Política

Para Erika Hilton, esquerda enfrenta dificuldade com palanque em SP e Tarcísio é “marionete” do bolsonarismo

Deputada federal por SP avalia que base de Lula, da qual faz parte, precisa mostrar mais entregas

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Basília Rodrigues , Iander Porcella, Murilo Fagundes
15/02/2026, 23:36 • Atualizado em 15/02/2026, 23:37
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Um dos principais nomes da esquerda em São Paulo, a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) falou em entrevista ao SBT News sobre os desafios para o grupo que apoia reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A parlamentar atribuiu as dificuldades à disputa de classe, aos movimentos extremistas e desilusão com política de parcela do eleitorado.

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“A esquerda não pode subestimar a periculosidade de qualquer candidatura. Não podemos trabalhar num cenário de que está tudo ganho porque esse cenário não existe. As eleições passadas foram muito acirradas. Obviamente Flávio Bolsonaro não é (Jair) Bolsonaro. Traz consigo rejeição grande por causa do sobrenome. Mas qual é o palanque de segundo turno que teremos a partir dessas movimentações que partidos de centro estão fazendo?”, disse ao Sala de Imprensa.

Erika Hilton falou que apesar das vantagens da candidatura de Lula sobre os outros adversários, ainda há muito trabalho de base para fazer.

“Há possibilidade real que nós vençamos. O presidente Lula tem tudo para levar essas eleições, mas precisamos fazer trabalho de base sério. As entregas do governo precisam ser destacadas”, afirmou.

Uma das maiores preocupações é com o palanque em São Paulo. Em 2022, Lula venceu na capital, mas perdeu no estado. Erika disse não saber se o ministro Fernando Haddad é o nome mais acertado para concorrer novamente ao governo paulista. Afirmou também que as candidaturas para o Senado precisam ser “muito acertadas”. Citou as ministras Simone Tebet e Marina Silva como nomes que se colocam na disputa.

Crítica do governo Tarcísio Freitas, Erika também avaliou que o governador depende do bolsonarismo para ser reeleito neste ano.

“Acho que esse comportamento passivo do governador diante de todas articulações contra ele que a família Bolsonaro também o ajuda porque mostra que ele é uma marionete muito fácil de ser manipulada para os interesses do bolsonarismo”, ressaltou.

Para a parlamentar, o bolsonarismo é um expressão de pautas extremistas, mas também reúne pessoas “enganadas pelo discurso de antissistema”.

“Com o bolsonarismo não há diálogo, representa o ódio, preconceito, intolerância, ataque. Como posso falar com um grupo, uma família, que o seu maior desejo é me ver morta? Como posso manter ponto de contato com aqueles que me enxergam menos humana, menos cidadã, menos digna, até para ocupar uma cadeira de deputada? Então com essas pessoas a única relação que eu mantive foi nas ações judiciais contra eles”, pontuou.

Ao SBT News, Erika defendeu que a esquerda precisa ampliar número de lideranças que irão representar o campo progressista nas futuras eleições. Para ela, o ministro da secretaria geral da República, Guilherme Boulos, que perdeu eleição à Prefeitura de São Paulo em 2024, é dos maiores quadros.

“Estamos carentes de nomes na esquerda, precisamos urgentemente debater desde já o pós-Lula porque ainda que agora nos consigamos vencer o bolsonarismo, são 4 anos que passam voando. Nós precisamos debater desde já o futuro”, enfatizou.

Erika foi a primeira mulher negra e trans eleita à Câmara dos Deputados, em 2022. Ela é autora da PEC que estabelece o fim da jornada 6 por 1, e irá se candidatar novamente ao cargo neste ano.

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