Cânceres urológicos avançam e reforçam alerta no Brasil
Com quase 100 mil novos casos por ano no Brasil, cânceres de próstata, bexiga, rim e testículo demandam diagnóstico precoce
Brazil Health
Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura dos principais cânceres urológicos. | Reprodução/Magnific
Os cânceres urológicos estão entre os tumores mais frequentes da população masculina brasileira e continuam avançando em números absolutos no país. Somados, os casos de câncer de próstata, bexiga, rim e testículo representam quase 100 mil novos diagnósticos por ano, segundo estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
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O câncer de próstata segue liderando esse cenário, sendo o tumor mais comum entre homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Mas outros tumores urológicos também vêm chamando atenção pelo crescimento de casos e pelo impacto na mortalidade, especialmente quando descobertos em fases avançadas.
O grande problema é que muitos desses cânceres podem evoluir silenciosamente durante anos.
Em boa parte dos casos, os sintomas aparecem apenas quando a doença já está mais extensa, reduzindo as chances de cura e tornando o tratamento mais complexo.
Por isso, o diagnóstico precoce continua sendo uma das ferramentas mais importantes para reduzir mortalidade e preservar qualidade de vida.
Grande parte dos tumores urológicos apresenta melhor prognóstico quando descoberta precocemente.
No câncer de próstata, por exemplo, as taxas de cura podem ultrapassar 90% em casos localizados. O mesmo ocorre com muitos tumores renais e de bexiga identificados em fases iniciais.
O problema é que o atraso na investigação ainda é extremamente comum no Brasil.
Muitos homens evitam consultas médicas preventivas, ignoram sintomas iniciais ou chegam tardiamente aos serviços especializados. Em outros casos, a dificuldade de acesso ao sistema de saúde prolonga o tempo entre suspeita, diagnóstico e início do tratamento.
Quando descobertos tardiamente, esses tumores podem já apresentar invasão local ou metástases, exigindo tratamentos mais agressivos e reduzindo significativamente as chances de controle definitivo.
No câncer de bexiga, por exemplo, sangue na urina costuma ser um dos primeiros sinais de alerta e nunca deve ser ignorado. Já no câncer de rim, muitos casos permanecem silenciosos e acabam descobertos incidentalmente em exames de imagem realizados por outros motivos.
O câncer de testículo, embora menos frequente, merece atenção especial porque acomete principalmente homens jovens. Felizmente, quando identificado cedo, apresenta altas taxas de cura.
O envelhecimento da população
O aumento da expectativa de vida da população brasileira ajuda a explicar parte do crescimento dos cânceres urológicos.
O envelhecimento é um dos principais fatores de risco para tumores como o câncer de próstata e de bexiga. Além disso, hábitos como tabagismo, obesidade, sedentarismo e exposição ocupacional a substâncias químicas também contribuem para o aumento de risco em alguns tipos de câncer urológico.
Outro fator importante é a ampliação do acesso a exames diagnósticos, que permite detectar mais casos do que no passado.
Ainda assim, especialistas alertam que o Brasil continua enfrentando desigualdades importantes no acesso ao diagnóstico e tratamento, especialmente no sistema público de saúde.
Em muitas regiões, pacientes aguardam meses para realizar exames especializados, biópsias ou iniciar terapias oncológicas.
O desafio vai além do tratamento
Nos últimos anos, a urologia oncológica avançou significativamente. Hoje, existem cirurgias menos invasivas, terapias-alvo, imunoterapia e tratamentos mais modernos capazes de aumentar sobrevida e qualidade de vida dos pacientes.
Mas nenhuma tecnologia consegue compensar completamente os impactos do diagnóstico tardio.
Por isso, ampliar acesso à informação, rastreamento individualizado e investigação precoce continua sendo fundamental.
No caso do câncer de próstata, as sociedades médicas recomendam que homens conversem com o urologista sobre rastreamento a partir dos 50 anos – ou antes, quando existem fatores de risco como histórico familiar ou população negra.
Também é essencial abandonar a ideia de que sintomas urinários ou alterações corporais fazem parte “normal” do envelhecimento masculino. Dor, sangue na urina, alterações urinárias persistentes, perda de peso inexplicada ou nódulos testiculares precisam sempre ser investigados.
O maior desafio hoje não é apenas tratar melhor os cânceres urológicos. É conseguir fazer com que os pacientes cheguem mais cedo ao diagnóstico. Porque, em oncologia, tempo continua sendo um dos fatores mais decisivos entre cura, controle da doença e perda de oportunidade terapêutica.
