PF investiga contrabando em voo de empresário de bets com Hugo Motta e Ciro Nogueira
Cinco malas de piloto teriam sido desviadas do raio-X; presidente da Câmara diz que cumpriu todos os protocolos



Cézar Feitoza
Guilherme Seto
A Polícia Federal investiga possível caso de contrabando ou descaminho em voo privado que transportou parlamentares de uma ilha caribenha conhecida por ser um paraíso fiscal para o Brasil em abril do ano passado.
A PF abriu inquérito para apurar a entrada de cinco bagagens no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP), que foram desviadas da inspeção da Receita.
O voo era privado, em um jatinho do empresário do setor de bets Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, e o inquérito foi enviado para o Supremo Tribunal Federal (STF) após a constatação de que quatro parlamentares estavam na aeronave: Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Motta disse, em nota, que “ao desembarcar no aeroporto, cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” e que “aguardará a manifestação da Procuradoria Geral da República”.
Procurados, os demais parlamentares não se manifestaram.
O caso ocorreu em abril de 2025. O grupo voltava de uma viagem a São Martinho, no Caribe. As informações foram reveladas pela Folha de S.Paulo, e o SBT News teve acesso ao relatório da PF.
Segundo o documento, o auditor da Receita Marco Antonio Canella permitiu que um dos tripulantes passasse pelo ponto de fiscalização com "algumas bagagens e volumes não inspecionados tanto pelo pórtico detector de metais como pelo aparelho de raio-X, restando desconhecidos, portanto, os seus conteúdos".
As imagens de câmeras de segurança obtidas pela PF mostraram que o piloto da aeronave, José Jorge de Oliveira Junior, passou cinco malas e sacolas pela lateral da esteira do raio-x e do detector de metais.
O empresário Fernandin OIG disse ao SBT News que conversou com o piloto, que teria dito que eram itens pessoais e que “o desembarque seguiu todo o processo normal”. O político mais próximo de Fernandin é Ciro Nogueira, que já viajou no jato particular do empresário em outras ocasiões.
Em maio de 2025, Nogueira viajou à Europa com Fernandin na época em que o empresário era alvo da CPI das Bets –da qual o senador era então membro suplente.
A reportagem também procurou o piloto e o auditor, que não enviaram resposta.
O inquérito da PF não descobriu até o momento se entre as malas havia itens pertencentes aos parlamentares. Por isso, o envio do caso ao STF foi sugerido pela PF e reforçado pelo Ministério Público Federal. Em março, a Justiça Federal de São Paulo acatou o pedido. O caso está sob sigilo no STF. Na sexta-feira (24), o ministro Alexandre de Moraes determinou que a PGR se manifeste em até cinco dias.









