Política

Padilha cancela ida aos EUA após restrições impostas pelo governo Trump

Ministro da Saúde afirma que medida afronta o direito internacional e impede o Brasil de exercer plenamente sua diplomacia em fóruns de saúde

J
Avatar de Hariane Bittencourt
Jessica Cardoso, Hariane Bittencourt
19/09/2025, 21:04 • Atualizado em 20/09/2025, 01:20
compartilhar

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, decidiu não viajar aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e da reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), após ter sua circulação no país restringida pelo governo norte-americano.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Embora tenha recebido visto, Padilha foi autorizado apenas a se deslocar entre o hotel, a missão diplomática do Brasil e a sede da ONU, ficando impedido de ir a Washington D.C. e a outros compromissos.

“Em razão dessas limitações infundadas e arbitrárias ao exercício diplomático brasileiro, o ministro Alexandre Padilha decidiu não participar das atividades para as quais foi convidado e permanecer no Brasil, dedicado à votação da Medida Provisória do Programa Agora Tem Especialistas no Congresso Nacional, uma prioridade de sua gestão”, afirmou o Ministério da Saúde em nota.

Em carta enviada aos ministros da Saúde dos países membros da OPAS, Padilha classificou a decisão como “arbitrária e autoritária, que afronta o direito internacional e prejudica a cooperação harmônica entre países soberanos”.

O ministro lembrou que, no início de agosto, sua esposa e filha de 10 anos tiveram os vistos cancelados pelos EUA, em medida que também atingiu servidores e ex-servidores do Ministério da Saúde ligados ao programa Mais Médicos.

Para Padilha, as restrições são uma forma de retaliação ao papel do Brasil na defesa das vacinas, da ciência e da democracia.

“O efeito imediato das restrições que me foram impostas é impedir a plena participação do Brasil em órgãos das Nações Unidas sediados nos Estados Unidos, enquanto exercemos a presidência pro-tempore do Mercosul e dos Bricse presidimos a Coalizão do G20 na Saúde”, afirmou.

Segundo ele, as limitações comprometem encontros bilaterais e negociações internacionais essenciais para ampliar a capacidade de oferta de saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“A restrição que me foi imposta também compromete a velocidade das negociações com laboratórios internacionais, serviços hospitalares e instituições de pesquisa que buscam investir no Brasil e que podem fortalecer nossa capacidade de oferecer saúde de qualidade aos brasileiros”, disse.

Padilha afirmou ainda que o governo brasileiro não renunciará à sua soberania, ressaltando que a sociedade já demonstrou apoio à democracia, ao SUS, às vacinas e ao Mais Médicos, programa usado pelos Estados Unidos como justificativa para as restrições.

“Os pretextos alegados para esse ato [restrição de visto] não têm qualquer amparo nem na realidade dos fatos, nem no arcabouço legal que rege a relação entre os países, na medida em que tenta fabricar acusações infundadas e descabidas contra o programa Mais Médicos, criado em 2013”, disse.

O ministro também disse que “decisões desse tipo merecem repúdio”, pois colocam em xeque a experiência democrática dos Estados Unidos. Ele ponderou, no entanto, que a medida não reflete a atitude de toda a sociedade norte-americana, lembrando a tradição de acolhimento e cooperação científica e humanitária existente no país.

Apesar da ausência física, Padilha assegurou que as articulações brasileiras no âmbito da OPAS serão mantidas pela delegação que já está em Nova York e em Washington.

“Nesse momento sombrio, reitero o inabalável compromisso do Ministério da Saúde do Brasil com a promoção da saúde, da ciência, da paz e da democracia, nas Américas e em todo o mundo. E não podemos concordar com nenhuma medida de enfraquecimento da OPAS e Organização Mundial da Saúde (OMS) pelo governo dos Estados Unidos”, concluiu o ministro.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Irã se nega em entregar estoque de urânio enriquecido

Irã se nega em entregar estoque de urânio enriquecido

Imagem da notícia: Lucro na S&P 500 sobe 2 dígitos por 6 meses seguidos

Lucro na S&P 500 sobe 2 dígitos por 6 meses seguidos

Imagem da notícia: Quem era o homem que abriu fogo perto da Casa Branca

Quem era o homem que abriu fogo perto da Casa Branca

Imagem da notícia: Taxista tenta cobrar R$ 3,4 mil de turistas no Rio e é preso

Taxista tenta cobrar R$ 3,4 mil de turistas no Rio e é preso

Imagem da notícia: Irã se nega em entregar estoque de urânio enriquecido

Irã se nega em entregar estoque de urânio enriquecido

Imagem da notícia: Lucro na S&P 500 sobe 2 dígitos por 6 meses seguidos

Lucro na S&P 500 sobe 2 dígitos por 6 meses seguidos

Imagem da notícia: Quem era o homem que abriu fogo perto da Casa Branca

Quem era o homem que abriu fogo perto da Casa Branca

Imagem da notícia: Taxista tenta cobrar R$ 3,4 mil de turistas no Rio e é preso

Taxista tenta cobrar R$ 3,4 mil de turistas no Rio e é preso

Últimas notícias

Suspeitos se passam por falsos agentes e assaltam loja em SP

Homens armados levaram diversos objetos de estabelecimento de assistência técnica de celulares na Brasilândia; eles seguem foragidos

PRF resgata mulher de cárcere após abordagem em rodovia

Vítima era levada na garupa da moto pelo ex-marido na rodovia Presidente Dutra (BR-116), trecho de Taubaté, interior de São Paulo

Dino nega pedido de soltura de Deolane Bezerra

Ministro do STF afirma em decisão que prisão da advogada e influenciadora digital é legal

Governo aposta em integração para combater facções

Secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, detalhou os quatro eixos do programa Brasil Contra o Crime Organizado

13º salário: INSS começa a pagar 2ª parcela nesta segunda

Pagamento segue até 8 de junho para aposentados e pensionistas; mais de 35 milhões entram nesta etapa do calendário

Dez países africanos estão em lista de alto risco para ebola

Classificação leva em conta surtos na República Democrática do Congo e em Uganda e potencial de disseminação regional