Política

Erika Hilton avalia que eleições ajudam aprovação do fim da jornada 6 por 1, e defende “transição rápida” para nova escala

Deputada reconhece que projeto de lei tem mais chance de aprovação, no lugar de emenda à Constituição, mas acredita que os textos podem tramitar paralelamente

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Basília Rodrigues , Iander Porcella, Murilo Fagundes
15/02/2026, 23:48 • Atualizado em 15/02/2026, 23:48
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Autora da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da jornada 6 por 1, a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) disse ao SBT News que, durante a votação do texto, vai defender uma “transição rápida”, de no máximo um ano, entre a regra trabalhista atual e a nova.

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A deputada rejeita a possibilidade de aprovar textos alternativos que preveem 10 anos de transição.

“Vai ser preciso que alguns setores se adequem. Precisa ser uma transição coerente, lógica, mas tem que ser uma coisa rápida, pontual. Não acho que precise muito, seis meses, um ano, é coisa suficiente, tranquila, sem desespero, sem pânico”, disse em entrevista ao programa Sala de Imprensa.

Para a deputada, a aprovação deve ocorrer neste semestre porque a cobrança popular em ano eleitoral mobiliza toda a classe política.

As eleições propiciam ambiente muito mais favorável. Vai fazer esse parlamentar que bradava lá atrás não ser possível, porque estava simplesmente olhando para seus amigos empresários e querendo fazer um favor, agora dar uma recuada. Primeiro porque não vai destruir a economia. Segundo porque vai ser difícil voltar para base que ele diz defender e dizer que acha que precisam ter jornada extenuante enquanto temos visto votações no Congresso para uma ala de servidores na Câmara que cria jornada mais favorável com voto desse deputado”, reforçou.

A discussão tornou-se popular rapidamente, em especial pelo engajamento nas redes sociais. Até mesmo o governo incluiu a pauta entre as prioridades na mensagem presidencial apresentada neste mês na reabertura dos trabalhos no Congresso. Mas ainda há forte resistência de segmentos econômicos e parlamentares que defendem o setor produtivo.

“A gente faz analogia com outros avanços para dignidade dos trabalhadores. A abolição da escravidão trouxe manchetes com os mesmos dizeres, o décimo terceiro salário foi tratado como algo que destruiria a economia, fecharia postos de trabalho e depois se mostrou extremamente eficiente para injetar dinheiro na economia. Todas as vezes que nós abordamos temáticas que tenham a ver com a dignidade do trabalhador, muitas vezes os setores patronais possam se sentir ameaçados quanto ao lucro, o que é uma burrice, porque temos dados mundo afora que mostram que o descanso traz produtividade”, ressaltou.

“A produtividade traz lucro. Mas ainda estamos vivendo diante de um olhar escravocrata, da exploração, do trabalhar para morte. Os mesmos que dizem que o trabalho dignifica, são os mesmos que querem que o trabalho traga fim à vida”, disse.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, decidiu enviar o texto para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, além da abertura de Comissão Especial, que é rito obrigatório em caso de tramitação de PEC. Além disso, o governo mantém os planos de encaminhar um projeto de lei com urgência constitucional, que exige menos votos para aprovação e tranca a pauta se não for colocado em votação.

A deputada reconhece que é o caminho mais fácil para aprovação do fim da jornada 6 por 1. Mas diz que, ao mesmo tempo, irá continuar apoiando a tramitação de uma PEC, devido ao caráter estruturante da mudança.

Uma coisa é o projeto, outra é a PEC. Uma coisa não impede a outra de acontecer. Pode tramitar primeiro, para dar resposta agora a essa questão, um projeto que demanda menos número de votos, e continuar a caminhar na esteira uma Proposta de Emenda à Constituição”, apontou.

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