Senador avalia que EUA não retiram tarifaço antes de eleição
Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado disse que faltou paciência de Lula com Trump e defendeu pragmatismo
Basília Rodrigues , Murilo Fagundes
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad, avalia que “é muito difícil” os Estados Unidos retirarem o tarifaço sobre o Brasil antes das eleições de outubro, apesar da reaproximação recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano Donald Trump. Para o senador, “faltou paciência” de Lula com Trump desde as primeiras ameaças de tarifaço.
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“Vindo do Trump, tudo é possível. Ele dá um tapa para depois chamar para conversar e acariciar”, disse em entrevista ao Sala de Imprensa, do SBT News.
“Talvez o presidente (Lula) não esteja com a mesma paciência que tinha antes. Ele é um cara envolvente, ou então não teria sido presidente. Lula é um encantador, mas não teve paciência dessa vez”, analisou.
Perguntado sobre a interferência de políticos da oposição sobre a visão dos Estados Unidos quanto ao Brasil, Trad reconheceu que os americanos estão abastecidos por interpretações erradas, mas ponderou que o relacionamento pessoal de Lula com Trump teria poder de evitar isso.
“Faltou conversar um pouco mais, estreitar a relação. Eu penso que a caneta pesaria menos. Se os dois quiserem ter boa relação, meu amigo, pode ir quem for lá e não vai estragar”, observou.
Senador Nelsinho Trad (PSD-MS) no Sala de Imprensa | SBT News
Em julho de 2025, Nelsinho Trad liderou uma comitiva de senadores que foi aos Estados Unidos conversar com parlamentares americanos para reverter o primeiro tarifaço. O grupo reuniu políticos governistas e de oposição, marcou uma atuação suprapartidária do Senado. “A gente falou para eles: ‘vocês não vão achar café melhor que o nosso, suco de laranja, nem carne firme’. Eles ficaram surpresos. Houve uma reação da sociedade americana que não quis abrir mão do produto brasileiro”, disse.
Trad destacou a atuação de Geraldo Alckmin, então ministro de Desenvolvimento e Indústria, no compartilhamento de dados sobre o Brasil e articulação para aberturas de outros mercados que podem compensar a falta dos americanos.
“Brasil é o Brasil com B maiúsculo, soberania acima de tudo, o que temos aqui é nosso. Porém agregar parcerias, para que nossa soberania seja mais evidente, isso é bem-vindo”, comentou.
Trad assumiu a presidência da comissão pela primeira vez em 2019, momento em que diziam que seria “tranquilo e elegante”. A situação, porém, foi muito diferente porque naquele ano, primeiro da gestão Jair Bolsonaro, o ex-presidente disse que poderia fazer do filho, Eduardo, embaixador do Brasil nos Estados Unidos.
Desde então, ele ressalta que a gestão da comissão nunca foi tranquila. “Na minha segunda vez (presidência), vem o Trump com tarifaço”, pontua.
“Eu me dei super bem com o governo Bolsonaro e me dou muito bem com o governo Lula. Sou uma pessoa de pegar a mão uma do outro e unir. Sou pragmático”, concluiu.
Trad não vai se lançar ao Senado novamente neste ano. Ele diz que ficou sem espaço entre as candidaturas titulares diante da polarização política no estado do Mato Grosso do Sul. O senador virá como suplente.
Senador avalia que EUA não retiram tarifaço antes de eleiçãoPresidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado disse que faltou paciência de Lula com Trump e defendeu pragmatismoPolítica2026-08-29T21:11:41.796ZO presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad, avalia que “é muito difícil” os Estados Unidos retirarem o tarifaço sobre o Brasil antes das eleições de outubro, apesar da reaproximação recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano Donald Trump. Para o senador, “faltou paciência” de Lula com Trump desde as primeiras ameaças de tarifaço. “Vindo do Trump, tudo é possível. Ele dá um tapa para depois chamar para conversar e acariciar”, disse em entrevista ao Sala de Imprensa, do SBT News. “Talvez o presidente (Lula) não esteja com a mesma paciência que tinha antes. Ele é um cara envolvente, ou então não teria sido presidente. Lula é um encantador, mas não teve paciência dessa vez”, analisou. Perguntado sobre a interferência de políticos da oposição sobre a visão dos Estados Unidos quanto ao Brasil, Trad reconheceu que os americanos estão abastecidos por interpretações erradas, mas ponderou que o relacionamento pessoal de Lula com Trump teria poder de evitar isso. “Faltou conversar um pouco mais, estreitar a relação. Eu penso que a caneta pesaria menos. Se os dois quiserem ter boa relação, meu amigo, pode ir quem for lá e não vai estragar”, observou. Em julho de 2025, Nelsinho Trad liderou uma comitiva de senadores que foi aos Estados Unidos conversar com parlamentares americanos para reverter o primeiro tarifaço. O grupo reuniu políticos governistas e de oposição, marcou uma atuação suprapartidária do Senado. “A gente falou para eles: ‘vocês não vão achar café melhor que o nosso, suco de laranja, nem carne firme’. Eles ficaram surpresos. Houve uma reação da sociedade americana que não quis abrir mão do produto brasileiro”, disse. Trad destacou a atuação de Geraldo Alckmin, então ministro de Desenvolvimento e Indústria, no compartilhamento de dados sobre o Brasil e articulação para aberturas de outros mercados que podem compensar a falta dos americanos. “Brasil é o Brasil com B maiúsculo, soberania acima de tudo, o que temos aqui é nosso. Porém agregar parcerias, para que nossa soberania seja mais evidente, isso é bem-vindo”, comentou. Trad assumiu a presidência da comissão pela primeira vez em 2019, momento em que diziam que seria “tranquilo e elegante”. A situação, porém, foi muito diferente porque naquele ano, primeiro da gestão Jair Bolsonaro, o ex-presidente disse que poderia fazer do filho, Eduardo, embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Desde então, ele ressalta que a gestão da comissão nunca foi tranquila. “Na minha segunda vez (presidência), vem o Trump com tarifaço”, pontua. “Eu me dei super bem com o governo Bolsonaro e me dou muito bem com o governo Lula. Sou uma pessoa de pegar a mão uma do outro e unir. Sou pragmático”, concluiu. Trad não vai se lançar ao Senado novamente neste ano. Ele diz que ficou sem espaço entre as candidaturas titulares diante da polarização política no estado do Mato Grosso do Sul. O senador virá como suplente.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/senador-nelsinho-trad-eua-tarifaco-eleicao