"Não houve interferência de Lewandowski nas operações da PF sobre Master", afirma ex-secretário nacional de Segurança Pública
Contrato de prestação de serviços do escritório ligado ao ex-ministro com Master repercutiu mal para o governo; Sarrubbo afirma que Lewandowski foi surpreendido




Basília Rodrigues
Ranier Bragon
Anita Prado
Secretário nacional de Segurança Pública durante a gestão do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, Mário Sarrubbo afirmou ao SBT News que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pode ter pensado em influenciar a política a partir da contratação de escritórios de advocacia de pessoas ligadas ao poder, mas, na avaliação dele, isso não ocorreu.
Para o ex-secretário, o fato do escritório de advocacia que hoje está com o filho de Lewandowski ser contratado pelo Master não mudou o caminho da investigação.
"Na verdade, o ministro tinha um escritório. Ao assumir o ministério, desligou-se desse escritório. As operações contra o Banco Master aconteceram enquanto Lewandowski foi ministro. Quer dizer, não houve nenhum tipo de interferência do ministro Lewandowski nas operações da Polícia Federal e assim por diante. Portanto, é uma não polêmica, na minha opinião", afirmou em entrevista ao Sala de Imprensa.
Sarrubbo deixou a pasta nesta sexta-feira (30), duas semanas após o fim da gestão do ex-ministro. "Conheço muito o ministro Lewandowski. É alguém absolutamente idôneo, cuidadoso. Ele tem um filho advogado, como eu tenho também, como as pessoas têm e o fato deles advogarem, e terem seus contratos, não podem colocar qualquer mácula na minha atividade ou do ministro. Nunca vi o filho do ministro no ministério. Pra mim, essa é uma não notícia", disse.
Perguntado sobre o interesse de Vorcaro em escritórios de advogados renomados ou ligados a pessoas do poder, Sarrubbo avaliou que os contatos de Vorcaro não impediram a liquidação do banco.
"Quando tem um parente de ministro e assim por diante, sempre se imagina uma linhagem de capacidade profissional boa e, claro, talvez, ele tivesse tido a visão, até pelo número de pessoas, que pudesse influenciar decisões. Mas, daí isso acontecer na realidade, acho que estamos muito distantes. Na realidade, o que posso dizer, da nossa cozinha ali no Ministério da Justiça, estive o tempo todo ao lado do ministro Lewandowski, posso afiançar que não teve absolutamente nenhum tipo de influência. Era um método, criar tentáculo nas mais variadas esferas de poder, mas não deu certo: foi liquidado pelo Banco Central e está sendo fortemente investigado pela Polícia Federal".
Sarrubbo também afirmou que vê cautela nas medidas adotadas por ministro Dias Toffolli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. E destacou a autonomia da PF.
"Do Ministério da Justiça para a Polícia Federal, zero interferência. Tanto é que todos nós fomos surpreendidos pela operação do Banco Master. Não sabia, ninguém sabia, até mesmo o ministro Lewandowski. E assim deve funcionar também em relação ao ministro Toffoli que no tempo certo, momento certo, se não tiver autoridade com foro remeterá ou não remeterá para outra instância", pontuou.
Sarrubbo afirmou ainda que acredita em justiça, e que o clima no Brasil hoje não permite que os culpados por crimes no caso Master não sejam responsabilizados.









