maior esse alongamento, especialmente nos casos de miopia elevada, maior pode ser o impacto sobre as estruturas do fundo do olho. Por que a miopia está aumentando? A origem da miopia é complexa e envolve a combinação de genética e ambiente. Crianças com pais míopes apresentam maior risco, mas a genética, sozinha, não explica o aumento observado nas últimas décadas. O ambiente também tem papel importante. A vida moderna trouxe um aumento das atividades de perto: leitura, estudo e uso de celulares, tablets e computadores. Estudos associam maior exposição a tarefas de perto, sobretudo quando realizadas por períodos prolongados e a distâncias muito curtas, a um maior risco de miopia. Isso não significa que ler ou usar telas leve à miopia de forma isolada. A evidência atual sugere uma relação complexa, e o uso de dispositivos digitais pode representar uma nova forma de atividade de perto. Em contraste, passar mais tempo ao ar livre é um dos fatores mais consistentemente associados à menor ocorrência de miopia em crianças. Por isso, é importante estimular atividades externas e criar pausas durante períodos prolongados de estudo ou uso de telas. Mais importante do que proibir o uso de telas na infância é construir uma rotina visual mais equilibrada. O problema não termina quando o grau estabiliza Acompanhar uma criança míope não serve apenas para evitar a troca frequente dos óculos. Em alguns pacientes, o olho continua crescendo além do necessário e se torna excessivamente longo. Esse processo, chamado alongamento axial, pode produzir alterações estruturais permanentes. Na alta miopia, especialmente quando associada a um grande comprimento axial, a retina e outras estruturas do fundo do olho ficam mais esticadas e vulneráveis. Ao longo da vida, isso pode aumentar o risco de alterações degenerativas da retina, descolamento de retina, alterações do nervo óptico e outras complicações capazes de comprometer a visão. Algumas podem ser progressivas e, quando estabelecidas, nem sempre podem ser revertidas. Assim, “quanto maior o grau, maior a preocupação” não significa apenas uma lente mais grossa. Significa que, em determinados pacientes, existe maior risco de alterações anatômicas do olho. O risco individual, porém, não depende exclusivamente da “quantidade de grau”. O comprimento axial e as características da retina também são importantes. Prevenção e acompanhamento fazem diferença A infância e a adolescência são fases importantes para agir. Consultas oftalmológicas regulares permitem acompanhar a evolução do grau e, quando indicado, o crescimento do olho, identificar a progressão e discutir estratégias de controle da miopia. Existem abordagens ópticas e medicamentosas, como colírios específicos e lentes especiais de óculos ou de contato, escolhidas individualmente conforme a idade, o grau, a velocidade de progressão e as características da criança. A mensagem para pais e responsáveis é simples: a miopia não deve ser encarada apenas como um problema de óculos. Estimular uma infância com mais atividades ao ar livre, equilibrar o tempo dedicado às tarefas de perto e manter acompanhamento oftalmológico frequente são medidas que podem ajudar a proteger a visão e reduzir o risco de consequências futuras associadas à alta miopia. ** Rodrigo Thompson de Moura é oftalmologista São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/miopia-em-criancas-o-risco-para-a-visao-que-vai-alem-dos-oculos
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