Diretor do BC diz que BRB deveria ter identificado fraude no Master: “não tenho dúvidas disso"
Ailton Aquino cita falha e diz que aplicou técnicas de auditor de carreira; depoimento foi em 30 de dezembro



Eduardo Gayer
Ranier Bragon
Victor Schneider
No depoimento prestado à Polícia Federal em 30 de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que o BRB deveria ter identificado a fraude nas carteiras de crédito do Master compradas pela instituição. Nesta quinta-feira (29), o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo das oitivas.
"Como auditor de carreira, aplicando técnicas, eu tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado [a fraude]. Não tenho dúvidas disso. Aplicando-se técnicas é possível a identificação da existência ou não dos créditos. A falha da governança do BRB (...) E é tanto que o time da supervisão inquiriu muito o BRB, em vários ofícios, que a gente chama de requisições de auditoria, acerca da geração dos créditos", afirmou Aquino.
O inquérito em curso no STF apura uma suposta operação de vendas de carteiras de crédito falsificadas do Master para o BRB. O caso é conduzido pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, e os depoimentos foram coletados em 30 de dezembro do ano passado pela delegada federal Janaína Palazzo.
O diretor de fiscalização do BC também disse à PF que tinha o dever de informar ao Ministério Público os indícios de fraude mesmo sem instauração ou conclusão de processo administrativo sobre o Master.
"A comunicação feita ao Ministério Público é um dever de ofício que está na Lei Complementar 105, artigo 9º. A propositura do processo administrativo sancionador, eu tenho até 5 anos para a propositura. (...) Nós privilegiamos primeiro a comunicação ao Ministério Público dos fatos, dos indícios — que nós comunicamos indícios, obviamente o Ministério Público é quem toma a decisão", declarou.









