Saúde

Dor no pé que não passa? Pode ser trinca no osso de quem caminha ou corre muito

Dor que começa de leve e piora ao treinar pode ser fratura oculta; a ortopedista Dra. Marina Melhado explica como reconhecer, tratar e evitar

Imagem da noticia Dor no pé que não passa? Pode ser trinca no osso de quem caminha ou corre muito
Prevenção de lesões na corrida se torna mais do que necessária: é estratégica | Freepik

Dor persistente no pé ou no tornozelo, que surge aos poucos e piora com a atividade física, é um sintoma muitas vezes ignorado. Muitas pessoas continuam treinando ou caminhando, acreditando tratar-se apenas de cansaço muscular. No entanto, esse quadro pode indicar uma fratura por estresse – uma lesão óssea causada pelo excesso de carga repetitiva, sem tempo adequado para a recuperação.

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Diferentemente das fraturas traumáticas, que acontecem após uma queda ou impacto direto, as fraturas por estresse se desenvolvem de forma progressiva. Pequenas microfissuras surgem no osso quando ele é submetido a esforço repetido além de sua capacidade de adaptação, especialmente em atividades como corrida, caminhada prolongada, dança ou esportes de impacto.

Por que a fratura por estresse acontece

O osso é um tecido vivo, que se adapta às cargas a que é submetido. Quando há equilíbrio entre estímulo e descanso, ele se fortalece. O problema surge quando o aumento de volume ou intensidade da atividade física ocorre de forma rápida, sem tempo suficiente para a recuperação óssea.

Fatores como mudanças bruscas na rotina de treino, calçados inadequados, alterações biomecânicas do pé, superfícies rígidas e falta de fortalecimento muscular contribuem para o surgimento dessas lesões. Além disso, condições clínicas como osteopenia, osteoporose, deficiência de vitamina D e baixo consumo de cálcio aumentam o risco, especialmente em mulheres e pessoas acima dos 40 anos.

Nos pés e tornozelos, os ossos mais frequentemente afetados são o metatarso, o calcâneo e a tíbia distal, regiões que absorvem grande parte do impacto durante a marcha e a corrida.

Sintomas que não devem ser ignorados

O principal sintoma da fratura por estresse é a dor localizada, que piora progressivamente com a atividade e tende a melhorar com o repouso nos estágios iniciais. Com a continuidade do esforço, a dor pode persistir mesmo em repouso, acompanhada de sensibilidade ao toque e, em alguns casos, inchaço local.

Um sinal importante é a dor pontual em uma área específica do osso, diferente da dor muscular difusa. Ignorar esses sinais e manter a atividade pode levar à progressão da lesão, transformando uma fratura incompleta em fratura completa, com necessidade de afastamento prolongado e, em situações mais graves, intervenção cirúrgica.

Diagnóstico, tratamento e prevenção

O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações. Em fases iniciais, exames como a ressonância magnética são mais sensíveis do que o raio X simples, que pode não mostrar alterações nas primeiras semanas. A avaliação com um ortopedista especialista em pé e tornozelo permite identificar a lesão e orientar o tratamento adequado.

Na maioria dos casos, o tratamento é conservador e envolve repouso da atividade de impacto, ajuste da carga, uso de calçados adequados e, quando necessário, imobilização temporária. A correção de fatores associados, como deficiência de vitamina D e desequilíbrios musculares, faz parte do processo de recuperação.

A prevenção passa pelo aumento gradual da carga de treino, alternância de atividades, fortalecimento muscular e atenção aos sinais do corpo. A dor persistente não deve ser normalizada. Reconhecer precocemente uma fratura por estresse é essencial para preservar a saúde óssea e garantir retorno seguro às atividades.

Dra. Marina Melhado – CRM/SP 179.632 | RQE 121.033

Ortopedista e traumatologista

Membro da Brazil Health

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