Perícia da PF diz que não há necessidade de transferir Bolsonaro da Papudinha
Conclusão de laudo diz que comorbidades de ex-presidente “não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”

Cézar Feitoza
A Polícia Federal concluiu que a situação de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro não exige cuidados em nível hospitalar. Na avaliação dos médicos da Polícia Federal, Bolsonaro pode permanecer na Papudinha. Eles avaliam, porém, que é necessário otimizar os procedimentos para o cuidado de saúde do ex-presidente.
"Tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar", diz o relatório.
"Apesar do controle clínico e da disponibilidade de protocolos de pronta resposta para atendimento de urgência e emergência, é necessário otimização dos tratamentos e das medidas preventivas por profissionais especializados em decorrência do risco de complicações, principalmente eventos cardiovasculares", completa.
Em um dos principais trechos do relatório, a perícia médica conclui que as demandas de cuidados médicos do ex-presidente --como o uso de CPAP e a necessidade de dieta fracionada-- são compatíveis com o ambiente carcerário.
Os peritos também reconhecem o aumento do risco de novas quedas, caso Bolsonaro não esteja sob observação contínua e sem atendimento médico urgente. "Considerando o histórico recente de queda com traumatismo cranioencefálico e confusão mental associada ao uso de medicamentos com ação central, o paciente apresenta risco aumentado de novos eventos semelhantes, caso esteja em local sem observação contínua e sem pronta resposta médica? Sim."
O relatório aponta ainda o risco de "complicações como pneumonia aspirativa, insuficiência respiratória, AVC, insuficiência renal, queda com traumatismo craniano e morte súbita".
Exames neurológicos
Os médicos recomendam que Bolsonaro seja submetido a exames neurológicos para investigar as causas da queda sofrida pelo ex-presidente em dezembro, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
"O periciado apresenta sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco potencial de novos episódios de queda, necessitando de investigação diagnóstica", disse.
O relatório ainda sugere a instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho, de uma campainha de pânico/emergência e acompanhamento contínuo nas áreas comuns, além de avaliação nutricional e prática de atividade física e fisioterápica.

Problemas de saúde
Segundo a perícia médica, Bolsonaro tem sete doenças crônicas --todas sob controle clínico.
São elas: hipertensão arterial sistêmica, síndrome da apneia do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais.
O laudo pericial descarta que o ex-presidente esteja com depressão. "Além disso, não consta relatório psiquiátrico aventando o diagnóstico e tampouco o tratamento medicamentoso com escitalopram (antidepressivo)", diz.
O relatório destaca que a Papudinha não tem ambulatório médico ou corpo de saúde próprio. O Complexo Penitenciário da Papuda, porém, conta com atendimento ambulatorial e uma estrutura de Unidade Básica de Saúde distante cerca de três quilômetros do local em que Bolsonaro está custodiado.
Em caso de emergência, diz o relatório, "a rotina é o acionamento do SAMU, podendo ser acionado o helicóptero da Polícia Militar do Distrito Federal, inclusive, para deslocamento ao Hospital".
Rotina na Papudinha
O relatório dá destaque à rotina de Bolsonaro na Papudinha, com informações colhidas por meio de entrevista dos médicos com o próprio ex-presidente.
Bolsonaro diz que dorme por volta das 22h e acorda às 5h, levantando-se da cama às 8h.
"Contou que, ainda pela manhã, busca dedicar-se à leitura diária de livros. Após o almoço, costuma repousar por cerca de 20 minutos", diz.
"No período da tarde, assiste a programas esportivos na televisão e conversa com o policial de plantão responsável pela guarda externa de seu alojamento. Referiu que, ao final da tarde, costuma realizar caminhada de aproximadamente 1,0 km, sob escolta", completa.
O relatório também relata a rotina de alimentação do ex-presidente.
Seu café da manhã costuma ter achocolatado e pão com manteiga. No almoço, entregue por familiares, come arroz, feijão, carne ou frango e salada de alface e tomate --"nega que lhe seja trazido verduras e legumes", diz o relatório.
O jantar consiste em caldo ou sopa. O ex-presidente come biscoitos, bolos e outros alimentos entregues por familiares ao longo do dia, entre as refeições.
Na entrevista aos médicos, Bolsonaro também relatou que a situação da Papudinha é melhor que a da Superintedência da PF, com "maior espaço para circulação" e sem se "incomodar com ruídos".
* com Marcela Mattos, Soane Guerreiro e Leandro Magalhães









