Saúde

80% da população brasileira vive em cidades fora da meta de vacinação, diz relatório

Nove das 13 vacinas analisadas no estudo não atingiram a meta de cobertura; desigualdades regionais também foram identificadas

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Wagner Lauria Jr.
18/06/2025, 14:38 • Atualizado em 18/06/2025, 16:18
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Meta de cobertura vacinal está abaixo do esperado na maior parte dos municípios brasileiros | Divulgação/Tomaz Silva

Meta de cobertura vacinal está abaixo do esperado na maior parte dos municípios brasileiros | Divulgação/Tomaz Silva

O Brasil ainda enfrenta grandes desafios para alcançar as metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). De acordo com o Anuário VacinaBR 2025, lançado nesta terça-feira (17), cerca de 80% da população brasileira vive em municípios que, em 2023, não conseguiram atingir a cobertura vacinal ideal, de 95%, para a maioria dos imunizantes analisados.

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O levantamento, realizado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC), com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e do Unicef, avaliou dados entre os anos de 2000 e 2023 e revelou que 9 das 13 vacinas incluídas no estudo ficaram abaixo da meta. A situação mais preocupante é da vacina contra a catapora: somente 3% dos brasileiros viviam em cidades que atingiram o índice recomendado, o menor percentual desde o início da aplicação do imunizante, em 2013.

Imunizantes como poliomielite, meningococo C, Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e varicela, que não atingiram a cobertura mínima em nenhum dos 26 estados brasileiros nem no Distrito Federal.

No caso específico da vacina meningocócica C, nenhum estado alcançou a meta em qualquer ano entre 2021 e 2023. Em 2023, quase 90% dos brasileiros viviam em municípios que não atingiram a cobertura ideal, um salto preocupante em relação a 2011, quando esse índice era de 25%.

Desigualdades regionais e taxa de abandono preocupam

A análise também aponta desigualdades expressivas entre regiões e municípios. A região Norte apresenta os menores índices de vacinação para doenças como sarampo, caxumba, rubéola, varicela e poliomielite. Mas o problema não se restringe às regiões com menos recursos. O estado do Rio de Janeiro, por exemplo, não atingiu a meta de cobertura para nenhuma vacina do PNI em 2023. A segunda dose da tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — teve apenas 36,9% de cobertura no estado.

Apesar do cenário desafiador, dados preliminares de 2024, ainda não contemplados no anuário, indicam que a cobertura vacinal continua a melhorar. Segundo o Ministério da Saúde, duas vacinas já atingiram a meta do PNI no ano passado: a BCG, com 95,85% de cobertura, e a primeira dose da tríplice viral, com 95,5%. A vacina contra hepatite B chegou perto, com 94,04%.

O documento também chama a atenção para a criação de “bolsões de baixa cobertura” dentro de estados e regiões, onde municípios vizinhos apresentam diferenças significativas nos índices de vacinação. Em estados como Amazonas, Pará, Maranhão e Rio Grande do Sul, a cobertura pode variar de 95% a menos de 50%, o que compromete a imunidade coletiva e favorece o reaparecimento de doenças preveníveis.

"É a cobertura vacinal que garante a imunidade de uma população para prevenir ou até mesmo erradicar doenças", aponta o artigo escrito por Gabriel Maia e Victor Moura, "As dificuldades de acesso a dados de vacinação do Brasil", presente no relatório.

HPV e poliomielite seguem com baixa cobertura

Dois imunizantes continuam em níveis preocupantes: a vacina contra a poliomielite e a do HPV. O Brasil não atinge a meta de cobertura para a pólio desde 2016, e em 2023, menos de 20% da população vivia em municípios que alcançaram o índice recomendado. Já a vacina contra o HPV teve cobertura inferior a 80% entre as meninas e de apenas 50% entre os meninos, apesar de o vírus ser responsável por diversos tipos de câncer, inclusive entre os homens.

"A importância da vacina na prevenção é que ela evita o desenvolvimento dos piores subtipos do HPV. Existem quatro, que são oncogênicos, ou seja, todos relacionados a casos de câncer", explica a ginecologista Marina Rosario

A especialista ressalta que, com a vacina, mesmo que a mulher entre em contato com o vírus, ela não irá desenvolver o câncer.

Quem pode se vacinar gratuitamente pelo SUS?

  • Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
  • Vítima de abuso sexual de 15 a 45 anos (homens e mulheres);
  • Aqueles que não foram imunizados previamente;
  • Pessoas que vivem com Vírus da imunodeficiência humana (HIV);
  • Transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea;
  • Pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos.

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