Saúde

Próstata aumentada: Saiba quando o “xixi fraco” passa a exigir tratamento

Jato urinário fraco, acordar várias vezes à noite e sensação de bexiga sempre cheia podem ser sinal de alerta

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Próstata aumentada: veja os sintomas de alerta | Freepik

Muitos homens convivem durante anos com sintomas urinários sem procurar ajuda médica. Acordar várias vezes durante a madrugada para urinar, perceber o jato urinário mais fraco, ter dificuldade para iniciar a micção ou sentir que a bexiga nunca esvazia completamente acabam sendo tratados como algo “normal da idade”.

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Mas nem sempre é assim.

Esses sintomas podem indicar hiperplasia prostática benigna, condição popularmente conhecida como próstata aumentada. Trata-se de um crescimento não cancerígeno da próstata que ocorre principalmente com o envelhecimento e pode comprometer significativamente a qualidade de vida masculina.

Embora seja extremamente comum, o problema ainda é subestimado por muitos pacientes. O resultado é que homens passam anos convivendo com sono fragmentado, urgência urinária, limitações sociais e desconforto progressivo sem buscar avaliação adequada.

Hoje, porém, o cenário do tratamento mudou bastante. O avanço de técnicas menos invasivas vem permitindo controle mais eficaz dos sintomas, com recuperação mais rápida e menor impacto para os pacientes.

Os sintomas vão muito além do “xixi fraco”

A próstata é uma glândula localizada logo abaixo da bexiga e ao redor da uretra, canal por onde a urina passa. Com o passar dos anos, ela tende naturalmente a aumentar de tamanho.

Quando esse crescimento comprime a uretra, começam a surgir os chamados sintomas do trato urinário inferior.

Os sinais mais comuns incluem diminuição da força do jato urinário, demora para começar a urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, necessidade frequente de ir ao banheiro, urgência urinária e noctúria – nome dado ao hábito de acordar várias vezes durante a madrugada para urinar.

Em muitos casos, os impactos vão além do desconforto físico.

Homens com sintomas urinários importantes frequentemente apresentam piora do sono, fadiga diurna, redução da produtividade e limitação social, especialmente por medo de ficar muito tempo longe de um banheiro.

O problema é que muitos acabam se adaptando aos sintomas e adiando a procura por ajuda especializada.

Nem todo sintoma urinário deve ser tratado como “coisa da idade”

Embora o aumento benigno da próstata seja muito comum após os 50 anos, isso não significa que os sintomas devam ser ignorados.

Quando não tratado adequadamente, o quadro pode evoluir para complicações importantes, como retenção urinária, infecções urinárias recorrentes, formação de cálculos na bexiga e até comprometimento da função renal em situações mais graves.

Além disso, sintomas urinários também podem ocorrer em outras condições, incluindo infecções, alterações neurológicas e câncer de próstata.

Por isso, a investigação médica é fundamental.

O diagnóstico geralmente envolve avaliação clínica, exame físico, exames laboratoriais e, em alguns casos, exames de imagem e estudos do fluxo urinário.

Outro ponto importante é que existe grande variação individual. Alguns homens apresentam próstatas bastante aumentadas com poucos sintomas. Outros têm sintomas intensos mesmo com alterações menores.

Isso mostra que o impacto funcional da doença é tão importante quanto o tamanho da próstata em si.

Os tratamentos evoluíram – e hoje há opções menos invasivas

Durante muitos anos, muitos pacientes associaram o tratamento da próstata aumentada a cirurgias mais agressivas e recuperação prolongada. Mas a urologia mudou bastante nas últimas décadas.

Hoje, existem diferentes abordagens terapêuticas, que variam conforme intensidade dos sintomas, tamanho da próstata, idade e condições clínicas do paciente.

Nos casos mais leves, mudanças no estilo de vida e medicamentos podem ajudar no controle dos sintomas. Redução do consumo de álcool e cafeína, melhora da hidratação e tratamento do sedentarismo também fazem parte da abordagem.

Quando os sintomas se tornam mais importantes ou os medicamentos deixam de funcionar adequadamente, entram em cena os procedimentos minimamente invasivos.

Técnicas modernas realizadas por via endoscópica permitem tratar o aumento prostático sem cortes externos, com menor sangramento, menor tempo de internação e recuperação mais rápida em muitos casos.

O desenvolvimento de tecnologias a laser e outras abordagens menos invasivas também vem ampliando as possibilidades terapêuticas, inclusive para pacientes idosos ou com maior risco cirúrgico.

É importante destacar que cada caso precisa ser avaliado individualmente. Nem todo paciente necessita de procedimento, assim como nem toda próstata aumentada exige cirurgia.

O mais importante é abandonar a ideia de que urinar mal faz parte obrigatória do envelhecimento masculino.

Hoje, existem recursos capazes de melhorar significativamente sintomas, qualidade do sono, autonomia e bem-estar. E quanto mais cedo o problema é investigado, maiores são as chances de preservar qualidade de vida e evitar complicações futuras.

** Marcos Tobias Machado é urologista, doutor em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e membro da Brazil Health

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