Ex-senador e filho deputado são alvos de operação da PF contra desvio de emendas parlamentares
Força-tarefa Vassalos também fez buscas contra outro filho do ex-parlamentar, o pré-candidato a senador Miguel Coelho


Anita Prado
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (25) a operação Vassalos, que investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa por meio do desvio de emendas parlamentares. Os principais alvos são o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e dois filhos dele, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE) e o pré-candidato a senador Miguel Coelho (União-PE), ex-prefeito de Petrolina (PE).
Agentes cumprem, ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em quatro estados (Bahia, Goiás, Pernambuco e São Paulo) e no Distrito Federal.
Em nota, a defesa de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho disse que não teve acesso à decisão do ministro do STF, Flávio Dino. Completou que os mandados estavam desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares e que solicitou acesso aos autos, para que, assim, possa se manifestar no processo.
O ex-senador foi ministro da Integração Nacional no primeiro governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e líder do governo de Jair Bolsonaro (PL) no Senado de 2019 a 2021. Já o deputado federal trabalhou como ministro de Minas e Energia no governo de Michel Temer (MDB), de 2016 a 2018.

As ações policiais foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, relator de inquéritos no STF sobre supostas irregularidades envolvendo emendas. A investigação apura, segundo a PF, atividades de uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados.
A suspeita é de que recursos públicos vindos de emendas parlamentares eram desviados por meio do direcionamento de licitações a uma empresa vinculada ao grupo, "com posterior utilização dos valores desviados no pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio".

Além dos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, a força-tarefa Vassalos também apura prática de peculato e delitos licitatórios diversos, como a frustração do caráter competitivo e fraude em licitação e contrato.
Outro lado
Após a publicação deste texto, a defesa da família Coelho emitiu uma nota defendendo a destinação de emerndas para a cidade de Petrolina que, segundo os investigados, "transformaram o município, que foi o que mais cresceu no Nordeste na última década, com a melhor qualidade de vida".
Fernando Filho e Miguel Coelho, que assinam a nota, argumentam que a ação desta quarta (24) tem um caráter político.
"Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas".
Leia na íntegra:
"Na manhã desta quarta-feira (25) o Estado de Pernambuco foi surpreendido com uma operação cujo alvo principal é o crescimento da cidade de Petrolina.
A petição do STF para tudo o que vimos hoje, apresenta como motivação emendas parlamentares destinadas durante o mandato de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho, para a nossa terra, emendas estas que transformaram o município, que foi o que mais cresceu no Nordeste na última década, com a melhor qualidade de vida, indicadores educacionais e desenvolvimento humano. Com a convicção que nossa força política é fundamental neste processo, reafirmamos que iremos continuar lutando para que mais recursos cheguem à cidade. Petrolina não vai parar de crescer e nem voltar ao passado.
Por meio da decisão do Ministro Flávio Dino, constatou-se que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento (INQ 4513). Segundo consta na decisão do Ministro, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela polícia federal.
Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas.
Seguimos com tranquilidade e confiantes na Justiça brasileira.
Nossa luta política não será abalada por perseguições de onde quer que elas venham.
Fernando Filho e Miguel Coelho"