*Dr. Marcos Tobias Machado, membro da Brazil Health e doutor pela Universidade de São Paulo (USP)
Cânceres urológicos avançam e reforçam alerta no BrasilCom quase 100 mil novos casos por ano no Brasil, cânceres de próstata, bexiga, rim e testículo demandam diagnóstico precoceSaúde2026-07-23T13:45:44.368ZOs cânceres urológicos estão entre os tumores mais frequentes da população masculina brasileira e continuam avançando em números absolutos no país. Somados, os casos de câncer de próstata, bexiga, rim e testículo representam quase 100 mil novos diagnósticos por ano, segundo estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O câncer de próstata segue liderando esse cenário, sendo o tumor mais comum entre homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Mas outros tumores urológicos também vêm chamando atenção pelo crescimento de casos e pelo impacto na mortalidade, especialmente quando descobertos em fases avançadas. O grande problema é que muitos desses cânceres podem evoluir silenciosamente durante anos. Em boa parte dos casos, os sintomas aparecem apenas quando a doença já está mais extensa, reduzindo as chances de cura e tornando o tratamento mais complexo. Por isso, o diagnóstico precoce continua sendo uma das ferramentas mais importantes para reduzir mortalidade e preservar qualidade de vida. O atraso no diagnóstico ainda custa vidas Grande parte dos tumores urológicos apresenta melhor prognóstico quando descoberta precocemente. No câncer de próstata, por exemplo, as taxas de cura podem ultrapassar 90% em casos localizados. O mesmo ocorre com muitos tumores renais e de bexiga identificados em fases iniciais. O problema é que o atraso na investigação ainda é extremamente comum no Brasil. Muitos homens evitam consultas médicas preventivas, ignoram sintomas iniciais ou chegam tardiamente aos serviços especializados. Em outros casos, a dificuldade de acesso ao sistema de saúde prolonga o tempo entre suspeita, diagnóstico e início do tratamento. Isso faz diferença direta na evolução da doença. Quando descobertos tardiamente, esses tumores podem já apresentar invasão local ou metástases, exigindo tratamentos mais agressivos e reduzindo significativamente as chances de controle definitivo. No câncer de bexiga, por exemplo, sangue na urina costuma ser um dos primeiros sinais de alerta e nunca deve ser ignorado. Já no câncer de rim, muitos casos permanecem silenciosos e acabam descobertos incidentalmente em exames de imagem realizados por outros motivos. O câncer de testículo, embora menos frequente, merece atenção especial porque acomete principalmente homens jovens. Felizmente, quando identificado cedo, apresenta altas taxas de cura. O envelhecimento da população O aumento da expectativa de vida da população brasileira ajuda a explicar parte do crescimento dos cânceres urológicos. O envelhecimento é um dos principais fatores de risco para tumores como o câncer de próstata e de bexiga. Além disso, hábitos como tabagismo, obesidade, sedentarismo e exposição ocupacional a substâncias químicas também contribuem para o aumento de risco em alguns tipos de câncer urológico. Outro fator importante é a ampliação do acesso a exames diagnósticos, que permite detectar mais casos do que no passado. Ainda assim, especialistas alertam que o Brasil continua enfrentando desigualdades importantes no acesso ao diagnóstico e tratamento, especialmente no sistema público de saúde. Em muitas regiões, pacientes aguardam meses para realizar exames especializados, biópsias ou iniciar terapias oncológicas. O desafio vai além do tratamento Nos últimos anos, a urologia oncológica avançou significativamente. Hoje, existem cirurgias menos invasivas, terapias-alvo, imunoterapia e tratamentos mais modernos capazes de aumentar sobrevida e qualidade de vida dos pacientes. Mas nenhuma tecnologia consegue compensar completamente os impactos do diagnóstico tardio. Por isso, ampliar acesso à informação, rastreamento individualizado e investigação precoce continua sendo fundamental. No caso do câncer de próstata, as sociedades médicas recomendam que homens conversem com o urologista sobre rastreamento a partir dos 50 anos – ou antes, quando existem fatores de risco como histórico familiar ou população negra. Também é essencial abandonar a ideia de que sintomas urinários ou alterações corporais fazem parte “normal” do envelhecimento masculino. Dor, sangue na urina, alterações urinárias persistentes, perda de peso inexplicada ou nódulos testiculares precisam sempre ser investigados. O maior desafio hoje não é apenas tratar melhor os cânceres urológicos. É conseguir fazer com que os pacientes cheguem mais cedo ao diagnóstico. Porque, em oncologia, tempo continua sendo um dos fatores mais decisivos entre cura, controle da doença e perda de oportunidade terapêutica. *Dr. Marcos Tobias Machado, membro da Brazil Health e doutor pela Universidade de São Paulo (USP)São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/canceres-urologicos-avancam-brasil-diagnostico-precoce
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