Saúde

"5 golpes + 5 compressões": entenda novas diretrizes de desengasgo em bebês, crianças e adultos

Mudança unifica protocolos internacionais, reforça integração com RCP e orienta novas práticas; pediatras explicam como famílias devem agir

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Vicklin Moraes
31/10/2025, 01:00 • Atualizado em 31/10/2025, 17:17
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Foto: reprodução/IA

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A American Heart Association (AHA) atualizou neste mês, suas diretrizes oficiais de primeiros socorros, reanimação cardiopulmonar (RCP) e emergências cardiovasculares. As novas recomendações divulgadas em 2025 trazem mudanças relevantes no manejo do engasgo em bebês, crianças e adultos.

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A principal novidade é a padronização do ciclo “5 golpes nas costas + 5 compressões”, agora definido como regra universal para vítimas conscientes, independentemente da idade, substituindo variações existentes entre países, cursos e instituições.

Segundo a pediatra e neonatologista Dra. Juliana Alves, especializada em Pediatria Integrativa e Funcional, a atualização “uniformiza um protocolo antes fragmentado”.

“A AHA deixa agora muito explícito que, diante de engasgo consciente, o socorrista deve alternar cinco golpes dorsais e cinco compressões, abdominais ou torácicas, conforme a idade — até o objeto ser expelido ou a vítima perder a consciência”, afirma.

A mudança também reforça a integração do manejo do engasgo com o atendimento à parada cardiorrespiratória, já que grande parte das paradas infantis fora do ambiente hospitalar tem origem respiratória.

👶O que muda para bebês (menores de 1 ano)

Para bebês, a manobra abdominal continua proibida. O novo protocolo exige clareza e repetição dos ciclos.

Passo a passo atualizado

  • Colocar o bebê de bruços no antebraço, com a cabeça abaixo do tronco;
  • Aplicar 5 tapas firmes entre as escápulas;
  • Virar o bebê de barriga para cima;
  • Fazer 5 compressões torácicas com dois dedos no esterno;
  • Repetir o ciclo 5+5 até o desengasgo ou perda de consciência.

A pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Dra. Anna Bohn, lembra que muitas famílias ainda seguem versões antigas.

" Após toda mudança, existe um periodo de adaptação. Por isso, sempre é importante que haja campanhas de conscientizacao para divulgar as novas informacoes. De todo modo, o socorro imediato é o mais importante e deve sempre ser feito”, afirmou a pediatra.
Manobras para bebês de até 1 ano | Foto: reprodução/ShutterShock
Manobras para bebês de até 1 ano | Foto: reprodução/ShutterShock

Para crianças maiores de 1 ano e adultos

O protocolo reforça:

  • 5 golpes nas costas, com a criança inclinada para frente;
  • Se não resolver, 5 compressões abdominais (manobra de Heimlich);
  • Repetição do ciclo 5+5 até a desobstrução das vias aéreas.

Segundo a Dra. Anna Bohn, o golpe dorsal antes da compressão abdominal não era obrigatório em algumas versões anteriores, mas agora passa a ser padrão em todos os cursos de suporte básico.

Manobras em crianças e adultos | Foto: reprodução/Mayo Foundation
Manobras em crianças e adultos | Foto: reprodução/Mayo Foundation

📝Por que a diretriz mudou?

De acordo com o documento da AHA, quase 40% das paradas cardíacas infantis fora do hospital nos EUA têm causa respiratória ou estão relacionadas à asfixia.

A atualização busca simplificar o treinamento, acelerar o início das manobras e aumentar as chances de resposta eficaz, sobretudo entre leigos. A entidade revisou centenas de estudos e concluiu que alternar golpes e compressões aumenta a eficácia e reduz o tempo de resposta.

“A inclusão de protocolos claros para engasgo consciente em adultos e padronização do “5 + 5” visam reduzir confusão, agilizar a resposta leiga e uniformizar o tratamento entre idades”, explica a Dra. Juliana Alves.

As mudanças valem no Brasil?

Ainda não houve publicação oficial da SBP ou do Ministério da Saúde adotando formalmente o protocolo. Mas especialistas afirmam que a incorporação costuma ser rápida.

"Hospitais e centros de cuidado que se mantém atualizados estão sempre revisando e adaptando suas diretrizes de acordo com as recomendações mundiais e de grandes grupos. , afirma a Dra. Anna Bohn.

O processo até que cartilhas, escolas e cursos de cuidadores atualizem suas versões, porém, pode demorar semanas ou meses.

🩺E depois do desengasgo?

Avaliação médica é obrigatória, mesmo quando o objeto é expelido, bebês e crianças precisam ser avaliadas.

  • Risco de complicações;
  • inflamação das vias aéreas;
  • aspiração de fragmentos;
  • chiado ou dificuldade respiratória tardia;
  • pneumonia aspirativa

Segundo Alves, se a criança tossiu muito, ficou roxa ou precisou de manobra, deve ser examinada. Há risco de lesões internas mesmo quando tudo parece normal.

Crianças com condições especiais exigem atenção redobrada

Para crianças com doenças neurológicas, distúrbios musculares, refluxo grave ou malformações, o risco de engasgo é maior. Famílias precisam de treinamento específico e plano de ação individual.

"Em tais casos, as manobras padrão devem ser aplicadas com ainda mais cautela, e o profissional/responsável precisa conhecer o plano de crise individual da criança e a equipe de saúde responsável”, afirmou a Dra Jéssica Alves.

A Dra Ana Bohn ainda reforça que familiares e cuidadores devem receber de crianças com condições especiais recebam treinamento adaptado, orientado pelo pediatra.

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